22 de dez de 2013

Jovem e Bela, de François Ozon




"Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta." 
A citação da famosa escultora francesa Camille Claudel traduz à perfeição os motivos que levam a linda Isabelle, protagonista do longa Jovem e Bela a tornar-se uma prostituta. No mais novo e belíssimo filme do também francês François Ozon (responsável pelos não menos excelentes Dentro da Casa e O Tempo Que Resta), a jovem revelação Marine Vacth, de 22 anos, dá vida a Isabelle, uma adolescente de 17 anos, de classe média alta, que vive em Paris com a mãe, o irmão de 13 anos e o padrasto. Uma vida que parece boa, feliz e completa ao lado da família e dos amigos. Porém, parece que não é bem assim.

O filme apresenta a vida de Isabelle no decorrer de um ano. Tudo começa no verão. De férias com a família em uma praia do litoral francês, a garota se interessa por um rapaz de sua idade, bonito e simpático, e com a ajuda do irmão confidente, o menino Victor, ela se aproxima dele. Encantada, perde a virgindade numa noite em frente ao mar, nada romântica e nada prazerosa. Frustrada com o mecanismo do rapaz, Isabelle desencanta-se imediatamente.


No outono, provavelmente em busca do prazer que não conheceu na primeira vez e de dinheiro fácil, vemos Isabelle indo ao encontro de um de seus clientes, um senhor idoso, de cabeça branca, rugas profundas, mas charmoso, com idade pra ser seu avô. Esse homem mexe com ela e parece ser a única pessoa, além de seu irmão, por quem nutre um sentimento genuíno. Pois Isabelle é fria, distante e está sempre com um ar de entediada. Ela não é agressiva, nem revoltada, simplesmente se fecha em uma introspecção acachapante e, em sua subjetividade, existe um fascínio avassalador, que seduz irreversivelmente seus inúmeros clientes e o espectador.

Após incontáveis programas, acontece um incidente que faz com que sua família descubra seu segredo. Isabelle, então, para com os programas e, diante dos apelos e preocupação da mãe, tenta levar uma vida normal pra uma adolescente de 17 anos. Começa a sair com colegas da escola, vai a festinhas e até faz um tremendo esforço pra ficar e namorar um garoto comum do colégio. Mas apenas pelo olhar magnético dela, lemos seu pensamento: são todos tão chatos, desinteressantes e sem graça. E assim se passa o inverno de Isabelle, com uma vidinha dentro da normalidade e sem emoção.

Mas parafraseando outra grandiosa mulher, ela é "humana, demasiadamente humana"! E finalmente chega a primavera, trazendo uma grande surpresa para Isabelle.

Pra descobrir a surpresa e o enigmático desfecho de Jovem e Bela, que te faz passear por tantas e instigantes sensações que talvez você nem consiga definir, dê um tempo nas comédias nacionais, nas sagas que são blockbusters americanos e mergulhe sem reservas nem falsos moralismos na mente e no coração quase indecifrável de Isabelle. Acredite, também será um profundo mergulho dentro de você e suas convicções, quase sempre tão inabaláveis.


E se ainda resta alguma dúvida, sim, o filme é bom pra cacete. O diretor é de uma sensibilidade ímpar. A protagonista é de uma beleza estonteante,  sensual sem ser vulgar, mesmo sendo uma putinha. E tem Paris. Ah, Paris! Acho que não preciso dizer mais nada.

Mas, se você não consegue perder meia hora dentro de um cinema pra pensar e refletir um pouco sobre tantas questões que tangem nossas emoções e ações aparentemente mais inexplicáveis, não perca seu tempo, economize seu dinheiro e vá assistir Crô - O Filme.
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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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