5 de jun de 2014

12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen


Com um roteiro belíssimo e uma fotografia de tirar o fôlego, Steve McQueen acertou em cheio na produção de 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, no original), baseado no livro autobiográfico de Solomon Northup, um negro livre que conta sua trajetória ao ser capturado e vendido como escravo, por volta do ano de 1841.

Vencedor dos Oscars 2014 de Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (para Lupita Nyong'o) e Melhor Roteiro Adaptado, o filme narra a vida de Solomon, que seguia o ritmo natural, com seus dois lindos filhos, uma esposa amável e ótimas oportunidades de trabalho batendo à sua porta. Até que em determinado momento ele cai em uma armadilha que mudou sua vida para sempre. Durante doze anos o personagem trabalha em condições sub-humanas, é constantemente humilhado e agredido pelos seus senhorios, além de presenciar a morte e sofrimento dos demais escravos.

Apesar de ter quase duas horas e meia de duração, o filme não trás muito conteúdo e detalhes da verbais dos sentimentos de Solomon nem dos demais envolvidos. As imagens são muito bem utilizadas e não é necessário diálogo para que o público se sinta envolvido com o drama do homem que perdeu muito mais do que sua liberdade e doze anos de sua vida, e sim de uma pessoa que ficou sujeita a perder as próprias memórias.


Além da atuação incrível de Chiwetel Ejiofor, que interpreta Solomon, é indispensável comentar o merecido Oscar de Atriz Coadjuvante de Lupita Nyong'o, que dá vida à Patsey, uma escrava que além de sofrer com a rotina de trabalho exaustiva, é abusada pelo senhorio.

O mais interessante no longa é o uso da história que, ao contrário do esperado, não abusa das cenas de violência. É claro que elas existem, mas foram muito bem estruturadas e convincentes, sem falar da maquiagem perfeita, que nos leva de volta ao passado. Entretanto, devo dizer, a grande sacada de McQueen foi utilizar o apelo emocional de Solomon, focando em tudo que ele estava perdendo e exibindo a passagem do tempo como fator de destaque.

Muito mais do que uma história real e comovente, 12 Anos de Escravidão trás uma lição sobre persistência, amor e, principalmente, esperança. Durante o decorrer do filme, eu só conseguia pensar que desistiria se estivesse na pele de Solomon ou Patsey. Mas o desfecho foi capaz de fazer com que eu revisse meus conceitos e mudasse de opinião.

Para quem está afim de assistir um bom longa, o filme é rico em qualidades. Além disso, o momento é mais que pertinente, uma vez que comemoramos no recém terminado mês de maio, os 126 desde a Abolição da Escravatura no Brasil.


Ariadny Theodoro  
Ariadny Theodoro,incansavelmente bipolar e a primeira mulher da trupe do PdB. Apaixonada por literatura, séries de televisão, teatro e fotografia digital, escreve por necessidade de manifestar suas diversas paixões, nem sempre compreendidas pelos demais. Escreve sobre tudo - o bom e o ruim! Afinal, alguém tem de ter a difícil tarefa de alertar ao mundo que nem tudo é sempre bom!
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