21 de jan de 2014

Primeiras Impressões: Looking




Há muito que os gays deixaram de ser tabu na televisão americana. Em praticamente toda produção existe um ou outro personagem homossexual, que vive sua vida ao lado dos demais, sem que isso seja encarado com desconfiança ou pudor. Enquanto na televisão brasileira o "beijo gay" ainda causa polêmica, nas produções americanas essa manifestação de carinho é habitual e os telespectadores já se acostumaram a ela faz tempo. 

Entretanto, apesar de todo esse avanço, os telespectadores sentiam falta de uma série com a temática homossexual e que retratasse a vida gay americana com um pouco menos de esteriótipos. Desde Queer as Folk, que revolucionou o mundo dos seriados, uma produção voltada especialmente para esse público não ganhava espaço e, por isso, Looking foi tão aguardada desde o seu anúncio.

Vendida como uma versão gay em São Francisco da aclamada Girls (que, por sua vez, foi vendida como uma versão mais jovem e pé no chão de Sex and the City), Looking prometia polêmica e foi com essa aura que acabou estreando. Mas, se o público esperava uma versão rejuvenescida de Queer as Folk, pode ter se frustrado, já que a proposta da série, pelo menos em seu primeiro episódio, parece ser outra.

Mas não me entendam mal, a série é bastante legal e tem potencial. Eu era fã de Queer as Folk, mas entendi que Looking não quer ser uma cópia da primeira. Baseada na vida de três homens gays de São Francisco, Looking está mais interessada em apresentar suas vivências do que em chocar, o que parecia, muitas vezes, ser o principal objetivo de Queer as Folk.


Focada nos amigos Patrick (Paddy, para os íntimos), Dom e Agustin, Looking pretende, como mostra seu próprio título, apresentar as buscas de cada um deles nesse mundo estranho e cruel, que é o que os gays estão inseridos. E a partir das experiências de seus personagens, pintar um painel do que pode ser a vida real de tantos homens homossexuais ao redor do mundo.

Paddy, o grande protagonista do primeiro episódio, depois de ser convidado para a despedida de solteiro de um ex, se dá conta de que quer um relacionamento. E parte em uma busca meio que desesperada e boba por um par, valendo-se de redes sociais e de encontros vazios para encontrar alguém. E chega a ser divertido ver um personagem meio geek e gay, que não se enquadra na própria dinâmica desse universo, em ação.  O que podemos aprender com Paddy é válido para qualquer um, gay ou hetero: não faça NUNCA como ele.

Já Dom, com um bigode que eu realmente não entendo para que existe, é o amigo mais velho, que nunca ganhou um não na vida. Ao se deparar com essa situação, começa a se questionar se a idade realmente pode ter chegado e, assim, apresentando situações com as quais ele nunca contou. E a trama dele com o ex-namorado louco, que apesar de aparentar ser uma furada, pode render bastante. Que atire a primeira pedra quem nunca fuçou a vida de um(a) falecido(a) no Facebook.


Enquanto isso, Agustin é o único dos amigos que parece ter encontrado um relacionamento, mas não saber como levá-lo. Em dúvida se aceita ou não o convite do namorado para morarem juntos, Agustin não tem medo de experimentar novas situações, como um 3some inusitado. Para mim, foi o personagem mais interessante e que promete levantar as melhores discussões da série. Vamos aguardar.

Com São Francisco de pano de fundo e bons atores - Jonathan Groff, Frankie Alvarez e Murray Bartlett como Paddy, Agustin e Dom - em seu elenco, Looking é uma aposta certeira da HBO para conquistar um espaço vazio e carente. 

E com apenas 30 minutos por episódio (achei pouco, confesso), ouso dizer que a série veio para ficar. O tempo curto do episódio, entretanto, fez com que a curiosidade para vermos como aquela história vai se desenrolar seja ainda maior.

Não sei vocês, mas curti bastante a estreia da série e planejo continuar acompanhando. 
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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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