4 de fev de 2014

Primeiras Impressões: Em Família




Uma novela de Manoel Carlos no horário nobre é sempre um clássico. E ontem entrou em cena o primeiro capítulo, do que parece ser mais um grande clássico desse mestre da tele-dramaturgia brasileira. Em Família é a nova novela das nove da Rede Globo de Televisão, vendida como a última novela do já idoso autor. 

Maneco, com sua indefectível Helena, suas trilhas bossa-novistas e mpbísticas e seu onipresente bairro do Leblon, enche muitos de expectativas em sua última incursão no horário nobre, com seus dramas amorosos, familiares e sociais, sempre tão bem conduzidos por sua mente experiente e cheia de delicadezas. Há quem não goste e torça o nariz para a narrativa morosa e extremamente detalhada do autor, mas com seu estilo sofisticado e naturalista, acompanhado de grandiosos diálogos, sempre com campanhas sociais eficientes e uma sensibilidade aguçadíssima, ele consegue arrebatar uma multidão de fãs apaixonados por seu tão peculiar estilo. E vamos combinar que depois de uma novela de roteiro sofrível, com diálogos paupérrimos e quase idiotizantes como Amor à Vida, ter Maneco e seu texto caprichado ocupando a faixa é um verdadeiro refrigério.

No capítulo de estreia acompanhou-se o que Maneco faz de melhor. Com a direção eficiente e agradável de Jayme Monjardim, começamos a ver a saga de Helena desde bem jovem. Num cenário bucólico e cercado de belezas naturais, no interior de Goiás, Helena (Júlia Dalavia), então com seus 12 anos, inicia um namorico com o possessivo primo Laerte (Eike Duarte). Os dois fazem juras de amor eterno e até um pacto de sangue. O grupo infanto-juvenil é composto por Helena; Laerte; Virgílio (Arthur Aguiar / o melhor amigo de Laerte e secretamente apaixonado por Helena); Shirley (Giovanna Rispoli / a demônia da vez, falsa amiga de Helena, mimada e invejosa); Felipe (Vinni Mazzola) e Clara (Luana Marquezine), irmãos de Helena. Sempre juntos, eles curtem a natureza do lugar, andando de jipe e tomando banhos de cachoeira; é num desses banhos que acontece uma cena emblemática: sozinha no rio, Helena começa a se afogar e, ao pedir ajuda a Shirley, a menina finge buscar socorro chamando os garotos que se embrenharam no mato, mas fica de longe vendo a "amiga" gritando por socorro até ser tirada da água pelos demais que escutam seus gritos. Por esta cena já temos uma noção do que será a vilã da vez, vivida pela sensacional Vivianne Pamanter na fase adulta. Ainda nesta primeira fase vemos uma procissão tomar conta das ruas da pequena cidade de Esperança, cena que me remeteu à Felicidade, primeira novela de Manoel Carlos que assisti e que foi ao ar em 1991, às 18 horas, também a única dele que me lembro de ter tido grande parte de sua história ambientada no interior de um estado fora do Rio de Janeiro, neste caso Minas Gerais, na fictícia Vila Feliz.


Helena e Laerte se amam, mas vivem às turras, sempre brigando feito cão e gato por causa do ciúme exacerbado do rapaz. Então, logo após Laerte presentear seu amor com uma medalha da Fênix (o pássaro mitológico) e discutir com Helena momentos depois por mais uma cena de ciúme, temos a clássica cena do mergulho (dessa vez em uma piscina) que serve pra marcar uma passagem de tempo. Aí vemos a linda Bruna Marquezine (Helena) emergindo para a segunda fase junto com Guilherme Leicam (Laerte).

Nesta segunda fase Laerte parece estar mais possessivo do que antes e Helena mais abusada e provocativa. Sabendo o gênio do namorado/primo, ela também não alivia, adora cutucar a onça com vara curta. Os dois já estão noivos e praticamente de casamento marcado, mas depois de ficar nua sem querer na frente do marido de sua tia e explanar o acontecido pra toda a família, inclusive diante de Laerte, em tom descontraído, eles tem mais uma briga feia onde Helena ameaça terminar tudo.

O capítulo se encerra com uma mini-história bem bonitinha e emocionante intitulada "Momentos Em Família", o que parece que vai acontecer no encerramento de todos os capítulos. Ideia diferente, se comparada com às duas últimas novelas de Maneco, Páginas da Vida e Viver a Vida, que encerravam os capítulos com depoimentos de pessoas anônimas contando sobre algum drama pessoal e sua superação, mas com a marca indelével de seu autor.

A abertura também me pareceu pouca coisa diferente das anteriores, mas bonita, embora simples, onde uma árvore com fotografias penduradas dos personagens vão se desprendendo ao vento como folhas. Uma clara representação da genealogia familiar, ao som da clássica e sempre bela Eu Sei Que Vou Te Amar, na voz de Ana Carolina.


Perceberam como a palavra clássico(a) foi citada diversas vezes nesse texto? É porque o bom e velho Manoel Carlos não abre mão dos saborosos ingredientes com que tão bem ele prepara suas receitas de sucesso, e já que essa é a sua declarada última novela, melhor não mexer em time que por tantas vezes ganhou soberanamente. 

E, convenhamos, depois de tantas inovações nas novelas do horário, como o uso de película de cinema, ritmo de seriado e uma agilidade alucinante já estávamos com saudade de um novelão clássico. Que Em Família nos conquiste e nos acompanhe durante os próximos meses, com o bom gosto que nos prometeu em seu primeiro capítulo.   
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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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