3 de mai de 2014

Pop Séries: Cold Case (Arquivo Morto)




Arquivo Morto (Cold Case, no original) é uma série de investigação policial que estreou nos EUA em setembro de 2003, na Rede CBS. Uma série dramática sobre uma divisão policial especializada em investigar crimes ocorridos em outras épocas, até então não elucidados. Se passa na cidade da Filadélfia, Pensilvânia, e foi uma das séries mais vistas ao estrear naquele ano.

No entanto, comecei a acompanhar e virei fã da série com um pouco de atraso, quatro anos após sua estreia, em 2007. Foi uma época marcante, daquelas onde a vida anda bem sem graça e um programa de TV se torna sua melhor companhia. Arquivo Morto era a melhor coisa que acontecia nos finais de noite dos meus domingos modorrentos, quando era exibida pelo canal do tio Sílvio, SBT. Descobri a série por acaso e foi amor à primeira vista. Na época andava numa pindaíba e não tinha nem TV à cabo, e o SBT exibia a série com regularidade sempre nos mesmos dia e horário. No cabo, ela passava no Warner Channel. Depois de algumas temporadas respeitando o horário de exibição de Arquivo Morto, o SBT começou a mexer em sua grade e virou uma bagunça, tornando impraticável o acompanhamento da série, mas naquele ano de 2007 era um deleite, uma emoção à cada noite de domingo tão esperada!

Arquivo Morto tinha como personagem principal a detetive Lilly Rush, uma loira lindíssima de ar blasé e olhar triste e distante, vivida pela atriz Kathryn Morris. Integrante da equipe de homicídios da polícia da Filadélfia, sua missão era cuidar dos arquivos mortos, ou seja, de crimes que nunca foram resolvidos. E para desenvolver suas investigações ela contava com o apoio de uma competente e carismática equipe, que incluia seu mentor, o Tenente John Stillman (John Finn), e os detetives Will Jeffries (Thom Barry), Nick Vera (Jeremy Ratchford), Kat Miller (Tracie Thoms) e o arrogante Scott Valens (Danny Pino).


Os crimes ocorridos sempre datavam de anos entre 1950 e 2005, tendo raros episódios ocorridos antes da década de 50. Alguns recursos bem atraentes que tornavam a série peculiar eram o uso de flash-backs, que faziam uma conexão entre as características físicas dos envolvidos no crime, na época do ocorrido e nos dias atuais, e a trilha sonora utilizada a cada final de episódio, sempre com canções lindas e profundas, dando uma identidade própria a cada história, marcando-a de maneira bem pontual com letras que resumiam perfeitamente todo o entrecho envolvido.

O que também me chamava bastante a atenção em Cold Case era a vida pessoal de Lilly. Sempre muito solitária quando não estava envolvida em suas investigações, era nítido e notório que existia uma atração mútua entre ela e seu mais constante companheiro de casos, Scott, mas Lilly nunca cedia, nunca se deixava envolver. Fria e reservada, não demonstrava suas emoções, apenas quando estava em casa na companhia de seu gato é que víamos um pouco da Lilly mulher, frágil e melancólica, o que lhe imprimia um certo ar de mistério, já que ficávamos sabendo pouca coisa de sua vida pessoal, tornando-a assim, uma personagem ainda mais interessante. Pois Lilly ainda tinha que conviver com a visão dos espíritos que apareciam para ela, como forma de agradecimento, a cada caso solucionado e encerrado.

A série era ainda mais saborosa, porque o que motivava os crimes eram sempre questões ideológicas como racismo, feminismo, estereótipos, hierarquias, etc. Muitos eram assassinados pela coragem de ser quem eram, de amar quem queriam, por isso não raro os episódios tratavam de belas histórias de amor. Num dos episódios, por exemplo, era investigado o assassinato de uma mulher negra morta nos anos 50; ela era lésbica e se vestia como homem, um verdadeiro escândalo, mas seu erro fatal foi despertar a paixão de uma típica moça de família tradicional e branca. Foi lindo ver na cena final do episódio a senhora já idosa, confessando a detetive Lilly, seu grande amor pela vítima.


Porém, o episódio que mais me marcou foi um em que era investigada a morte de Daniela, jovem latina que tentava a vida nos EUA e foi misteriosamente assassinada. Durante a investigação, descobre-se que Daniela era um menino que saiu de casa para se tornar menina e nunca mais viu a família, tornando-se meio marginalizada. O crime que aconteceu nos anos 80 é reaberto à pedido de uma amiga de Daniela, que desapareceu após aceitar o convite de dois estranhos para fazer umas fotos como modelo. Ao fim, descobre-se que a moça foi assassinada pelo pai de um dos fotógrafos que se apaixonou por ela e estava decidido a assumí-la, pra desespero da família. Episódio emocionante com um final arrebatador, onde Gabriela aparece linda e jovem para o seu já grisalho grande amor e os dois dançam ao som de Please Don't Go, na interpretação de K.C & The Sunshine Band.

Com 7 temporadas e sem nenhuma explicação exata para o cancelamento da oitava, Cold Case acabou em 2010 por motivos desconhecidos. E apesar de não ter assistido a todas as temporadas Cold Case - Arquivo Morto pra mim, é muito amor!

Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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4 comentários:

Stephanie Oliveira disse...

Incrível! Também amo Cold Case e o meu episódio predileto é o do menino na caixa. Ainda não assisti as 7 temporadas mas estou ansiosa pra terminar. Uma pena não passar mais no SBT!

Larissa Mello disse...

Eu também sou hiper fã da série e revejo sempre os episódios, e se me permite a correção, o nome da jovem que na verdade era um menino é Daniela (Edwin Castillo era seu nome masculino) e não foi o pai de um dos meninos que a matou, foi um suicídio. Esse é um dos meus episódios favoritos, a série é íncrível, além da trilha sonora impecável.

Ah e parabéns pelo blog!

Esdras disse...

Que bom que gostaram meninas, eu tbm amava! E vc Larissa, realmente era fã, né! A mocinha do nosso episódio preferido era mesmo Daniela, o nome do episódio inclusive, minha memória me traiu, eu jurava q era Gabriela, obrigado pela correção!

Continuem prestigiando o blog!

cintia disse...

Obrigadaaaa
Estava louquinha atrás desse episodio e da trilha sonora quê só fica na mente e eu não:lembrava quem cantava
Vou ver esse episodio que tb é o meu predileto da série
Valeu

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