28 de jan de 2014

Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche



O cinema é uma manifestação incrível. É linda a forma que a arte tem de imitar a vida, principalmente quando nos deparamos com uma obra com tantas qualidades como o sucesso Azul é a Cor Mais Quente (La vie d'Adèle, no original). Apesar de não ser um filme destinado ao público comercial, o longa francês é um dos queridinhos de 2013 e isso pode se justificar por vários motivos.

Adèle é uma adolescente no final do seu estágio escolar que, assim como todas as outras garotas de sua idade, convive com seus conflitos a respeito de futuro, amizades, insegurança e, principalmente, sexualidade. Ao se ver perdidamente apaixonada pelos belos olhos azuis de Emma, a garota não tem dúvidas: precisa enfrentar seu próprio preconceito e assumir pra si mesma sua homossexualidade.

O longa se desenrola a partir desse momento mas, ao contrário dos muitos filmes do mesmo gênero, o roteiro não se perde no famoso clichê acerca da aceitação da sociedade e da família, mas investe no desenvolvimento de uma relação afetiva que antes de ser homossexual, é repleta de amor.

Dentre os vários aspectos que me encantaram, a atuação impecável de Adèle Exarchopoulos é um deles. Os sentimentos transmitidos pela personagem dispensam linguagem; a emoção pode ser capturada em seus olhares e gestos. Léa Seydoux também não fica para trás ao interpretar Emma e nos envolver com tamanha sensibilidade e segurança.


Outra coisa fascinante é a passagem do tempo na história. Ela acontece de forma tão natural e precisa, a ponto de notarmos o envelhecimento das personagens sem que seja necessário o uso de legenda ou maquiagem nas atrizes. A fotografia do filme é perfeita, principalmente ao criar o efeito do hábito, da rotina, que nos faz conhecer passo-a-passo do cotidiano de Adèle, nos dando a impressão de uma conexão, como se fizéssemos parte dessa rotina.

Apesar das inúmeras qualidades, o longa peca ao criar o conflito em cima de um pré-conceito machista imposto pela sociedade, que insiste na hipótese de que mulheres lésbicas são sexualmente insatisfeitas. Entretanto, esse erro não influencia na conclusão do filme que, na minha opinião, tinha tudo pra levar o Oscar de Melhor Filme de 2013 mas, por um problema na sua data de lançamento, foi impedido de estar entre os concorrentes.

No mais, pretendo voltar semana que vem com a resenha de Lola, com as queridinhas Demi Moore e Miley Cyrus e, quem sabe, também com o polêmico Ninfomaníaca, de Lars Von Trier, que foi lançado no último dia 10.
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Ariadny Theodoro  
Ariadny Theodoro,incansavelmente bipolar e a primeira mulher da trupe do PdB. Apaixonada por literatura, séries de televisão, teatro e fotografia digital, escreve por necessidade de manifestar suas diversas paixões, nem sempre compreendidas pelos demais. Escreve sobre tudo - o bom e o ruim! Afinal, alguém tem de ter a difícil tarefa de alertar ao mundo que nem tudo é sempre bom!
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2 comentários:

Teago disse...

to loko pra ver esse filme, mas não acho...
vou te que esperar chegar nas locadoras...

Mayara Alves disse...

Nossa esse filme alem de lindo para mim que faço Artes Cênicas é uma referência de improvisação como elas proprias esplicaram em entrevista.
Um contexto super simples e ao mesmo tempo super rico em conflitos e vivência.
Mostra como temos que ser senciveis quanto atores e se deixar levar, realmente uma obra super incrivel. Super recomendo *-*

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