12 de abr de 2014

Glee - 05x15 - Bash





Esses dias li um comentário no Facebook de um conhecido que me deixou alarmado. Alguém com nível superior, acesso à informação e um comportamento totalmente retrógrado. O comentário dele se referia à uma cena da novela Em Família em que as personagens Clara e Marina quase se beijavam. Falava de tal absurdo e de como isso agredia aos valores da família tradicional como a dele, repetindo um discurso patético de como educar uma criança sendo obrigado a assistir aquilo em um canal de TV aberto. Afinal, comentei, ele era obrigado a manter a TV ligada e assistir aquilo que o obrigavam, não é mesmo?

Comento isso antes de começar esse post sobre Bash, 15º episódio da 5ª temporada de Glee, porque acho sintomático que atitudes como a do meu conhecido reverberem nas séries de televisão. Ok, ele em sua ignorância não agrediu fisicamente ninguém, mas quem garante que os homofóbicos que o fazem não começaram alimentando pensamentos idiotas como os dele?

No centro do episódio, de maneira bem trabalhada, a intolerância sem cabimento que acaba gerando violência contra homossexuais. Primeiro foi o vizinho de Kurt e Rachel que quase morreu agredido por homofóbicos de plantão. Depois o próprio Kurt que, indignado com uma agressão que presenciou, acabou machucado por dois homens ao defender o que apanhava, já que, provavelmente, não podem ver um gay e morrem de vontade de se relacionar entre si. Afinal, só isso para explicar esse tipo de comportamento.

Ainda que de forma leve (e um tanto quanto desnecessária), o episódio também falou sobre preconceito. Com a volta do relacionamento de Sam e Mercedes, o namoro interracial veio à tona e gerou uma discussão meio boba sobre se uma grande diva negra poderia namorar um homem branco, tocando no assunto do chamado racismo reverso, quando brancos sofrem preconceito de negros. Ou seja, um assunto sem nenhum cabimento já que, historicamente, até mesmo o conceito de racismo reverso é patético, convenhamos.

Já Rachel tomou outra de suas decisões precipitadas e incoerentes ao abandonar NYADA. Ao apresentar com Blaine um dueto em sua avaliação de inverno, tomou um grande esporro da Madame Carmem Tibideaux que, mesmo assim, deixou que ela tivesse uma nova chance de apresentar-se sozinha e ser avaliada. O que, claro, enervou Rachel que acabou deixando o curso que sempre desejou. Incoerências de Rachel, vemos desde a primeira temporada, não é mesmo?

Entretanto, o grande tema da noite foi a agressão sofrida por Kurt e pelos homossexuais em geral. Como, em pleno ano de 2014, as pessoas podem se incomodar em como os outros vivem suas vidas e sentirem-se pessoalmente agredidos por isso ao ponto de partir pra violência. Quando Glee resolve tocar em assuntos mais profundos e fazer isso com coerência, a série ganha e nós, telespectadores, somos beneficiados por termos a oportunidade de assistir e, até mesmo, elevar o discurso e fazemos auto-avaliações sobre nossos conceitos e comportamentos.

Com um episódio interessante e que enche os fãs de alguma mínima esperança, Glee parece no caminho para fechar seu quinto ano com alguma dignidade. É o que desejo e espero, sinceramente.
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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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