11 de fev de 2014

Trapaça, de David O. Russell





Eventualmente, um nome surge e se firma em uma determinada posição, alcançando reconhecimento e sucesso. No cinema americano atual, ninguém exemplifica melhor um caso desse tipo do que David O. Russel, que nos últimos anos foi lançado ao grande time de diretores americanos, conseguindo sucesso de público e crítica, tendo seus filmes, inclusive, indicados consecutivamente a Oscars. Em Trapaça (American Hustle, no original), David O. Russel homenageia Martin Scorsese e, de quebra, ainda concorre com o mestre (que tem O Lobo de Wall Street atualmente também em cartaz) à diversos prêmios da Academia no Oscar desse ano. Não dá pra negar: David O. Russel chegou lá!

Contando a história de Irving Rosenfeld e de Sidney Prosser, Trapaça acompanha a escalada de dois vigaristas que, presos por um golpe de pirâmide, se vêem obrigados a ajudar um agente do FBI, Richie DiMaso, se infiltrando no perigoso mundo da máfia e da corrupção política. Com um engenhoso plano em ação, tudo é colocado à perder quando Rosalyn, a impetuosa esposa de Irving, se coloca na história.


Com um elenco de peso, em que praticamente todos os atores estão confortáveis em seus papéis, David O. Russel teve a oportunidade de exercitar o que mais gosta como diretor: trabalhar seus personagens, tornando-os quase reais. Apesar de livremente baseado em um caso real, acontecido nos final dos anos 70, cada personagem foi esculpido por Russel para o ator que o interpretaria. Russel é, inclusive, conhecido por ter um método de trabalho peculiar, que leva os atores ao seu limite mas que, quase sempre, arranca resultados excepcionais. Vide, por exemplo, as indicações a Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper e Jennifer Lawrence para o Oscar 2014, respectivamente nas categorias de Melhor Ator, Atriz, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante.

E é impossível falar de Trapaça sem falar no trabalho de construção de personagens desenvolvido por seus intérpretes. Christian Bale está irreconhecível como seu Irving, para o qual ganhou 18 kilos e, devido à postura do personagem, desenvolveu duas hérnias de disco. Amy Adams, vivendo Sidney, está no auge da beleza, em sua melhor interpretação até o momento. Já Bradley Cooper e Jennifer Lawrence dispensam comentários: novamente trabalhando com Russell (com quem fizeram O Lado Bom da Vida, no ano passado), entregam interpretações consistentes e brilhantes. Isso sem contar os nomes de Robert De Niro e Jeremy Renner, em participações luxuosas e impactantes na história.


Claramente inspirado no trabalho de Martin Scorsese, Trapaça é um filme em que ninguém é totalmente bonzinho ou inocente e onde você se pega prestando atenção na próxima virada do roteiro. Com um elenco grandioso (e luxuoso), o filme se firma muito por sua trilha sonora, calcada no rock, além de contar com uma narração ora de um ora de outro dos personagens principais, que nos leva a mergulhar de vez naquela trama.

Um pouquinho longo demais (acredito que com 1h40min dava para se contar a mesma história de maneira um pouco mais compacta e menos cansativa), Trapaça é um excelente filme, daqueles que dá prazer de ver como bons atores podem render quando aproveitados por um diretor que sabe para onde levar a sua história. 

Mais do que isso, Trapaça é um filme obrigatório para os fãs do bom cinema, que se calca no "antigo" e que tem o frescor de uma nova obra e de um novo diretor cheio de possibilidades e com um caminho ainda mais promissor à sua frente.
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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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