6 de fev de 2014

Pop 5ive: As Melhores Edições do BBB




Há muito tempo que Big Brother Brasil, o reality show mais famoso da TV brasileira, não me empolga. Ainda assim, acreditando que a atual edição, o BBB 14, parecia trazer participantes interessantes como as de ótimas edições passadas, resolvi dar uma chance ao programa deste ano. 

Comecei a acompanhar lá no dia 14/01 o reality que já tinha largado de mão desde sua décima segunda edição, com a maior boa vontade (e põe boa vontade nisso), afinal o programa começou entulhado de gente, que foi saindo em paredões quase que diários, confundindo quem não conseguia ver todos os dias. Só que com a saída da participante Bella, já fiquei azedo. Uma das sisters mais bacanas dessa edição foi eliminada logo de cara, em detrimento a Diego e Francielle, inaceitável! Me revoltei, mas mesmo assim continuei assistindo ao programa até o Vagner sair no paredão seguinte ao de Bella. Aí foi demais pra mim. Eliminaram sem dó (o público ou Boninho?) dois dos participantes mais consistentes da casa, que certamente iam causar muito, mas com toda a classe. O problema é que além de não fazerem o tipo gostosos (Bella não é magérrima nem siliconada e não tem o rosto mais lindo do programa e Vagner, além de ser o mais velho da casa com quase 40 é gay), os dois são inteligentes e articulados, e parece que o excesso de conteúdo de ambos é um pouco demais pro público-alvo do BBB, ou seja, um povinho de mente atrofiada que gosta de ver os mesmos corpos e os mesmo conflitos vazios ano após ano. Resumo da ópera: sem Vagner, não perco mais meu tempo com BBB 14.

Como gostando ou não do programa sempre é bom falar de BBB, fiquei morrendo de vontade de recordar as edições que achei mais legais. Hoje, o que me afasta do programa é a repetição de tipos e conflitos; nada se renova. Os mesmos saradões e taradões de sempre, querendo exibir seus dotes e pegar as gostosas siliconadas. Isso não me apetece mais, aliás, nunca me apeteceu. O que sempre me fascinou no formato foi a diversidade que esteve presente nas primeiras edições do reality. Ver os conflitos causados por diferenças de idade, cultura e classe social era muito instigante. Lembro de uma conversa entre a participante Estela e outro brother no BBB 1, onde ela dizia que estava participando do programa muito mais pela experiência de conviver com pessoas diferentes dela e aprender com isso do que pelo prêmio. Aquela afirmação, que arrancou gargalhadas e desconfiança de alguns, resumiu perfeitamente o que pra mim era a essência do programa, ou deveria ser.

Posto isso, vamos às edições que mais chegaram perto de ser uma maravilhosa experiência de convivência + competição + entretenimento + conteúdo:

BBB 5

Esse foi um BBB histórico. No ar entre 10 de janeiro e 29 de março de 2005, o BBB 5 quebrou paradigmas ao ter como vencedor o intelectual e gay Jean Wyllys, um participante inesquecível. Ético, generoso, carismático, sensível e agregador, Jean foi vítima de preconceito e, como tal, alvo fácil de vários paredões, mas não se acovardou, ergueu a cabeça e foi pra cima, eliminando um à um de seus "inimigos". 

Fora ele, que foi a grande estrela desta edição, ainda tivemos sua fiel companheira, a esfuziante Taty Pink, cabeleireira pernambucana que teve uma afinidade instantânea com o professor baiano, formando uma dupla imbatível. Também foi o BBB da linda Grazzi Massafera que, junto de Pink e Jean, fez o trio mais amado pelo Brasil: a bela miss caipira e simpática, o professor inteligente e conselheiro e a cabeleireira engraçada sem papas na língua. 

Um dos paredões mais sofridos foi o que teve o embate entre Jean e Pink. Todos esperavam que os dois fossem juntos pra final, mas em uma jogada equivocada, ambos se enfrentaram num paredão que ninguém queria ver. 

Ainda houve a participação pra lá de especial da dona de casa Marielza. Ela entrou na casa através do sorteio que rolava na época e sempre era vencido por pessoas mais humildes, mas ficou apenas 9 dias na casa, pois teve um AVC na banheira de hidromassagem e teve que ser substituída por outra sister (Aline x9). Mas Marielza tinha o carisma e despojamento da simplicidade e, pra mim, também foi um membro marcante da edição. 

