13 de jan de 2014

Álbum de Família, de John Wells




Como já dizia Liev Tolstói: "Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira." E o que vemos na telona durante os 130 minutos de projeção de Álbum de Família (August: Osage County, no original), é exatamente a maneira como cada membro da família Weston é infeliz, ou o esforço desesperado pra tentar deixar de ser.

O filme do diretor John Wells, produzido por George Clooney, é um grande drama familiar baseado na peça teatral da americana Tracy Letts, ganhadora do Pulitzer, que mostra a decomposição da classe média de seu país. Levado às telas com um enorme e estelar elenco, Álbum de Família nos leva do riso às lágrimas e por fim à uma reflexão dolorosa.

Meryl Streep, na pele da matriarca Violet Weston, mais uma vez, só pra variar, samba na cara da sociedade com sua estupenda interpretação de uma mulher viciada em drogas, com câncer de boca e que não larga o cigarro um só segundo. Abandonada pelo marido alcoólatra (o ótimo Sam Sheppard em rápida participação), Violet mobiliza toda a família, que inclui as três filhas, Barbara, Ivy e Karen; a neta Jean, filha de Barbara, sua primogênita e preferida; o marido da mesma, Bill; Steve, o namorado de Karen, a caçula; a irmã, Mattie Fae com o marido, Charlles, e o filho deles, Little Charlles. Com todos reunidos, o circo está armado. Entre farpas, brigas, acusações e terríveis segredos revelados após o enterro do patriarca, que foi encontrado está morto, fica uma pergunta ecoando na mente: do que é feito uma família?


As irmãs interpretadas por Julia Roberts, Julianne Nicholson e Juliette Lewis (todas as atrizes coincidentemente com a mesma inicial no primeiro nome), estão fantásticas. De temperamentos completamente opostos, cada uma consegue humanizar suas personagens, por mais frias e egoístas que elas pareçam às vezes. Julia Roberts está tão bem como a amargurada Barbara, que ouso dizer que sua atuação me agradou mais que a de Meryl Streep. Julianne Nicholson é um achado; em meio a tantas estrelas, ela consegue fazer de sua menosprezada Ivy uma personagem doce e aparentemente frágil, que catalisa as atenções para si, mesmo em cena com Meryl e Julia. E a querida Juliette Lewis, sempre mega carismática, convence maravilhosamente como Karen, uma mulher carente na casa dos 40 que age como se ainda tivesse 25, acreditando na promessa de casamento de um cara que dá em cima de sua sobrinha de 14 anos. Ainda tem Abigail Breslin, cada vez mais bonita, com seus profundos olhos azuis, realçados por um forte lápis negro, interpretando uma típica adolescente americana, filha de pais separados. Os lindos e talentosos Ewan McGregor e Dermot Mulroney e a impagável Margo Martindale, responsável pelas cenas e falas mais engraçadas do filme, também arrasam.

Eu queria muito ver esse filme, principalmente pelo encontro das divas Julia Roberts e Meryl Streep e gostei bastante do desenrolar da trama. Nem de longe será o melhor filme do ano, mas pra abrir os trabalhos cinematográficos de 2014 foi ótimo. Eu recomendo. Também com um elenco desses, mesmo que fosse ruim, pra quem é fã de cinema e grandes interpretações, Álbum de Família é programa obrigatório.  
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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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1 comentários:

Mandy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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