10 de abr de 2014

Flores Raras, de Bruno Barreto



Apesar do atraso em conferir Flores Raras, que ficou pouquíssimo tempo em cartaz em um número limitado de salas, finalmente assisti ao penúltimo trabalho do diretor brasileiro Bruno Barreto, que dá de dez a zero no seu último longa, o tenebroso Crô - O Filme.

Lançado no segundo semestre do ano passado e baseado no livro Flores Raras e Banalíssimas, de Carmem Lúcia de Oliveira, o filme conta a história real do relacionamento entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares e a poetisa americana Elizabeth Bishop que, cansada dos Estados dos Unidos, resolve visitar o Rio de Janeiro e passar uns dias na casa da amiga Mary, que é parceira de Lota. A partir daí, surge uma história de traição, amor e tolerância, que ainda deixa espaço para vislumbrar do cenário político brasileiro da época e analisar, sem exageros, a vida dos homossexuais nas décadas de 50 e 60.


Surpreendente e ousado, o filme brasileiro arrisca ao quebrar os tabus e mostrar tão de perto uma relação homossexual entre duas mulheres, sem se apoiar em estereótipos e linguagens fulas. Elizabeth é chata, timída e não acredita em si mesma; ao contrário de Lota, que é segura, decidida e completamente apaixonada pelo  próprio trabalho. O envolvimento entre as duas é intenso, capaz de fazer com que a poetisa abandones seus conceitos e se transformasse em outra pessoa em nome do amor.

Delicado e sensível, o filme ainda ganha muitos pontos positivos não só com a atuação impecável de todo o elenco, como também nas passagens em que são necessárias o uso da língua inglesa. Gloria Pires, que além de dar um show de interpretação com a entrega formidável para sua personagem, também dá aulas de inglês nas cenas em que se faz necessário.

No meio da construção da relação linda entre Lota e Bishop, é possível observar também as mudanças na sociedade brasileira e a rotina carioca que sofre com os impactos causados pelo Golpe Militar de 64.


Mas não para por aí. Além de sermos inundados com uma belíssima história real perfeitamente dramatizada, temos o prazer de ouvir as poesias de uma das poetisas mais importantes da história dos Estados Unidos.

Flores Raras é um daqueles filmes nacionais que dá prazer em dizer que é nacional. A direção, fotografia, elenco e roteiro estão de parabéns e deveriam servir de inspiração para que se façam filmes desse nível, com qualidade inquestionável.
Curtiu o Pop de Botequim e quer colaborar com a gente? Se você gosta de cultura pop, aprecia escrever e quer ser lido, não perca tempo e mande já um email para cá! Vai ser um prazer ter você em nosso botequim! Entre em contato e saiba como participar através do nosso email: popdebotequim@gmail.com


Ariadny Theodoro  
Ariadny Theodoro,incansavelmente bipolar e a primeira mulher da trupe do PdB. Apaixonada por literatura, séries de televisão, teatro e fotografia digital, escreve por necessidade de manifestar suas diversas paixões, nem sempre compreendidas pelos demais. Escreve sobre tudo - o bom e o ruim! Afinal, alguém tem de ter a difícil tarefa de alertar ao mundo que nem tudo é sempre bom!
FacebookTwitter

8 comentários:

EVANDRO disse...

ENGRAÇADO QUE AMOR AGORA RETRATADO SÓ DE LÉSBICAS E GAYS.

Ariadny Theodoro disse...

Esse filme, antes de retratar uma história de duas mulheres homossexuais, conta uma belissima história amor assim como existem tantas outras entre heterossexuais. O amor é lindo e, quando é retratado com tamanha delicadeza como Bruno Barreto o fez, sexualidade é o último quesito que se põe na mesa.

Ariadny Theodoro disse...

Esse filme, antes de retratar uma história de duas mulheres homossexuais, conta uma belissima história amor assim como existem tantas outras entre heterossexuais. O amor é lindo e, quando é retratado com tamanha delicadeza como Bruno Barreto o fez, sexualidade é o último quesito que se põe na mesa.

Agda Ribeiro disse...

Vi o filme no cinema confesso que esperava bem menos... achei super interessante e não é um filme gay, é uma história de amor, entre duas mulheres, não levanta bandeira em momento algum, é tão suave que nem parece que até hoje a sociedade vê o s gays de forma negativa.

Achei muito legal o enredo do filme e a parte política, as diferenças de cultura explorada no filme também foram muito bem colocadas.

Cynara Benarrós disse...

"...A partir daí, surge uma história de traição, amor e tolerância..." e é uma "linda história de amor"... Nossa, como os conceitos da humanidade estão mudando!...

Ariadny Theodoro disse...

O amor surge das formas mais inusitadas, apesar de ter começado com uma traição, situação que pelo menos eu não considero nada legal, se torna um romance lindo, delicado e cheio de desafios. Se ainda não o viu, procure assistir o filme para entender melhor.

Ariadny Theodoro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ariadny Theodoro disse...

Sim Agda, é muito interessante como o contexto histórico da época influencia no relacionamento do casal e, ao mesmo tempo nos proporciona conhecimento sobre a sociedade dos anos 50 e 60.

Share