23 de abr de 2014

Divergente, de Neil Burger



Virou clichê: entra ano e sai ano e sempre temos uma saga ou trilogia diferente para encantar o público, seja pela escolha do elenco, pela história ou até mesmo por motivos desconhecidos. Cada vez mais o mundo da literatura tem invadido as telonas do cinema e, ao contrário do que anteriormente acontecia, quando as adaptações eram produzidas sem os devidos cuidados, hoje é possível notar uma diferença significativa na construção dessas adaptações, que tem recebido maiores investimentos e divulgação.

Assim como escrevi na resenha da obra original de Veronica Roth, não perdi tempo e, no segundo dia de exibição do filme, arrisquei a única opção (que era uma sessão dublada) e me aventurei na comovente história de Beatrice e as cinco facções de um novo mundo em busca da paz.

Os pseudo-cults de plantão já classificaram o filme como modinha, apenas pela sua evidência no mercado cinematográfico. Mas, assim como a prestigiada trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, Divergente é um filme que atinge crianças, adolescentes, adultos e idosos e envolve o público que se familiariza com a situação das personagens e acaba se identificando com o comportamento e características predominantes nas facções.


Amizade, Erudição, Abnegação, Audácia e Franqueza. Um desses grupos representa o destino dos jovens de uma realidade distópica, após passarem por um teste de aptidão. Mas, como sempre existe uma exceção à regra, Beatrice, integrante da Abnegação, é uma divergente e não pode ser controlada.

Após mudar toda sua vida ao escolher a Audácia como sua nova facção e lar, Beatrice, que assume uma nova identidade e passa a ser chamada de Tris, tem um choque de realidade e, apenas em algumas semanas descobre segredos e desenvolve habilidades que não sabia possuir. O envolvimento com Quatro, seu treinador, apimenta o filme e trás um pouco do romance obrigatório de Hollywood. Mas faz isso em doses controladas, a ponto de não enjoar o telespectador como a fórmula Bella e Edward. A partir daí, uma história política se desenrola e, aos poucos, notamos semelhanças com o contexto social ao qual estamos acostumados.


A fidelidade ao livro é só um dos pontos positivos do longa que, além de contar como uma bela fotografia e efeitos especiais espetaculares, nos apresenta a atuação sempre impecável de Kate Winslet, que interpreta a vilã Jeanine, líder da Erudição e responsável pelo caos instaurado na ficção. Além disso, Shailene Woodley, que interpreta a protagonista, supera as expectativas ao dar vida a mesma personagem descrita no livros.

Apesar de ser assumidamente pop, Divergente é uma ótima opção pra quem procura uma história envolvente e capaz de deixar o telespectador entretido durante duas horas e vinte minutos. A trilha sonora, entretanto, apesar de trazer Ellie Goulding, é cansativa e não convence. 

Insurgente, sequência do longa, tem previsão de chegada aos cinemas a partir de 2015, mas ainda sem uma data definida anunciada.


Ariadny Theodoro  
Ariadny Theodoro,incansavelmente bipolar e a primeira mulher da trupe do PdB. Apaixonada por literatura, séries de televisão, teatro e fotografia digital, escreve por necessidade de manifestar suas diversas paixões, nem sempre compreendidas pelos demais. Escreve sobre tudo - o bom e o ruim! Afinal, alguém tem de ter a difícil tarefa de alertar ao mundo que nem tudo é sempre bom!
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