28 de fev de 2014

Robocop, de José Padilha





Uma das grandes dificuldades de fazer um remake (refilmagem) é a comparação que o novo filme inevitavelmente terá com seu antecessor. Deste modo, quando foi anunciando que teríamos um remake de Robocop, fui um dos primeiros a detestar a ideia. 

Robocop é um clássico de minha geração, que arrebatou diversos fãs em seus tempos áureos, sendo lançado no já distante ano de 1987. Mesmo trabalhando com um orçamento curto, os produtores e o diretor Paul Verhoeven souberam explorar de forma inteligente o roteiro, e fizeram um filme ousado e inovador, com ampla crítica social, capitalismo exacerbado e a influência do poder político e judiciário. Tudo isso em meio a todo caos das ruas de uma Detroit futurista.

Não preciso nem deixar claro sobre como o desafio do diretor brasileiro José Padilha era enorme. Afinal, como fazer um filme novo sem perder as raízes do original, ao mesmo tempo em que se evitava uma cópia fiel, pois a mesma seria desnecessária?

A base da historia é a mesma do filme original: Alex Murphy (Kinnaman), um policial íntegro e corajoso, é gravemente ferido por bandidos impiedosos e é transformado pela empresa Omnicorp em um híbrido de máquina e tecido biológico a fim de dar origem a um inédito e eficiente oficial da Lei. 

É a partir desse ponto, entretanto, que temos uma diferença entre os filmes: o diretor José Padilha não aborta somente o personagem principal. Diferentemente da obra original, a família de Alex Murphy se faz presente na trama, sendo parte fundamental de toda a estrutura do filme, que nos apresenta um lado bem mais humano que no filme de 1987.

É louvável a forma como Padilha conduziu este trabalho, criando uma narrativa sóbria, mas chocante, a ponto de nunca parar; parece que algo de importante está sempre acontecendo na tela. Mesmo num filme de estúdio, na sombra do PG-13, o diretor conseguiu introduzir seu habitual estilo documental, com câmeras nervosas recheadas de planos detalhes, acompanhando de perto as cenas ilustradas.  

O elenco do filme atual é sem dúvidas superior ao original. Michael Keaton dá vida a Raymod Sellars, uma espécie de Steve Jobs dos robôs, presidente da Omnicorp, empresa que cria o Robocop. Gary Oldman vive Dr. Dennett Norton, médico cirurgião e especialista em robótica como substituição de membros e órgãos. Temos também Samuel L. Jackson, em destaque no papel de Pat Novak, um apresentador que lembra Marcelo Resende e companhia, por sua constante luta pela barbárie e dos discursos travestidos em apoio à violência radical.

Por fim, o filme não supera a obra original de 1987, entretanto não é um fiasco como muitos remakes que vemos hoje em dia. Fora que temos de aplaudir José Padilha, por ter culhões de, eu seu primeiro filme em Hollywood, fazer um bom filme, totalmente dentro de seu estilo.
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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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1 comentários:

Vando de Brito disse...

Olá amigo, venho convida-ló a conhecer o mais novo
sucesso dos agregadores de 2014,
o Junto e Misturado http://www.juntoemisturado.com.br/

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