13 de mai de 2014

#BaúPop: Um Clarão Nas Trevas



Em 1967, quando estrelou Um Clarão Nas Trevas, Audrey Hepburn já era uma estrela vencedora do Oscar, e imensamente querida pelo grande público. Entretanto, foi ao se entregar no papel de Susy Hendirx, que ela se reafirmou como uma grande atriz, bem diferente da que era conhecida até então.

Vivendo uma dona de casa recém-casada e sem glamour que perdera a visão recentemente, Audrey dava à personagem um charme que nenhuma outra atriz conseguiria. E, convenhamos, isso não deve ter sido nada fácil para ela, que era uma persona mítica que fizera tantos filmes importantes que já nasciam clássicos, despir-se de glamour e viver uma mulher comum. Entretanto, apegando-se às características de sua personagem, Audrey conseguiu a humanização suficiente que o filme pedia.

Em Um Clarão nas Trevas (Wait Until Dark, no original) Audrey é Susy Hendrix, uma mulher que vivia praticamente sozinha em um apartamento, desconfiando de tudo e todos e só podia contar consigo e, posteriormente, com uma menina que a detestava. Para piorar sua situação, ela estava sendo aterrorizada por bandidos que acreditavam que ela e seu marido escondiam em seu apartamento algo que os pertencia. Com tanto suspense, seria impossível não torcer por ela. 


A direção de Terence Young soube utilizar muito bem o teor claustrofóbico da situação, já que grande parte da ação se passa quase que inteiramente no apartamento do casal. Baseado em uma peça de teatro, Um Clarão nas Trevas foi produzido pela própria Audrey juntamente com seu marido, o também ator Mel Ferrer, um ano antes de se separarem, e logo depois de resolver deixar a carreira de lado para cuidar dos filhos por um tempo.

Um fato curioso nesse suspense psicológico é que mesmo sendo uma produção da própria Audrey, ela pensara no nome da amiga Julie Andrews para o papel principal. Outra coisa interessante é que Audrey também escolheu ela própria o figurino que usa no filme.

Nascida na Bélgica e filha de um banqueiro e uma baronesa, Audrey Hepbrun foi educada na Inglaterra. Desde cedo se apaixonou pelas artes, primeiro pela dança, mas foi como atriz que se tornou reconhecida perante o grande público nos anos 50. Na década seguinte soube impor-se ao star system vigente, dignificando sua carreira e a consolidando em papéis inesquecíveis como Bonequinha de Luxo, Quando Paris Alucina e Minha Bela Dama

Depois de Um Clarão nas Trevas, entretanto, Audrey fez apenas mais cinco filmes e se dedicou integralmente a causas humanitárias.

Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
FacebookTwitter
-->

1 comentários:

Alan Raspante disse...

Audrey, e o diretor Terrence, se reencontraram dez anos depois pra uma parceria. E foi assim que Audrey fez Bloodline: o pior filme de sua carreira. rs

Anyway...

Adorei o texto, Serginho! <3

Share