A casa tinha um clima de vilões (Rogério/dr. Gê, Paulo André/PA, Karla, Natália, Tati Rio, Giulliano e Aline) versus mocinhos (Jean, Pink, Grazzi, Sammy e Alan), que deixava tudo com um gosto especial de torcida do bem contra o mal. Enfim, foi um BBB com todos os ingredientes de uma trama irresistível, coroada com o até então inédito prêmio de 1 milhão de reais ao herói de gays, lésbicas, simpatizantes e gente de bem, Jean Wyllys.

BBB 7

A edição de número 7, exibida entre 9 de janeiro e 3 de abril de 2007, pegou fogo. Foi marcada por um triângulo amoroso melhor que o de muita novela das nove, formado pela fogosa Fani, o garanhão Diego e a romântica Íris/Siri. Os outros participantes? Tirando o cowboy Alberto, vilão da vez, que atormentou a vida do grande vencedor, Diego Gasques, todos não passaram de meros coadjuvantes, numa edição que foi roubada pelo triângulo amoroso já citado. 

O enredo: Fani, garota fogosa e despachada, solta faíscas ao se aproximar do irresistível sedutor Diego. Não demora muito e os dois logo estão embaixo do edredom. Entretanto, pouco tempo depois, Diego se vê sentimentalmente envolvido pela doce e carismática Íris, menina do interior, brejeira e recatada. A atração por Fani é muito forte, a química entre ela e Diego é poderosa, mas o sentimento por Íris só aumenta, se tornando uma paixão delicada e bonita. O dilema se agrava quando Íris e Fani se tornam amigas. Mesmo assim, os três conseguem viver harmonicamente, tornando-se as figuras mais queridas do público, que embora torcesse por Íris na disputa pelo coração do bonitão, não desgostava de Fani, sempre muito verdadeira em suas colocações e atitudes. Por fim, Íris foi eliminada em um paredão emblemático com seu amado Diego e dois paredões depois Fani foi a vítima, também ao lado de Alemão. 

O moçoilo ficou só na casa, cercado por seus "inimigos", até levar o prêmio de 1 milhão de reais na grande final.

BBB 8

Essa edição foi marcante porque tinha uma gaúcha tarada, um psiquiatra doido, uma lésbica enrustida, uma sósia de Juliana Paes, uma filha de atriz famosa dos anos 80 e muito "bafon". Quem não se lembra dos surtos homéricos do psiquiatra Marcelo Arantes? Das pérolas e bebedeiras de Natália Casassola? Das reações histéricas de Tati Bione, pro bem ou pro mal? Da beleza brejeira e sensual da piauiense Gisele, que era a cara da Ju Paes ou da sardenta Talita Lippi (filha da atriz Nádia Lippi, capa da Playboy e mocinha do filme dos Trapalhões nos anos 80), que depois ganhou uma pontinha como atriz em Caminho da Índias e três anos mais tarde um personagem fixo no remake de Guerra dos Sexos

O programa, que foi ao ar entre 8 de janeiro e 25 de março de 2008, era um samba do crioulo doido e, por isso mesmo, bom pra caramba. Minha torcida era pra Gisele, gostosa que fazia a linha moça de família tímida e difícil, mas que acabou se interessando pelo médico Marcelo, gay assumido, porém confuso, que diante da moça se dizia bissexual. Acabaram ficando apenas bons amigos, mas Gi logo ficou a fim do "emo" Rafinha, músico tatuado com cara de adolescente, que ficou meio em cima do muro o programa inteiro, mas numa final com Gisele cajuína, como a chamava Bial, levou a melhor e foi o vencedor da oitava edição.

BBB 9

O BBB 9, exibido de 13 de janeiro a 7 de abril de 2009, também teve um elenco bacana e uma dinâmica diferente dos programas anteriores. Pela primeira vez foi instalada num shopping uma casa de vidro com 4 candidatos, de onde apenas 2 entrariam na mansão do Projac. De lá saíram o bonitão tapado Emanuel e a cantora loiraça Josiane.

