30 de mai de 2014

Eu, Mamãe e os Meninos, de Guillaume Gallienne




Existe uma certa semelhança entre a comédia brasileira Minha Mãe é Uma Peça - O Filme e o francês Eu, Mamãe e os Meninos (Les Garçons et Guillaume, à Table, no original). Ambos os longas tem protagonistas masculinos que se caracterizam de mulher e interpretam suas próprias mães. Enquanto nosso querido Paulo Gustavo, no primeiro filme citado, homenageia sua mãe da vida real, criando um alter-ego desbocado e engraçado de sua progenitora, o ator, roteirista e cineasta francês Guillaume Gallienne, em Eu, Mamãe e os Meninos dá vida à mãe de seu confuso personagem da ficção, o que significa que ele contracena consigo mesmo em dois papéis diferentes: o de filho e o de mãe.

Outra semelhança é o fato dos dois atores serem talentosos e engraçados. Mas enquanto PG faz de seu filme uma comédia histriônica, o de Gallienne tem um tom mais suave, sofisticado. Vendido como a melhor comédia francesa do ano Eu, Mamãe e os Meninos não faz só graça; eu o classificaria como uma "dramédia", pois no fundo o longa francês trás no cerne de sua questão uma importante e complexa reflexão.

No palco de um grande teatro, Guillaume (sim, o personagem tem o mesmo nome de seu intérprete) narra sua história desde a adolescência. Ele detalha o fascínio pela mãe e por todas as mulheres que o rodeiam: avó, tias, colegas. Sua identificação com elas é tão grande que ele acredita ser uma. Num primeiro momento pensamos se tratar de um personagem transgênero, enquanto os pais, irmãos e toda a família não tem dúvidas das tendências homossexuais de Guillaume, que demonstra escancaradamente uma feminilidade frágil e delicada.


Ingênuo e inocente, Guillaume se dá conta de que não é uma garota quando revela à sua mãe a paixonite que está sentindo por um colega de escola, e esta que já esperava a revelação cedo ou tarde, tentando agir naturalmente, diz ao filho que muitos gays como ele são felizes. Guillaume então cai em si, pois não se reconhecia como gay, mas como alguém do sexo feminino, o que até então lhe dava um ar meio abobalhado. A partir desse episódio, Guillaume começa uma nova jornada para iniciar-se sexualmente, e então surgem cenas hilárias ao mesmo tempo em que ele se consulta com inúmeros psicólogos/psiquiatras/psicanalistas em busca de sua própria aceitação como gay.

E então o filme caminha num ritmo onde acreditamos tratar-se de mais uma história sobre descoberta e aceitação da própria sexualidade, com momentos de risos discretos, gargalhadas e até lágrimas (eu chorei em uma das cenas ao som de Queen, confesso). E ele trata exatamente sobre isso, a descoberta e aceitação da própria sexualidade, mas com desfecho surpreendente e emocionante.

Eu, Mamãe e os Meninos é uma filme especial, que ainda está em cartaz, mas creio que não por muito tempo. Corra e delicie-se com essa saborosa experiência cinematográfica. Garanto que você não vai se arrepender!

Até a próxima! 

Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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