2 de dez de 2013

Crô - O Filme, de Bruno Barreto





Ir ao cinema é e sempre será um prazer para quem curte um bom entretenimento. Com as novas tecnologias empregadas na sétima arte esse prazer ficou ainda maior e o valor do ingresso se dilui quando o filme é bom. O que não é o caso da produção nacional Crô- o Filme, com roteiro assinado pelo mesmo autor que o criou para a televisão, Aguinaldo Silva. 

São 80 minutos de constrangimento, onde se tenta fazer humor a todo custo usando de piadas batidas, situações vexatórias e clichês típicos de Zorra Total. Até me espanta o filme não ter sido dirigido por Maurício Sherman, com direito a um bale ridículo durante os créditos de abertura. Mas, pasmem, a direção é de Bruno Barreto, o mesmo de Flores Raras.  Incoerente, não?

Atores globais de peso, como Carolina Ferraz, aparecem equivocados em personagens que não lhes cabem. A participação de Ivete Sangalo provoca a mesma impressão. Ivete ou a tiazinha da esquina fariam a mesma coisa no filme, não importando o nome por trás do "personagem". Nota-se claramente o desespero de usar figuras conhecidas da mídia para alavancar o filme em participações dispensáveis. 


Marcelo Serrado, o protagonista Crô, é caricato, no mau sentido da palavra. Não representa o gay como um ser humano normal, e sim uma “bicha” desvairada e fútil. Algo extremamente incômodo no filme. O tempo todos são usados termos como "viado" e "bicha" de forma muito pejorativa, ofensiva e desnecessária.  

Além disso, como se não bastasse esse jargão preconceituoso, a história é vazia, mal escrita e chata. Aguinaldo Silva deveria se envergonhar de produzir um roteiro tão mal acabado. Personagens de Fina Estampa, novela que revelou Crô aos brasileiros, surgem de novo na história (um deles havia morrido na novela) e é dada uma explicação tão fútil e infantil que dá vontade de se levantar e sair do cinema. Mas, como faço valer o valor do ingresso, fiquei até o fim para conferir o fracasso. 


Mas acredito que o mais grave de tudo não seja nem o apoio financeiro que todo filme nacional tem do governo federal (nesse caso, dinheiro jogado fora), e sim o fato da "obra" brincar com uma situação real e triste, o tráfico e escravidão de bolivianos no Brasil, de forma tão jocosa. O assunto é tratado com certo deboche e, sinceramente, não precisava fazer parte do roteiro. É grosseiro, revoltante e não consegue ser um alerta ao problema que sabemos existir em solo nacional. No filme, bolivianas são traficadas, maltratadas e escravizadas ao estilo Gloria Perez (uma péssima alusão a Salve Jorge, talvez?). 

No fim das contas, Crô - O Filme, não vale o ingresso, não vale o tempo perdido, não vale para ser visto na TV a cabo quando lançado e, muito menos, em canal aberto. Depois do sucesso de Paulo Gustavo e Fabio Porchat, fica difícil encarar Marcelo Serrado tão ridiculamente montado. Se houvesse nota menor que zero, seria pouco!

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Leandro Faria  
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