14 de mai de 2014

Pop 5ive: Seriados de Fernanda Young e Alexandre Machado






O casal de roteiristas Fernanda Young e Alexandre Machado são conhecidos do grande público da telinha por seus seriados de humor ácido, escrachado, muitas vezes escatológico, mas inteligentes.

O casal é responsável por um dos maiores sucessos da linha de shows da emissora platinada, a série Os Normais, de 2001, com Luís Fernando Guimarães e Fernanda Torres, e também pelo fracasso de público e crítica de 2013, O Dentista Mascarado, seriado que marcou a estreia de Marcelo Adnet na Rede Globo. Atualmente, Fernanda e Alexandre estão no ar com a sitcom Surtadas na Yoga, do canal à cabo GNT, onde Young também atua como uma das três protagonistas.

Entretanto, o casal já fez muita coisa bacana e marcante, que nos arrancou boas gargalhadas nos finais de noite de inúmeras sextas-feiras, nesse espaço de tempo que marca a estreia dos dois com Os Normais e a entressafra após O Dentista Mascarado no ano passado, na Globo.

E é sobre os seriados que encheram de graça o início dos nossos finais de semana, durante mais de uma década na telinha, entre um grande sucesso e um grande fracasso, desses competentes autores que mais acertaram do que erraram, em sua bem sucedida carreira televisiva, que se trata nosso Pop 5ive de hoje.

Agora relaxe e, se for capaz, não ria ao relembrar as hilárias comédias dessa dupla imbatível.

Os Aspones
A começar pelo título do programa, que significava uma sigla para Assessores de Porcaria Nenhuma, Os Aspones parecia ser bem engraçado, e até que era, mas diante das expectativas de um novo programa de humor escrito pelos mesmos autores de Os Normais, a sitcom que teve sete episódios, não superou-as. 

O elenco que contava com nomes excelentes do humor e da dramaturgia como Selton Mello, Marisa Orth, Drica Moraes, Pedro Paulo Rangel e Andréa Beltrão se saiu magnificamente bem, como sempre, mas o clima um tanto quanto nonsense da série, tendo como principal cenário uma repartição pública em tons pastéis e acinzentados, afastou o grande público que havia se identificado e sido fisgado pelas deliciosas loucuras de Rui e Vani ao longo dos três anos anteriores. 

As divertidas piadas de duplo sentido, tão peculiares à dupla de roteiristas, estavam lá, o tempo todo presente; o competente elenco segurou bem o programa com seus respectivos personagens: o chefe sem noção Tales (Selton), a estagiária gente-boa Leda Maria (Andréa), o metido à esperto Caio (Rangel), a aparvalhada Moira (Drica) e a arrogante Anete (Marisa), todos irrepreensíveis, ainda assim o programa não "pegou", tendo vida curtíssima com apenas 1 temporada e 7 míseros episódios, ficando no ar entre novembro e dezembro de 2004.

Não posso deixar de dar menção honrosa à Drica Moraes com sua Moira, que me arrancava muitas risadas com a sonsice de sua personagem. Excelente atriz, que adoro!

Minha Nada Mole Vida
"Não é mole não, não é mole não". E ao som dessa poesia do grupo Funk'n Lata éramos introduzidos ao mundo de Jorge Horácio e seu  impagável Talk Show, o Jorge Horácio by Night (numa clara alusão aos programas comandados por Amaury Jr.). 

Nessa nova empreitada, Fernanda e Alexandre conseguiram recuperar boa parte do público de Os Normais que havia se dispersado com Os Aspones. Numa criação conjunta com Luís Fernando Guimarães, também protagonista da série, o casal pintou e bordou em inúmeras situações hilárias, tendo o high-society como pano de fundo. 

Apesar de protagonista absoluto com seu humor já meio cansado, Luís Fernando estava muito bem acompanhado de colegas já conhecidos e tarimbados como Maria Clara Gueiros (Silvana), Pedro Paulo Rangel (Pascal) e o pequeno David Lucas (Hélio), e as novatas Letícia Isnardi (Bianca) e Dani Barros (Produção/Zenaide), que faziam uma escada maravilhosa para ele. 

Com muitas participações especiais de celebridades reais, interpretando celebridades entrevistadas pelo fictício programa de Jorge Horácio, o seriado tinha um novo frescor a cada episódio, e as situações de humor eram infinitas, já que a graça poderia vir de qualquer lado, tanto da vida pessoal de JH, quanto das loucas entrevistas de seu programa. 

Prova do sucesso de Minha Nada Mole Vida foram as 3 temporadas que ficou no ar, divididas em 23 episódios, entre abril de 2006 à junho de 2007.

O Sistema
Com O Sistema, Alexandre Machado e Fernanda Young ousaram na proposta. O enredo em torno do fonoaudiólogo Matias (Selton Mello), que compra uma briga com o "sistema", ao ter sua existência apagada após destratar uma atendente de telemarketing, e juntar-se a um grupo de jovens "urbanóides" que se sentem perseguidos pelo sistema, que são jogados no ralo do mundo e perdem seus dados bancários, cartões de crédito, carteiras de motorista e até seus números de RG, era interessante e usava de humor inteligente, mas parecia um pouco confuso para o telespectador médio. 

Não era um humor tão escrachado quanto o das séries anteriores e o público não correspondeu com a audiência esperada, apesar do ótimo elenco composto por Selton Mello, Graziela Moretto (Regina), Ney Latorraca (dr. Katedref), Zezé Polessa (Valquíria), Betty Gofman (Greta), Gregório Duvivier (Avenárius), Maria Alice Vegueiro (Leda), Lúcia Brostein (Trash) e Maíra Dworecki (Paca). 

