10 de jun de 2014

A Culpa é das Estrelas, de Josh Boone



Aguardado com ansiedade por um grande público, o longa sensação do momento é uma adaptação do livro de John Green, que está há mais de 50 semanas em primeiro lugar na Lista dos Mais Vendidos da Revista Veja e que já foi resenhado aqui no PdB. Narrado por Hazel Grace, que é portadora de uma metástase no pulmão que se originou de um câncer na tireóide,  A Culpa é das Estrelas apresenta a vida de uma adolescente de 17 anos que, além de não ter muitas expectativas sobre sua própria vida, teme estragar a vida dos pais, que se dedicam inteiramente em lhe dar atenção, amor e os cuidados que uma pessoa portadora de câncer terminal precisa.

Por onde quer que vá, Hazel é obrigada a levar uma mochila com cilindros de oxigênio, já que seus pulmões  estão comprometidos por causa da doença e, em um dia comum durante um encontro no Grupo de Apoio de Crianças e Adolescentes com Câncer, ela conhece o ousado Augustus, um jovem que teve uma das pernas amputadas, consequência também de um câncer.

A partir daí, a vida de ambos muda completamente, já que a cor que a rotina de Hazel carecia é preenchida pelo bom humor e irreverência de Gus, em uma relação que vai ficando mais forte na medida em que os dias vão se passando e as dificuldades começam a surgir.


Apesar de não ser a história de Ester Grace Earl, que morreu vítima do câncer em 2010, o autor se inspirou na jovem americana para escrever o livro e caracterizar a personagem Hazel, que tem muitas semelhanças mas também muitas diferenças. 

A Culpa é das Estrelas, como filme e entretenimento, é para qualquer tipo de público, que inevitavelmente vai se emocionar, não só com a história dos personagens mas também com tantas outras vítimas do câncer. O filme ganha bônus, pois assim como o livro, foge dos clichês das cenas de dores físicas e drama, ao tratar a doença de uma outra forma, sem fundamentos em autoajuda e histórias que já conhecemos. O filme é bastante fiel ao livro, dos mínimos detalhes aos grandes acontecimentos, o que agrada quem já leu e que, com certeza, vai satisfazer quem ainda vai ler.


Um dos pontos mais fortes do longa, sem sombra de dúvidas, é a atuação do elenco. Todos os atores estão bem e impecáveis em seus papéis, desde Laura Dern, a mãe de Hazel, que transmite todos os sentimentos só com um olhar, até o casal protagonista interpretado por Shailene Woodley e Ansel Elgort, que até poderia causar um pouco de estranheza, por terem interpretado dois irmãos recentemente, no primeiro filme da trilogia Divergente, mas que pelo excelente trabalho nem de longe lembram a ficção.

Apesar de ter escrito uma história comovente, John Green ainda deixa a desejar como escritor em seus demais livros. Mas só pelo sucesso automático provocado por A Culpa é Das Estrelas, já assinou outra adaptação, dessa vez do livro Cidades de Papel, que é totalmente diferente do estilo da história de Hazel e não surpreende nem traz nada de novo, pelo menos na obra original.

A Culpa é Das Estrelas, o filme, já arrecadou 108 milhões de dólares apenas em seu primeiro final de semana nos Estados Unidos e o feito parece se repetir aqui no Brasil. Pelo visto, a fórmula para esse tipo de resultado é o investimento em romances realistas, que fazem o espectador acreditar no amor, ao menos durante as duras horas de exibição do longa.

Dessa forma, não tenha dúvidas: A Culpa é Das Estrelas vale o ingresso, as lágrimas e aquela sensação que fica depois que os créditos sobem e você volta para sua vida: alguns infinitos duram mais do que outros infinitos...


Ariadny Theodoro  
Ariadny Theodoro,incansavelmente bipolar e a primeira mulher da trupe do PdB. Apaixonada por literatura, séries de televisão, teatro e fotografia digital, escreve por necessidade de manifestar suas diversas paixões, nem sempre compreendidas pelos demais. Escreve sobre tudo - o bom e o ruim! Afinal, alguém tem de ter a difícil tarefa de alertar ao mundo que nem tudo é sempre bom!
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