16 de mai de 2014

#BaúPop: Cantando Na Chuva




Sou apaixonado por filmes e, dias atrás, assisti a uma grande obra cinematográfica. Na atual era de filmes cheios de efeitos especiais e alguns roteiros medíocres e abusivos, foi muito bom ver algo do passado, uma verdadeira lição de atuação, direção e roteiro.

O filme a qual me refiro é o clássico Cantando Na Chuva (Singin' in the Rain, no original) de 1952, estrelado por Gene Kelly, Jean Hagen, Debbie Reynolds e Donald O'Connor. Um verdadeiro encanto, o filme conta com excelentes performances musicais e coreográficas, sendo um grande sucesso dos anos 50, lembrado até os dias atuais.

Sinopse: Ambientado em uma importante época do cinema, conhecemos a história de Don Lockwood, um famoso galã dos filmes mudos, e sua dificuldade na transição para os filmes falados. Don se apaixona por Kathy Selden (Debbie Reynolds), uma aspirante a atriz que lhe chama a atenção por não dar bola ao seu charme e questionar seu talento. Com a ajuda de Cosmo Brown (Donald O’Connor), amigo e funcionário do mesmo estúdio de Don, eles se aproximam e a amizade faiscada acaba em romance. Só que Lina Lamont (Jean Hagen), estrela dos filmes mudos apaixonada por Don, promete atrapalhar tudo quando percebe o interesse mútuo do casal, e usa a bela voz de Kathy para alavancar o seu sucesso durante essa transição, já que sua voz é uma verdadeira porcaria e não poderia ser aproveitada nos filmes falados. 


Muito mais do que uma história de amor regada a sorrisos e sapateados, Cantando na Chuva é um importante registro histórico dessa difícil transição que foi o cinema mudo ao falado, acontecida mais ou menos em 1927. A citação ao filme O Cantor de Jazz não é gratuita, uma vez que a história diz realmente ser ele o primeiro filme falado da história do cinema.

E a riqueza de informações que o roteiro insere à trama é absolutamente genial: temos o problema óbvio com as vozes de alguns atores, dificuldades com a localização de certos microfones para a captação das vozes, ruídos, referências à atores falidos após a transição, o abuso de atores desconhecidos para dublar famosos, a limitação dos atores em seguir um roteiro, a improvisação que funcionava em filmes mudos e que se tornou patética nos falados, etc. 

Há também um retrato sobre como o filme falado era visto na época. Atores que só faziam caretas, pois não tinham grandes falas a serem interpretadas; filmes falados eram vistos como brincadeira de mau gosto; todos achavam que as falas não eram sincronizadas mecanicamente com o filme, e sim que havia dubladores atrás das telas; enfim, um retrato altamente negativo que só foi mudado com o sucesso estrondoso e surpreendente de O Cantor de Jazz em suas primeiras semanas de exibição – e, mesmo assim, houve ainda quem achasse que aquilo era apenas modismo. 


Fora que vale a pena lembrar de algumas curiosidades genais sobre as histórias por trás de Cantando na Chuva, que foi escrito apenas após a escolha das canções que fariam parte do filme terem sido finalizadas: a chuva que aparece no filme enquanto Gene Kelly canta Singin' in the rain na verdade não é apenas água, mas sim uma mistura de água com leite; Gene Kelly estava com febre durante as filmagens da famosa cena em que canta o que é considerado hoje um dos maiores clássicos das músicas no cinema; o primeiro ator cogitado para o papel de Cosmo Brown foi Oscar Levant; algumas das roupas utilizadas em Cantando na Chuva foram utilizadas posteriormente em outro filme, Deep In My Heart, de 1954. 

Quem puder e quiser, Cantando na Chuva é uma obra a ser assistida e apreciada com muita atenção e carinho. E exatamente por isso ela faz parte do nosso #BaúPop!

Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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