O Sistema não passou da primeira temporada, com 6 episódios exibidos entre novembro e dezembro de 2007.

Separação?!

Os autores acertaram a mão novamente, com as brigas e loucuras de um casal à beira da separação. Nas peles de Karin e Agnaldo, Débora Bloch e Vladimir Brichta nos fizeram matar um pouco a saudade de Os Normais, numa releitura inversa de Rui e Vani. 

Enquanto àqueles eram um casal de namorados prontos para o casamento, mas que devido às suas sandices não se casavam nunca, vivendo um noivado eterno; eles formavam um casal, juntos à 8 anos, prontos pra separação, mas sem coragem de fazê-lo, vivendo com isso numa relação eterna de brigas, picuinhas, ofensas, sabotagens e traições que provocavam situações engraçadíssimas. 

Por serem dois atores bonitos e naturalmente elegantes, apesar do mesmo tom de humor histriônico, mordaz e ágil de outras séries, Débora e Vladimir imprimiam um toque de classe ao programa, uma classe que Luís Fernando Guimarães e Fernanda Torres, por serem mais escrachados, não tinham. Talvez aí se encontre o maior diferencial entre uma série e outra. 

Além do casal de protagonistas, Separação?! contava também com divertidíssimos coadjuvantes. Cinira (Cristina Mutarelli) era a diretora da escola primária onde Karin trabalhava, e entre um conselho e outro, cheio de "boas intenções", só fazia aumentar cada vez mais a loucura e o ódio de Karin por Agnaldo. Anete (Rita Elmor), a chefe de Agnaldo, era esquizofrênica, e a cada episódio seu nível de loucura só fazia aumentar, criando situações surreais e hilárias. De La Vega (Kiko Mascarenhas), o colega peruano de Agnaldo, era o sacana da firma, um poço de falsidade, sempre disposto a ferrar com o colega. E o casal Gilda (Cláudia Ventura) e Delgado (Marcelo Várzea), faziam os amigos felizes, apaixonados e equilibrados dos protagonistas, que involuntariamente sempre eram envolvidos em suas constrangedoras confusões. 

Prevista para ter somente 12 episódios, a série foi esticada devido a boa audiência, terminando assim com 23 episódios, que foram ao ar entre abril e setembro de 2010.

Macho Man
Eis o último seriado verdadeiramente engraçado da dupla até agora, segundo minha humilde opinião. Em Macho Man, Fernanda Young e Alexandre Machado extrapolaram todas as maluquices possíveis para um seriado de humor. Com a história absurda e politicamente incorreta de um gay que vira hétero depois de ser atingido na cabeça pelo sapato de uma drag queen, numa boate gay, todos os estereótipos foram escancarados para fazer o público rolar de rir, muitas vezes com bastante exagero e nenhuma verossimilhança. 

A história de Zuzu/Nelson (Jorge Fernando) era um verdadeiro circo, armado simplesmente para embarcarmos em suas palhaçadas, sem muitos questionamentos. Em sua jornada pós-gay, o cabeleireiro Zuzu se envolve em diversas situações bizarras pra "pegar" mulher e ao mesmo tempo esconder sua nova preferência sexual das clientes de seu salão, que não veriam com bons olhos um cabeleireiro hétero. Juntamente com sua melhor amiga Valéria (Marisa Orth), uma assistente de cabeleireiro, ex-gorda que emagreceu 20 quilos e precisa se readaptar a vida sexual e amorosa, agora como uma mulher magra, os dois formavam uma dupla impagável que contavam ainda com outros personagens inacreditáveis, como Fréderic (Roney Facchini), o proprietário afetadíssimo e paranóico do Fréderic's Ciffeaur, que sempre achava que estavam falando dele pelas costas; Cherrí (Raphael Véles), namorado vesgo de Fréderic; Nikita, a recepcionista gótica e estranha do salão, que escondia de todos seu lado normal, o de cantora de churrascaria, vivida pela ótima Natália Klein; Veneta, uma modelo viciada em remédios, cliente do salão, que estava sempre "colocada", em mais uma composição hilária de Rita Elmor; e Tiffany (Luana Jimenes), outra assistente do salão, sempre com tiradas engraçadíssimas. Enfim, Macho Man não tinha nenhum personagem sem graça, todos excêntricos e histriônicos, me arrancavam gargalhadas de doer a barriga e as mandíbulas.

Finalizando a primeira temporada com 14 episódios, Macho Man retornou com uma segunda temporada de apenas 7 episódios, dessa vez com o acréscimo de Íngrid Guimarães ao elenco principal. Ela fazia Helô, uma ricaça metida, noiva de Zuzu, que vivia às turras com Valéria. Menos engraçada que a primeira temporada, a sitcom saiu do ar contabilizando 21 episódios no total, ficando no ar entre abril e dezembro de 2011.   
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E, apenas para não passar em branco, a dupla também foi responsável por Como Aproveitar o Fim do Mundo, uma clara série feita unicamente para aproveitar a profecia maia de que o mundo chegaria ao fim em 2012. 

E aí, deu pra matar as saudades das divertidas séries de Fernanda Young e Alexandre Machado? Eu adorei recordar e vou correndo pro YouTube conferir novamente os melhores episódios das histórias malucas dessa dupla insana!


Até a próxima! 

Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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