25 de mar de 2014

Fora de mim, de Martha Medeiros



Nos últimos anos, Martha Medeiros se tornou um nome de peso no Brasil. Com inúmeras obras literárias de sucesso em seu currículo, a escritora se consagrou com Divã, que posteriormente foi adaptada para o teatro, telas de cinema e série de TV, e eternizada pela personagem Mercedes, interpretada por Lilia Cabral.

Nas últimas semanas, entre tantas opções na estante, acabei apostando em Fora de Mim, e, apesar de não ter conferido outras obras da escritora, o livro me convenceu a procurar e saber mais sobre o trabalho impecável da brasileira.

Com um enredo um tanto chocante, Fora de Mim é a narrativa em primeira pessoa de uma personagem emocionalmente ferida, que expõe com toda delicadeza e detalhes seu sofrimento diante do término de um relacionamento intenso, porém, conturbado.

Após sair tranquilamente de um casamento duradouro, mas sem nenhuma paixão, a personagem principal (que assim como os demais personagens, não é apresentada formalmente) é uma mulher de meia-idade e já experiente, que embarca numa aventura amorosa, sabendo, desde o início, os riscos que estava correndo quando se envolveu com um desconhecido apenas um dia após o seu divórcio. A relação, que dava todos os sinais de que não daria certo, teve seu desfecho esperado: o término.

Como lidar com o fim de algo que, lá no fundo, já sabíamos que ia acabar? E pior, quando o envolvimento é intenso e único, a ponto de nos dilacerar por dentro e fazer com que percamos a vontade de viver? 

Durante todas as passagens do livro é possível se identificar com a dor descrita pela personagem, que de tão comum chega a ser poética. Quantas vezes já não sentimos os mesmos sintomas sofridos pela mulher desiludida? A tristeza,  a desistência, a falta de vontade de sair da cama, tomar um banho e retomar as rédeas da própria vida. 

Depois da fase de auto destruição, chega o momento de tentar superar e finalmente reconhecer que a vida precisa seguir em frente, com ou sem aquela pessoa responsável por tanta dor, mas que poderia facilmente reverter toda uma situação apenas com uma ligação ou mensagem de texto. Nos expomos ao ridículo, buscamos a cura na ressaca e nas bocas e camas de "outros alguéns", até embarcar na penúltima fase, que consiste em realmente aceitar o fim e conviver com ele, se abrindo para, quem sabe, outros relacionamentos. Mas, sempre com um pé atrás e ouvidos atentos.

A personagem finalmente nos leva à última fase, que não chega a ser em si uma superação propriamente dita, mas que consiste em um estado de conformismo, onde nos vemos aptos a realmente nos envolver emocionalmente com outras pessoas e, quem sabe, reconstruir planos e dar uma nova chance à felicidade. Dar uma nova cor ao que, anteriormente, parecia tão desbotado. Os dias passam a ser ensolarados, o sorriso volta a fazer parte do cotidiano e alguém nos devolve a empolgação e as oportunidades. Entretanto, mesmo estando em seu último estágio de sofrimento, os dias interiores da personagem ainda são nublados, as memórias, agora mais distantes, ainda incomodam mas, ao contrário de um tempo atrás, se tornou imune a dor e capaz de recomeçar, talvez não por completo, mas o suficiente para reavaliar sua vida e trombar com a felicidade.

Apesar de todo o drama, o livro não é cansativo, tampouco chato. E, apesar de ser destinado às mulheres, o mesmo também pode ser saboreado pelo público masculino. E, já aviso, sua forma exuberante de escrever chama a atenção e provoca um certo vício por esse estilo raro adotado por Martha Medeiros. 

Autora: Martha Medeiros
Páginas: 136
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Ariadny Theodoro  
Ariadny Theodoro,incansavelmente bipolar e a primeira mulher da trupe do PdB. Apaixonada por literatura, séries de televisão, teatro e fotografia digital, escreve por necessidade de manifestar suas diversas paixões, nem sempre compreendidas pelos demais. Escreve sobre tudo - o bom e o ruim! Afinal, alguém tem de ter a difícil tarefa de alertar ao mundo que nem tudo é sempre bom!
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