10 de mar de 2014

Elvis & Madona [Uma Novela Lilás], de Luiz Biajoni




Acompanho Luiz Biajoni há muito tempo. Lembro-me que um dia, não me lembro bem vindo de quem, recebi por email um arquivo em .pdf com um livro e uma frase de um amigo: “Leia, acho que você vai se divertir.”. Foi assim que conheci e li Sexo Anal – Uma Novela Marrom, em algumas horas, na tela do meu computador, durante o horário de trabalho. Fail, eu sei, mas eu simplesmente não conseguia largar aquela história, aqueles personagens. Tempos depois, comprei o livro e aproveitei para adquirir outros dois, do mesmo autor: Buceta – Uma Novela Cor de Rosa, que era uma espécie de ‘continuação’ de Sexo Anal; e Virgínia Berlim – Uma Experiência. Claro que nesse meio tempo acabei virando meio que fã do autor, lendo seu blog, acompanhando seus tuites e me divertindo sempre, com seu jeito de contar histórias. Uma forma meio crua, direta, sem tintas coloridas, mas com muito bom humor. 

Assim, foi com interesse que descobri que Biajoni havia lançado um outro romance, esse Elvis & Madona [Uma Novela Lilás]. Para minha surpresa, soube que o livro foi inspirado em um filme, de mesmo nome, do diretor Marcelo Laffitte, estrelado por Simone Spoladore e Igor Cotrim, que, apesar de ligeiramente diferente do livro, consegue ser tão bom quanto essa obra que é deliciosa e, assim como os demais livros do Biajoni, você não consegue largar até chegar nas páginas finais. 

Em Elvis & Madona, Biajoni larga as cidades do interior e nos leva até o Rio de Janeiro, mais precisamente a Copacabana. A princesinha do mar, cantada e recantada por poetas e cantores é apresentada de forma decadente, suja e caótica, mas nem por isso menos fascinante (como ela, por vezes, realmente é! – palavra de alguém que conhece bem o bairro). E é em Copa que somos apresentados a Madona, um travesti que sonha em montar o show de sua vida, trabalha como cabeleireira num salão e que tem um dedo podre para homens; e a Elvis, uma jovem pequenina de olhos profundos e azuis, lésbica, que deixou o interior de Minas Gerais para tentar se enquadrar num lugar que realmente a entendesse. É o improvável romance desses dois personagens e tudo que acontece que eles que acompanhamos nessa Novela Lilás

Os personagens de Biajoni são por vezes reais, daqueles que você se identifica e pode visualizar andando pelas ruas (ou calçadões). Sem fazer juízo de valor daqueles seres, Biajoni nos leva a acompanhar suas vidas, ora fascinantes, ora medíocres, e nos faz mergulhar naquele universo. Assim, os palavrões soam naturais, a linguagem, que pode ser considerada chula por muitos, é facilmente assimilada e aquelas atitudes, muitas vezes surreais, são facilmente aceitas por nós. Biajoni é esse mago das palavras, que com seu texto fluído nos faz acreditar e ansiar pelas próximas páginas, por um desfecho. 

Mais do que isso, Biajoni nos faz querer saber mais sobre os personagens que são apenas citados na história e são apenas coadjuvantes. De onde vem, o que fazem, como chegaram até ali, o que o futuro lhes reserva? Ouso comparar Biajoni com Nelson Rodrigues e faço isso sem medo de caras feias e protestos: eu gosto dele e já o considero um gênio literário moderno. 

Dessa forma, não se assuste com os outros títulos de Biajoni e os devore. Aliás, acho até mesmo que esse Elvis & Madona [Uma Novela Lilás] é, se você ainda não conhece a obra do autor, um bom primeiro livro para ser apreciado. Aqui você poderá se acostumar com o universo que o autor cria, sem ter vergonha do nome do livro que poderia chocar os mais pudicos. Mas, deixe a hipocrisia de lado e embarque no mundo do autor. Ele, pelo menos, não tem vergonha de esfregar na nossa cara, aquilo que muitas vezes fingimos não ver. Por isso, Elvis & Madona é, assim como seus demais livros, um novo clássico de um novo grande autor. Leia e se delicie! 

Autor: Luiz Biajoni
Páginas: 216

(Originalmente publicado em 21/11/2010)
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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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