18 de abr de 2014

#BaúPop: O Show de Truman




O Show de Truman (The Truman Show, no original) chegou às telas em 1998 e trouxe uma bela crítica à sociedade capitalista, com atuações precisas e uma direção magnífica.

Apresentando Jim Carrey como Truman Burbank (um dos personagens mais importantes da carreira do ator), o filme é uma crítica ácida à grande mídia e ao sistema capitalista, que se serve da indústria cultural para propagar os valores (em sentido ampliado) que o sustenta. Truman seria um homem comum, não fosse o fato de ele ser o astro de um programa de televisão, o Truman Show, transmitido vinte e quatro horas por dia. Vendido por sua família ao nascer a um produtor de televisão (Christof, vivido por Ed Harris), o protagonista foi encerrado nos limites de uma cidade cenográfica onde passou a viver. Todos que o rodeiam são atores: seus companheiros de trabalho, amigos e até a esposa, nada é verdadeiro. 

Cada ação que envolve sua vida é prevista e ensaiada; cada fato é manipulado pelo todo poderoso Christof, que filma e divulga as imagens da intimidade de seu personagem real por aparelhos de TV, enquanto Truman nada percebe. Vivendo sua existência com rede de proteção, Truman, aos poucos, nota que há algo de estranho. Incoerências sutis, constâncias suspeitas, falta de espontaneidade, fatos insólitos, pequenos descuidos dos figurantes e mesmo a falta de habilidade da esposa/atriz (Meryl Burbank, Laura Linney) denunciam a irrealidade.


Truman percebe que está preso em uma “bolha” e tenta dela escapar de todas as maneiras, mas sempre volta a ser nela lançado. Todo o seu drama é televisionado e seguido por um público ávido, que reage a ele como a um personagem fictício, não diferenciando realidade de ilusão. 

O diretor Peter Weir, um dos grandes nomes do cinema contemporâneo, é o responsável por pérolas como o inesquecível Sociedade dos Poetas Mortos, o contundente A Testemunha, e o drama de guerra Gallipoli, entre outros. Em O Show de Truman, Weir mantém algumas características dos seus filmes anteriores, mas assume um tom sarcástico ao retratar a profundidade do aprisionamento dos homens ao sistema que os cega e os atrela à condição de pouco mais do que autômatos.


O Show de Truman nos mostra o quanto o sistema capitalista se serve dos meios de comunicação, no caso da televisão, e o quanto esta molda a sociedade em benefício do próprio sistema, transformando as pessoas em seres passivos, sem senso crítico, distanciadas de sólidos princípios éticos e morais e, acima de tudo, cegas à ação do que as condiciona. 

Ressalto a bela atuação de Jim Carrey, que aqui mostra muito mais do que sua faceta humorística, e faz um trabalho realmente louvável.

Vale a pena ver e rever este belíssimo filme, lembrando-nos das palavras ditas pelo próprio Truman: "se não nos vermos, bom dia, boa tarde e boa noite".

Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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1 comentários:

CriaGyn disse...

Esse Filme é maravilhoso. Uma injustiça o Jim Carrey não ganhar o Oscar de melhor ator.

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