20 de mai de 2014

#BaúPop: Rebecca, a Mulher Inesquecível



David O. Selznick era um super produtor. Afinal, foi ele o homem a levar ...E O Vento Levou às telas de todo mundo, recebendo aplausos unânimes de crítica e público. E, depois desse suceso, comprou para sua próxima produção os direitos de um outro romance de sucesso, Rebecca, escrito por Daphne Du Maurier, que foi publicado em 1938.

Como fã do trabalho de Alfred Hitchcock, Selznick logo pensou no nome do diretor inglês, que por sinal também queria adaptar Rebecca para o cinema. Nada poderia ser mais perfeito. Com dois nomes de peso por trás, seria quase impossível que algo desse errado. E, de fato, não deu mesmo.

Rebecca, a Mulher Inesquecível (Rebecca, no original) tornou-se assim um filme repleto de suspense do começo ao fim, lançado em 1940. O seu início perturbador já anunciava o que veríamos a seguir. O suspense psicólogico, que fez parte da carreira do diretor ao longo de tantos filmes, aqui também marca presença, com Hitchocok sabendo como ninguém provocar o espectador, fazer com que ele sentisse medo e sem apelar para recursos fáceis.


Mas vamos a história em si: jovem dama de companhia (Joan Fontaine) que trabalha para rica viúva está em Monte Carlo quando esta passa férias e conhece o misterioso milionário Maximilian "Maxim" de Winter (Laurence Olivier), que não se recuperara ainda da morte de sua esposa, Rebecca. Eles se encantam um pelo outro, casam-se e vão viver em Manderley, um palacete no campo. Lá a jovem conhece a governanta Sra. Danvers (Judith Anderson), uma mulher que nunca aceitou a morte de sua antiga patroa e mantem a casa como se ela ainda estivesse viva. 

Muitos fatos deixam o filme interessante até os dias de hoje, fazendo com que sobrevivesse ao tempo. Um deles seria a história sendo mostrada gradativamente. O público vai se afeiçoando à personagem de Joan Fontaine e tem compaixão de seu desespero. Ela se sente um peixe fora d'água naquela mansão, não sabe o que fazer em nenhum momento e todas as ações dos demais a sua volta parecem suspeitas. Obviamente, toda a verdade por trás do que se esconde em Manderley é revelada, mas até lá Hitchcock nos faz ficar grudados à tela, coisa que ele conseguia fazer muito bem.

Algumas curiosidades.
  • O romance de Daphne Du Maurier foi acusado de plágico pela escritora brasileira Carolina Nabuco. Ela havia escrito A Sucessora anos antes e o traduzira para o inglês, com intenção que ele fosse publicado no exterior. Anos depois surge Rebecca, contando a mesma história. Existem relatos de que Daphne Du Maurier lera A Sucessora
  • Outra curiosidade é que todo o sentimento de exclusão que Joan Fontaine sofre no filme foi realmente real. Laurence Olivier não gostou da escolha da então novata para co-estrelar o filme ao seu lado. Ela torcia para que sua esposa Vivien Leigh o fizesse e passou a ignorar Joan. Hitchcock percebeu que seria bom para a atuação da atriz e pediu que toda a equipe fizesse o mesmo. Outra coisa é que em momento algum o nome da personagem de Joan Fontaine é citado.
  • Rebecca, a Mulher Inesquecível foi indicado a onze Oscars e venceu dois: Melhor Filme e Melhor Fotografia em Preto e Branco.
Agora você já sabe: se ainda não conferiu esse clássico do nosso #BaúPop, corrija isso já e divirta-se!

Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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