11 de mai de 2014

Getúlio, de João Jardim





O filme mais esperado para aqueles que debatem fervorosamente a política nacional, Getúlio, que narra os últimos 16 dias de vida do presidente Vargas, caracterizados por uma crise sem precedentes e controle, está atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros. O momento da exibição não podia ser mais oportuno: além de ano eleitoral, 2014 será marcado pela realização da Copa do Mundo no Brasil e o Maracanã, palco da grande final, foi construído em seu governo e a derrota para o Uruguai, no mesmo estádio, em 1950, deu início à derrocada do governo getulista. 

A abordagem principal de Getúlio, entretanto, é o embate histórico travado entre o jornalista Carlos Lacerda, protagonizado por Alexandre Borges e o então presidente Vargas, cuja atuação é do consagrado Tony Ramos. Ao invés de uma cinebiografia, o filme se propõe a acompanhar um reduzido período da vida de um dos mais controversos presidentes brasileiros.

Praticamente toda a trama se passa no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, residência e sede oficial do governo, onde o estadista suicidou. A história mostra uma vasta síntese antagônica: aplausos e vaias, pressão e liberdade, confiança e traição. Dois papéis de grande destaque são o de Alzira Vargas, filha do presidente, protagonizada por Drica Moraes e o de Gregório Fortunato, braço direito de Getúlio, interpretado por Thiago Justino. 


Por falar nelas, as atuações de destaque são as de Tony Ramos e Thiago Justino, seguidos por Drica Moraes e Alexandre Borges. O ex-presidente é aqui representado por Tony Ramaos de forma irrepreensível, expondo características bem particulares de Getúlio. Já Thiago Justino defende muito bem o seu Gregório, mostrando a fidelidade e, em certo momento, a deslealdade daquele que foi o chefe de sua guarda pessoal. Drica Moraes tem um papel de grande notoriedade e que chama a atenção do espectador, por seu comando na vida geral do Palácio. Alexandre Borges expõe de forma bastante eficiente um Lacerda polêmico. 

Dou minhas congratulações especiais ao diretor João Jardim, por evidenciar um Getúlio em suas relações familiares e um estrategista inteligentíssimo. Ficam de lado as questões políticas e realizações de seu governo, e se mostra o fato histórico em si, dissecado e pronto para ser avaliado. 


No fim das contas, Getúlio é um filme indicado para todas as ideologias políticas; passeia nos dois extremos da política brasileira da década de 50. Se Getúlio entrou na história com sua carta-testamento, sem sombra de dúvidas, o filme configura um capítulo importante do cinema nacional. Digo especificamente àqueles que não formaram opinião sobre o lendário atentado da Rua Toneleros ou que não se posicionaram nessa briga ideológica. 

E, aos espectadores em geral, fica o recado: assistam ao filme e dêem um prazeroso passeio pelo Brasil de outrora, com situações ainda bem recorrentes em nossa atualidade.

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Leandro Faria  
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