14 de fev de 2014

Philomena, de Stephen Frears




Em meio a tantos bons filmes indicados ao Oscar 2014, confesso que Philomena não era uma de minhas primeiras opções a ser conferido. Mas tive a sorte de ser convidado para uma sessão especial do longa e, ao final da projeção, saí transbordando de satisfação.

Com a delicada e certeira direção do ótimo Stephen Frears - responsável pelos excelentes Ligações Perigosas (1988); Os Imorais (1990) e Sra. Henderson Apresenta (2005) -, Philomena é cheio de qualidades; adjetivos não faltarão para defini-lo, a começar pela dupla de protagonistas que arrebata com uma simplicidade desconcertante em suas atuações. Simplicidade que nos pega pela mão e nos leva a passear em profundas emoções baseadas na história real da irlandesa Philomena Lee.

Judi Dench dá vida a doce e apaixonante Philomena, que nos idos de 1952, na Irlanda, ainda uma adolescente, entrega-se a um rapaz e engravida, sendo imediatamente enviada pela família a um convento para ser cuidada pelas freiras e expiar seus pecados. Trabalhando em regime de quase escravidão, ela cria o filho por três anos, podendo vê-lo apenas uma hora por dia, até que a igreja arranca-o dela e o vende - como a muitos outros - para adoção por um casal americano. Forçada a assinar um documento em que prometia nunca mais ver o filho, ainda assim ela passou os cinquenta anos seguintes buscando-o secretamente.


É no dia do aniversário de 50 anos de seu primogênito perdido que Philomena decide contar o segredo que guardou por tantos anos, e confessa à filha sua triste história e o sonho de reencontrar seu rebento. Comovida e empenhada em ajudar à mãe, a filha põe em contato com Philomena o jornalista inglês Martin Sixsmith (maravilhosamente defendido por Steve Coogan) que trabalhou para a BBC durante muitos anos como correspondente em diversos países, cobrindo pautas de interesse histórico e político. Frio e objetivo, Martin acaba de perder seu emprego e parece pouco motivado a aceitar um trabalho jornalístico de "interesse humano" (leia-se: histórias sentimentais que comovam o leitor), mas ao se deparar com a história de Philomena, um botãozinho apita e ele mergulha de cabeça em uma minuciosa investigação pra encontrar o paradeiro de Anthony, o filho da simpática senhora.

Cético, em se tratando de religiosidade, Martin inicia sua investigação pelo convento onde Philomena teve seu filho, que apesar de tudo o que passou, continua com sua fé inabalável. Mas no convento eles nada conseguem. Partem então para os Estados Unidos e, juntos, encaram uma viagem cheia de expectativas, descobertas, surpresas e grandes emoções.


Philomena é dramático, engraçado, um pouco road movie, com fotografia linda em paisagens de encher os olhos. Mas o maior mérito do filme, pra mim, é conseguir tocar na ferida da maldade e hipocrisia religiosas, tema por vezes tão indigesto e revoltante, mas de maneira tão sutil e comovente que ao término fica uma sensação de leveza e enternecimento. Philomena nos dá uma lição de amor e perdão e a interpretação suave e marota de Judi Dench (a Nathalia Timberg de Hollywood) com suas expressões de olhar profundo e rugas marcantes nos elevam a um estado de arrebatamento.

Indicado aos Oscars de Melhor Atriz (Judi Dench), Trilha Sonora e Roteiro Adaptado, na primeira oportunidade que tiver, não deixe de conferir Philomena. Garanto que você vai sair do cinema um pouquinho mais humanizado e feliz.

O filme tem estreia oficial nessa sexta-feira, 14/02.
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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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