13 de dez de 2013

#DocPop: Greta Garbo, Um Sinônimo da Sétima Arte



Greta não acabou no Irajá e, acredito, nem nunca deve ter ouvido falar do bairro carioca. A atriz sueca entrou para a história da sétima arte por ter feito personagens de mulheres sofredoras, mas de personalidade forte. E foi essa sua potencial carga dramática que influenciou toda uma geração.

Greta Garbo, ou melhor, Greta Gustafson, nasceu em Estocolmo, bem no começo do século passado e, quando seu pai morreu, decidiu deixar os estudos de lado e começou a trabalhar. Não sei se já tinha o desejo de tornar-se atriz naquela época, mas foi trabalhar em lojas de departamentos e, a partir daí, começou a fazer pequenos filmes publicitários, quando então, seu dom nato de persuasão fez-se notar.

Talvez ela mesma tenha sentido a necessidade de estudar a arte dramática ou foi estimulada para isso devido ao êxito de sua presença nestes filmes. Enquanto estudava, conheceu aquele que viria se transformar em seu mentor, Mauritz Stiller. Eles fizeram um filme e, logo depois, lá estava ela na Alemanha realizando outro projeto. Contudo, foi o poderoso Louis B. Mayer, um dos donos da MGM, que percebeu que aquela moça de feições duras e ar enigmático poderia ser uma estrela do cinema e fez logo o convite para que ela pudesse ir à Hollywood.


Quando isso aconteceu, Greta já possuía quase 20 anos e seu inglês não era dos melhores. Mas sua tentativa de fazer bem feito resultou num sotaque britânico/americano e sua voz grave e pausada ajudavam a dar o tom trágico. Ela também estava fora dos padrões exigidos e, segundo os especialistas da época, ainda precisava emagrecer e corrigir sua dentição, coisas que acabaram sendo feitas, mas que atrasavam a estreia da futura estrela.

Até que, enfim, Garbo estreou! Foi em Os Proscritos (Torrent, no original), em 1926, e assim começou seu caso de amor com a plateia. Ela convenceu a todos de seu talento, beleza e sofisticação. Mas foram os anos 30, juntamente com seus primeiros filmes falados, que logo a transformaram em mito. São eles Anna Christie, Mata Hari, Grande Hotel, Rainha Cristina, Anna Karenina, A Dama das Camélias e Ninotchka.

No final dos anos 30, Greta já era uma mulher poderosa, o que amedrontava os chefes dos grandes estúdios. Realizou Duas Vezes Meu, de George Cukor, que não fez sucesso. Na verdade, ela já almejava retirar-se dos holofotes. O motivo? Segundo seu amigo pessoal, o marchand Sam Green, Garbo estava cansada e precisava se encontrar como pessoa. Além disso, começava a Segunda Guerra Mundial, que a desestabilizou emocionalmente.


Nos anos 40 e 50, muitos foram os convites para que Greta retornasse às telas, tanto é que ela quase aceitou ser a Duquesa de Langeais, e seria a primeira oportunidade do grande público conhecer os lindos olhos azuis da atriz, mas a produção foi cancelada, deixando-a bem triste. Por outro lado, os grandes estúdios preferiram optar por atrizes que estavam em ascensão na época como, por exemplo, sua compatriota Ingrid Bergman e o furacão Marlyn Monroe.

Todavia, a atriz sueca acabou mesmo indo viver reclusa em Nova York. Suas aparições eram raras e, quando alguém conseguia fotografá-la, a imagem parava nas primeiras capas de todos os tablóides ou em manchetes de noticiários televisivos.

Mas a maior prova de que o público jamais a esqueceu, foi que, mesmo reclusa, Greta Garbo (que nunca foi ao Irajá) tornou-se um sinônimo inerente da sétima arte.
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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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1 comentários:

carlosromero disse...

Gostei muito do post.
Quem não tem vontade de dizer, de vez, em quando, I just want to be alone?
Ao se retirar da vida artística tão cedo, Garbo se imortalizou com o rosto elegante e resplandecente, marca registrada de seus filmes.

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