11 de abr de 2014

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro






Imagine ser adolescente. Adicione uma boa dose de superproteção dos pais e uma amiga que faz tudo por sua felicidade, sendo que ela é secretamente apaixonada por você. Coloque nessa mistura um garoto que te desperta novos e ótimos sentimentos. Você pode estar pensando "Nossa! É a história da minha vida!". Mas ainda existe um pequeno detalhe: você é cego desde que nasceu. 

Baseado no curta metragem Eu Não Quero Voltar Sozinho, dirigido também por Daniel Ribeiro, o longa Hoje Eu Quero Voltar Sozinho foi visto pela primeira vez no Festival de Berlim 2014 e ficou em segundo lugar na escolha do público do festival. Estreia da última quinta-feira (10/04) no Brasil, fica a dica: merece ser conferido.

O filme conta a história de Leonardo (Ghilherme Lobo), um adolescente cego que começa a sentir os efeitos dos hormônios dessa fase da vida. Esse momento faz ele querer sair de casa, devido a proteção excessiva dos pais e, o melhor, ele se apaixona pela primeira vez. O objeto dessa paixão se chama Gabriel (Fábio Audi), um novo colega de classe. Leonardo tem como melhor amiga Giovanna (Tess Amorim), que nutre um paixão secreta por ele. Leonardo fica mais próximo de Gabriel ao realizarem juntos um trabalho de classe. Que por sua vez desperta o ciúme em Giovanna e acaba por abalar a amizade entre eles. 


Daniel Ribeiro, o diretor, conduz o filme com uma leveza adorável e conta com bons atores em cena (a trinca de atores principais está muito bem, nos convencendo da veracidade de seus personagens). Além disso, trama também trata de assuntos interessantes e polêmicos, mas de forma leve: como o consumo de álcool, que aqui é visto de forma divertida e mostrado como uma experimentação normal na adolescência.

Outro ponto alto do filme é a naturalidade com que é tratada a homossexualidade, de maneira perfeita e orgânica à trama. Os personagens passam pelas sensações normais da idade, como o tesão e até o primeiro beijo, sem que exista um grande conflito sexual na mente do protagonista, já que ele nunca viu o corpo do ser humano, homem ou mulher. 

Essa é a mensagem que o diretor quer transmitir: que o amor e a paixão vão muito além da visão. O filme não procura fazer militância gay; ao invés disso, trata de forma plausível o amor entre iguais, contando com alguns momentos de humor (quase todos protagonizados pela personagem da Tess Amorim) .  

Ou seja, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é um leve, bem humorado, discreto e com cenas que irão fazer você suspirar, em situações que poderiam ser partes da sua própria vida. Mais do que recomendado!

Por Eduardo Silva
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