24 de fev de 2014

PdB Entrevista: Paulo Daltro, Autor de Baianos de Todos os Santos




Paulo Daltro é um jovem baiano apaixonado pelas Artes, pelos amigos, pela família, pela vida. Nasceu em Salvador, mas se mudou para São Paulo ao 21 anos - cidade em que viveu por 6 anos - e atualmente mora em Dubai. É ator, Licenciado em Educação Artística pela Faculdade Paulista de Artes, com passagem pela Escola de Atores Wolf Maya e também colaborador internacional para o site O Confessionário, onde possui uma coluna em que compartilha suas aventuras.

Paulo está lançando hoje, 24/02, seu livro Baianos de Todos os Santos, que estará disponível no formato e-book e cujas vendas ocorrem nas maiores e melhores casas do ramo de todo o país . Eu, Serginho Tavares e colaborador do Pop de Botequim, tive o prazer de entrevistá-lo e divido essa conversa com vocês. Vamos conferir?

Como surgiu o prazer pela escrita?
Eu acho que o meu interesse pela literatura surgiu porque eu sou uma pessoa que sempre gostou do mundo subjetivo; eu gosto de analisar o comportamento humano, isso é algo que me fascina. Essas características na experiência, mostrando que o indivíduo é determinado pelo ambiente e pela hereditariedade me desperta muita curiosidade. Imprimir isso no papel foi a forma que eu encontrei para sintetizar as minhas ideias, narrando histórias que, mesmo sendo histórias de ficção, tenham uma pegada bem humana, exibindo assim suas deficiências. Eu gosto das pessoas não porque elas tem algo de exemplar e sim pela suas falhas e eu me identifico com essas falhas. Todos nós temos defeitos e esse intercâmbio nos possibilita outra visões!

De onde veio a ideia deste livro de contos?
A ideia surgiu quando a saudade da minha terra bateu - faz dois anos que eu não vejo a minha família e que não faço uma visita a Salvador . Por esse motivo decidi escrever sobre o meu povo, a minha terra e a cultura dessa gente. A minha cabeça não para, eu estou sempre construindo histórias, até que um dia eu me dei conta que eu tinhas muitas histórias arquivadas e não sabia quais publicar. Então decidir lançar um livro de contos reunindo aquelas que eu considero serem as minha melhores narrativas. Essa também foi a forma que eu encontrei para amenizar essa saudade e, claro, o resgate das lembranças da minha infância foram inevitáveis. Eu confesso que não foi uma tarefa muito fácil, esse livro tem sido um desafio para mim e eu precisei de muita malícia para contar em poucas páginas algumas histórias partindo das minhas experiências pessoais, daquelas que permanecem vivas na minha memória hoje.

Um  livro de contos não é exatamente simples de escrever (é o que dizem os contistas), principalmente histórias de ficção. O conto tem uma estrutura fechada, tem apenas um clímax. O conto é conciso. Você pode abrir um livro de contos e escolher qual história você vai ler hoje. Depois dos contos, o meu interesse pela leitura só aumentou, foram os contos que me aproximaram da leitura e hoje eu tenho o maior prazer de ler romances com a tramas que se desdobram em conflitos secundários. Os contos tem o poder de atrair leitores com muita facilidade. Essa também foi a forma que eu achei para aproximar os meus alunos da leitura. Hoje, contistas como Machado de Assis, Monteiro Lobato, Clarice Lispector e Nelson Motta são presentes na minha biblioteca virtual, no meu criado mudo.

O candomblé, infelizmente, ainda sofre muito preconceito no Brasil. Como observa isto? Existe alguma maneira de desmistificar a religião e diminuir todo esse preconceito?
O preconceito com o candomblé vem desde a colonização e, mesmo sendo um comportamento cultural, eu acho que isso está mudando. Apesar de ser católico, eu cresci em uma sociedade quase africana e, por isso, eu tenho um conceito formado sobre a religião. Eu acredito que compartilhar conhecimento pode diminuir o preconceito. Foi com o acesso a esse conhecimento que eu passei a compreender a religião e respeitar, mesmo sendo católico. Eu não poderia falar da Bahia sem citar a cultura afro e a sua religião. Sem citar essa força estranha, majestosa que impera na cidade do Salvador, sem citar os santos, que nos protegem - esses sim não fazem distinção de cor, raça, sexualidade, biótipo, classe social e etc.

Tem uma frase que diz assim: "em toda a história da humanidade, sempre existiu o homem lutando pela sua liberdade". Eu ouvi isso uma vez e gostei, mas não lembro quem é o autor. Essa frase se aplica para todos, seja ele o homossexual ou homem Pai Santo. O que não podemos deixar de fazer, é lutar por essa liberdade.