Na primeira semana a casa foi dividida por um muro: de um lado os mais abastados com comida boa e conforto, do outro os mais pobrinhos com comida regrada e nada de conforto, tudo pra causar conflito logo de cara. Também na primeira semana tivemos uma baita polêmica envolvendo a vovó Naiá/Naná (participante mais velha de todos os BBBs, com 61 anos, juntamente com Norberto/Nonô, de 63) e Leonardo Jancu, que é judeu. Parece que a velha fez um comentário xenófobo sobre a origem do rapaz e o tal comentário deu pano pra manga. No mais, achava vovó Naná muito legal, tranquila, gente boa e divertida, também muito paciente, pois conseguiu aguentar a chata e mimada Ana Carolina quase que o programa inteiro com sua carência absurda que, não à toa, foi bombardeada em inúmeros paredões, dos quais voltou muitas vezes: o povo não gosta de complôs e Ana Carolina era chata, mas jogava praticamente sozinha, sem fazer panelas nem prejudicar ninguém.

Outra surpresa nesta edição foi o quarto branco, uma prova de pressão psicológica que acabou limando Léo; e a casa de vidro que foi reinstalada no meio do jardim da mansão com dois novos participantes, André e Maíra, que entraram na casa na quinta semana de jogo. André causou tão logo começou a conviver com os brothers, foi agressivo, grosso e não demorou muito saiu com um quente e dois fervendo (fora da casa fez filme pornô e depois foi assassinado, alguém lembra?). Maíra fez um jogo mais bonito, foi honesta, simpática, provocou inveja nas outras sisters, mas teve uma trajetória bacana (fora da casa ficou famosa por um vídeo safadinho que circulou pelas nets da vida).

Tivemos ainda nessa edição a Priscila, um belo espécime de piriguete, o arrogante Newton/Ton, dispensado pela sedutora Josiane, a enjoada Francine, o boa-praça Flávio e o vencedor Max, grande estrategista, que levou o jogo com muita categoria e mereceu ganhar o prêmio.    

BBB 11

O Big Brother Brasil 11 foi a edição mais divertida de todas. Depois do 10, eu tinha prometido pra mim mesmo que não assistiria mais BBB, mas não resisti a uma primeira espiadinha e, diante de tão diversificada fauna, acabei acompanhando tudo.

Tínhamos os saradões e as gostosas de sempre, mas também tinha a gordinha bi; a chef de cozinha lésbica; a policial curiosa; o baiano e o pernambucano gays; a trans que ninguém imaginou que fosse, a não ser as gays, claro; e um triângulo amoroso bafônico. Maria era a gostosa burrinha, que se envolvia com o sarado feioso Maurício/Mau-Mau. Aí ele foi eliminado e ela sofreu horrores, apesar de, às vezes, ele ser bem grosso com ela. Dias se passaram e a casa recebeu dois novos integrantes, o médico Wesley e a miss Adriana. Maria estava carente, vulnerável e o belo e dedicado médico todo disposto a consolá-la. Maria resistiu o quanto pôde, mas diante dos incentivos dos colegas e do furor uterino, ela cedeu e o romance entre os dois foi bem mais gostoso de acompanhar que o anterior, mas segundo uma manobra do destino (leia-se Boninho) eis que Mau-Mau volta ao jogo, deixando Maria na maior saia-justa da história do BBB. Com esse enredo amoroso, Maria fica dividida e o jogo esquenta, mas está claro pro público que Mau-Mau é um ogro e Wesley, um príncipe.

Paralelo a isso acompanhamos os deliciosos papos-cabeça e ousados da linda e sofisticada Diana; os divertidos tricôs entre Lucivan e Daniel; o mistério de Ariadna; os engraçadíssimos papos entre Daniel e Maria; o romance de Tallulah e Rodrigão; o narcisismo patético de Rodrigo; a carência de Dani, sempre atracado com um coqueiro após uma bebedeira, bem como suas pérolas e as festas sempre regadas à muita putaria.

A final desta edição foi inédita: pela primeira vez uma mulher bonita, com potencial pra capa de Playboy, ganhou a competição e levou o prêmio de 1,5 milhão de reais, desbancando Wesley e Daniel. O Boninho, digo o público escolheu e Maria encheu o cofrinho, também posando nua, meses depois de sair do confinamento.
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Fecho por aqui, mas pergunto: e você, concorda com essa lista? Ama, odeia ou é indiferente ao BBB?

Fiquem de olho, em breve volto com a lista das 5 piores edições. Aguardem!
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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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1 comentários:

Anônimo disse...

os melhores (sem estar na ordem)

bbb1
bbb4
bbb5
bbb7
bbb10

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