7 de fev de 2014

Ninfomaníaca, de Lars Von Trier



Depois de Melancolia, trabalho incrível do excêntrico Lars Von Trier, o diretor prometeu: "Meu próximo filme será pornô". Assim, desde de 2011 as expectativas para Ninfomaníaca (Nymphomaniac: Volume I, no original) foram crescendo e seu lançamento oficial, que aconteceu dia 10 de janeiro, tem atraído muitos expectadores aos cinemas. Entretanto, as opiniões estão divididas.

Em uma manhã chuvosa, Joe, que está na faixa dos seus 50 anos (que nesta fase é interpretada por Charlote Gainsbourq) é encontrada machucada e em péssimas condições no bairro onde reside Selligman (Stellan Skarsgard), um senhor mais velho que decide levá-la para casa e prestar ajuda.

Em busca de saber quem é Joe e o porquê de ser encontrada naquela situação, Selligman embarca numa viagem ao longo do tempo através das lembranças e relatos de Joe, que se considera uma mulher pecadora, suja e não digna da vida.

O filme se divide entre a infância e a juventude da personagem principal, que se auto intitula de ninfomaníaca, uma denominação para mulheres viciadas em sexo. A partir daí o público se deixa envolver por uma narrativa engraçada, irônica e repleta de metáforas, que tem o objetivo de fazer com que sintamos o que é estar na pele de Joe que, desde criança, tem uma ligação com sexo fora do normal.


A polêmica acerca do filme consiste na mais variadas cenas de sexo explícito, que envolvem velhos, obesos, magros, feios, bonitos, barbudos, orgias e tudo que se pode imaginar. Mas a essência do longa está na crítica que o diretor tenta transmitir. O filme tem sim o objetivo de chocar mas, ao contrário do que se pensa, as cenas de sexo são só um meio de fazer com que o público saia de sua zona de conforto e comece a refletir, sem moralismos, sem questões religiosas e, principalmente, sem pudor. Somos convidados a enxergar o drama de Joe que, inconsequentemente, tenta encontrar no sexo a busca por sentir alguma coisa, senão, sentir-se completa.

Este é apenas o Volume I de Ninfomaníaca, que deixa bem claro aos espectadores que se permitiram enxergar a real beleza do longa, o verdadeiro objetivo de Lars Von Trier. Se nessa pequena amostra do filme já somos inundados com ótima trilha sonora e desempenho incrível do elenco, no segundo volume as expectativas crescem pela ânsia de saber o que mudou na personagem, que passou a enxergar a "violência" dos seus atos.

Ninfomaníaca, apesar de ser uma indicação para todos, é um filme para os poucos que conseguem captar a sensibilidade e complexidade em meio a tanta exposição e figuração.
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Ariadny Theodoro  
Ariadny Theodoro,incansavelmente bipolar e a primeira mulher da trupe do PdB. Apaixonada por literatura, séries de televisão, teatro e fotografia digital, escreve por necessidade de manifestar suas diversas paixões, nem sempre compreendidas pelos demais. Escreve sobre tudo - o bom e o ruim! Afinal, alguém tem de ter a difícil tarefa de alertar ao mundo que nem tudo é sempre bom!
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