Quais autores te inspiram ou te inspiraram a escrever e quais indicaria?
Quatro autores me inspiraram: o Nelson Rodrigues, Nelson Motta, Jorge Amado e Clarice Lispector. Esses escritores sempre ocuparam a cabeceira da minha cama e a minha biblioteca virtual. Eu admiro o Nelson Motta porque a literatura dele, mesmo sendo uma literatura de entretenimento e de diversão, tem coisas muito profundas sobre o ser humano e eu também sigo essa linha. Já o Jorge Amado tem uma poesia na escrita, eu gosto da forma com que ele narra a cultura do nosso povo e as características das personagens. A Clarice é um escritora subjetiva, eu gosto disto; e o Nelson Rodrigues sabe descrever muito bem a crueldade humana e o que este ser é capaz de fazer pelos seus desejos e ambições, porque esses comportamentos são como necessidades fisiológicas, não temos como controlar, quando a questão é sexo e amor.

O que diria para alguém que almeja escrever?
Eu diria que escrever é uma arte, e não é das mais simples. Não basta ter apenas uma ideia na cabeça e começar a escrever, acho que é uma coisa de 50% inspiração e 50% determinação, mas esse não é o único conselho. Eu também aconselho o futuro escritor a não se preocupar com a opinião de amigos ou mesmo de parentes. Ela pode ser desfavorável (ou não tão otimista quanto você esperava) e abalar o seu processo criativo. Eu lembro que a última coisa que os pais de Paulo Coelho desejavam era que ele se tornasse escritor. Outra coisa séria para se trabalhar é o poder da observação. Observe. Tudo. No ônibus, na vizinhança, no elevador, na balada, na praia, o comportamento das pessoas, observe tudo e todos. O cotidiano é uma infindável fonte de inspiração (bebem dela grandes autores, como os que eu citei na pergunta anterior).

Tem uma analogia que a Thalita Rebouças faz, que eu acho muito interessante. Ela compara um livro com a massa e o molho. Massa sem molho é uma lástima. Fica uma coisa sem graça, insossa, zero apetitosa. Texto sem molho é isso aí e mais um pouco. Escrever corretamente é uma coisa. Escrever com molho é outra. Uma boa história é capaz de prender o leitor. Mas uma boa história com molho pode conquistá-lo e ser o ingrediente que levará seu projeto de livro para frente - diz a escritora.

Outra dica seria a leitura. Leia. Leia muito. Livros, jornais, revistas, bulas de remédio, manuais de máquinas fotográficas, anúncios em orelhões de telefone, blogs, gibis, artigos na internet, não importa. É lendo que ficamos em contato com a matéria-prima de todo e qualquer escritor: a língua portuguesa. É como o treino de musculação: para se obter um físico que se deseja é necessário um treinamento diário.

E por que o formato DIGITAL?
A vantagem do ebook é a sua portabilidade. Como se encontra no formato digital, pode ser transmitido rapidamente por meio da Internet. Se um leitor que se encontra no Japão, por exemplo, tiver interesse em adquirir um ebook vendido nos Estados Unidos ou no Brasil, pode fazer isso imediatamente e em alguns minutos estará lendo tranquilamente o seu ebook. Assim, quando um escritor independente como eu, por exemplo, estiver morando em outro pais - no meu caso, em Dubai - poderá ter sua obra publicada na internet e assim ser adquirida por leitores no seu país de origem. A internet democratizou o conhecimento e colocou o mundo em rede, além de possibilitar novos escritores a publicarem suas obras. Mercado esse antes controlado pelas editoras.

Uma segunda vantagem do ebook é o preço. Com seu custo de produção e de entrega bem mais baixo, um ebook de alto padrão pode chegar às mãos do leitor por um preço até 50% menor que um livro impresso. E os amantes do livro físico, assim como eu, poderão imprimir o seu exemplar e  ler na sua poltrona livros de ótima qualidade. 


Você é um rapaz muito bonito, como lida com o assédio?
Agora você me pegou, rs. Eu não percebo esse assédio e prefiro continuar não tendo essa percepção.

Hoje em dia podemos dizer que você é um cidadão do mundo. Existem outros projetos literários a caminho?
Nós artistas, amantes das artes e das letras, já nascemos cheio de projetos. Eu tenho muitos projetos, mas esses projetos é que nos comunicam o momento certo de sua publicação. O processo criativo do projeto Baianos de Todos os Santos durou quase dois anos, quem sabe o próximo não nascerá dentro de dois anos?

Obrigado Paulo pela entrevista e vamos aguardar seus futuros projetos..
Eu que agradeço e obrigado pelo suporte.
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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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