6 de mai de 2014

Primeiras Impressões: Geração Brasil




Com um discurso sobre o mundo e suas novas tecnologias, Thiaguinho faz a introdução de Geração Brasil, que começa com um evento onde o mestre de cerimônias é o pagodeiro (em participação especial), e o casal Jonas Marra (Murilo Benício) e Pâmela Parker (Claudia Abreu) são as estrelas que anunciam os dez concorrentes de uma gincana que vai escolher o novo gênio da tecnologia, o substituto natural do criador da Parker-Marra Technology. Anunciados os dez concorrentes do reallity show que escolherá o novo CEO de sua empresa no Brasil, entre eles Davi (Humberto Carrão) e Manuela (Chandelly Braz), o casal de protagonistas jovens, no tempo presente; a novela dá um salto para trás em três meses e explica os motivos que levaram Jonas (personagem claramente inspirado em Steve Jobs) a ter a ideia de sair da Califórnia, onde vive há mais de 20 anos com a família, e voltar à sua terra natal para promover a tal gincana tecnológica.

A partir daí começamos a acompanhar uma novela clipada, ágil, com cortes rápidos, cheia de cor e movimento. Uma novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, a dupla sensação que em 2012 transformou Cheias de Charme em mania nacional com suas "empreguetes", e direção inspirada e mega-moderna de Denise Saraceni.

Temos então um prato cheio aos ávidos por novidades, mas que não dispensam um bom folhetim. Pois em meio a toda a modernidade que o mundo ultra-tecnológico nos oferece hoje, instala-se um dramático mistério envolvendo o personagem de Jonas que, numa conclusão fácil, talvez possa se deduzir que tenha uma doença grave, mas creio que os criativos autores não recorram a esse tema tão batido na teledramaturgia para prender seus espectadores. Prefiro pensar que algo surpreendente se esconde por trás do mistério do protagonista.


Além do mistério que envolve Jonas Marra, conhecemos outras figuras deliciosas enquanto fazemos um tour entre a Califórnia, o Rio de Janeiro e Pernambuco. Na América somos apresentados a esfuziante atriz Pâmela Parker; sua filha Megan Lilly (Isabelle Drummond), uma bitch de carteirinha; a madrinha e o pai da mesma, Dorothy Benson (Luiz Miranda), uma transsexual, e Jack Parker (Luiz Carlos Miéle) respectivamente; também tem Brian Benson (Lázaro Ramos), filho de Dorothy e líder espiritual de Jonas, em uma composição um tanto over, que pode ficar chata se não for trabalhada cuidadosamente. Sabemos que Lázaro tem artifícios suficientes pra transformar seu Brian em um trabalho marcante e inesquecível, no entanto, ainda é cedo demais pra julgar. Na mesma linha segue o bom Rodrigo Pandolfo em um trabalho de composição com seu Shin Soon, um repórter chinês que vive na Califórnia e lembra muito os profissionais do TV Fama, aqui do Brasil. Também precisa tomar cuidado em como conduz sua interpretação, pois o personagem está naquela linha tênue entre o caricato divertido e o intragável. Fechando o núcleo estabelecido nos States, temos Fiuk como Alex, atual "peguete" de Megan e ainda um tanto quanto nebuloso.

No Rio de Janeiro conhecemos melhor Davi Reis, que cria um programa de computador didático para crianças aprenderem a fazer, brincando, seus próprios programas. O local de seus inventos é a Gambiarra. Ele foi criado por tia Rita (Gisele Fróes) e trabalha na ONG de Herval (Ricardo Tozzi), a Plugar. De vez em quando dá uns "pegas" em Luene (Ana Terra Blanco), periguete do bairro, mas se encanta mesmo é por Manuela, que conhece quando vai a Recife para uma feira de informática apresentar sua mais nova invenção, nomeada Junior, aos "anjos" que podem ou não abraçar sua ideia e investir nela. E é em Pernambuco que não só somos apresentados a uma sonhadora e determinada Manuela, que é engenheira da computação, mas também à sua família, composta pelo irmão Igor (Samuel Vieira), que é músico, e o pai Fred (Luis Carlos Vasconcelos), que é preso logo após abrir o evento comemorativo de 10 anos de sua danceteria na cidade de Navegadores, vizinha à Recife. Qual a dívida do pai de Manu com a polícia, que minutos antes do acontecido havia anunciado à filha que a presentearia com uma viagem ao Vale do Silício na Califórnia, seu sonho? Eis mais um mistério, que provavelmente será desvendado nos próximos capítulos.


Voltando ao Rio, conhecemos ainda a batalhadora Verônica Monteiro, feita por uma linda e divertida Taís Araújo. Ela é uma jornalista, mãe de um adolescente, o menino prodígio da informática Vicente (Max Lima), que luta para criá-lo sozinha e conseguir um emprego como repórter. Particularmente, nesse primeiro capítulo, Verônica e sua trama foi o que mais gostei e, apesar de aparecer em apenas uma cena, seu núcleo promete ser um dos melhores.

Para um primeiro capítulo, e ainda sem apresentar muitas personagens que certamente ganharão o público, como a vilã trambiqueira Gláucia Beatriz de Renata Sorrah, sua nora Marisa, vivida pela impagável Titina Medeiros (a inesquecível Socorro de Cheias de Charme) e Barata, defendido pelo sempre carismático Leandro Hassum, Geração Brasil deixou um gosto de quero mais. 

E, à julgar pelo ritmo ligeiro, a ótima trilha-sonora, os figurinos de encher os olhos, as sempre bem-vindas referências ao cinema, celebridades e afins, uma produção esmerada e um frescor que é a cara dessa nova geração da qual fazemos parte, a nova novela das sete não é programa da Regina Casé, mas vem com tudo.

Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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1 comentários:

Mike disse...

Quando rolou aquele flashback achei que o Jonas roubou o computador, sei lá talvez do sócio dele, e fugiu para os Estados Unidos para fazer dinheiro, deixando para trás sua namorada e um possível filho...

não tive essa impressão de doença...

e a novela é uma delícia mesmo.

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