12 de jun de 2014

Adeus à Inocência, de Drusilla Campbell




Adeus à Inocência foi o mais recente livro que li da Editora Novo Conceito. Escrito pela autora australiana Drusilla Campbell, o livro aborda um tema interessante: a síndrome de Estocolmo, que se trata de um estado psicológico desenvolvido por algumas pessoas que são vítimas de sequestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu raptor ou de conquistar a simpatia do sequestrador.

Um caso real dessa síndrome pôde ser acompanhado pelos noticiários algum tempo atrás, quando a história da menina Natascha Kampush ficou conhecida no mundo inteiro. A austríaca foi sequestrada aos dez anos de idade e ficou oito anos em cativeiro. O rapto aconteceu em março de 1998, quando a menina se encontrava a caminho da escola. Ela conseguiu escapar em agosto de 2006, então com 18 anos. O caso foi descrito como um dos mais dramáticos da história criminal da Áustria. E talvez Drusilla Campbell tenha se inspirado nele para narrar-nos a história de Madora Welles em sua obra.

Nas linhas de Campbell temos um romance denso sobre essa intrincada relação que se estabelece entre sequestrador e sequestrado depois de um longo tempo de convivência. A autora apresenta a cruel realidade da vida de seus personagens em um texto cheio de suspense, fanatismo e violência doméstica. 

Madora é uma adolescente de 17 anos que tem sérios problemas com a mãe desde a morte do pai, que aconteceu quando tinha 12 anos. Em uma noite de festa, após uma bebedeira, ela é levada por Willis. A narrativa dá então um salto no tempo de cinco anos e Madora agora é uma jovem de 22 anos submissa e apaixonada por seu algoz.

Solitária, Madora tem como companhia o cão Foo, um pitbull que é seu fiel companheiro. Sua vida resumi-se a esperar por Willis, que passa os dias fora de casa à caça de adolescentes grávidas e desamparadas, das quais possa tirá-las os filhos e fazer bons negócios com casais que não podem ter seus próprios bebês. Uma dessas garotas é Linda, que após dar à luz e ter o filho arrancado dos braços, torna-se prisioneira de Willis, enquanto este decide o que fazer com ela. Nesse imbróglio todo, Madora torna-se uma cúmplice involuntária de seu sequestrador, que acredita em suas boas intenções para com as moças que leva pra casa, enquanto ele se aproveita da ingenuidade da garota para manipulá-la. Sob a fachada de um estudante de medicina, Willis a convence que em breve libertará Linda, assim que ela estiver mais forte e saudável, e os dois irão embora daquele lugar deserto e inóspito e serão felizes para sempre.

Do outro lado da trama tem o menino Django, um esperto garoto de 12 anos que acabou de perder os pais em um acidente e, a contragosto, fica sob a tutela de Robin, irmã de sua mãe, uma tia com quem não tem a menor afinidade. Seu desejo era ficar com o irmão mais velho Hulk, mas este não se sente capaz de cuidar do caçula. Sofrendo com a perda dos pais e remoendo a vontade de estar com o irmão, Django não consegue criar um vínculo com sua tia, que no fundo é uma pessoa muito bacana. Robin é uma advogada solteira e independente, e sente tanta dificuldade de se adaptar ao sobrinho pré-adolescente triste e inconformado quanto ele à ela.

Enquanto Django se recusa a aceitar a morte dos pais, preferindo acreditar que eles estão viajando e mergulhando em um mundo de devaneios típico à garotos da sua idade em estado de negação, Robin procura por um cuidador que fique com sua mãe idosa e, ao entrevistar Willis para a função, os caminhos do melancólico Django e da pobre Madora se cruzarão, desencadeando uma série de acontecimentos que mudarão a vida de ambos pra sempre.

Ao longo da narrativa também descobrimos que espécie de manipulação psicológica Willis fez com Madora para que esta ignorasse totalmente sua família e o encarasse como um homem cheio de virtudes, algo que no início da leitura fica meio incompreensível. Mas, a escrita fluida da autora torna cada momento dessa história forte e tensa, adorável e saborosa.

Com apenas uma pequena ressalva ao desfecho da trama, que poderia ser muito melhor desenvolvido com a riqueza de detalhes que permeia toda a história, e isso deixou em mim o gosto de ter faltado algo no final, Adeus à Inocência é um livro denso, mas que se lê de um fôlego só, tamanha a curiosidade pelos acontecimentos da próxima página.

Autora: Drusilla Campbell
Páginas: 270

Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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2 comentários:

Larissa Leite disse...

Uaaau, parece ser perfeito o livro!
Mas o final decepciona? Tenho trauma de livros ótimos que me deixam chateada no final. ;/ Vale a pena comprar?

Esdras disse...

Oi Larissa!
O livro é bom sim, um suspense envolvente e bem escrito. Penso que a ideia de um bom final é muito particular. Eu daria à história um outro final, mas aí vai de cada um, vc pode amar o final.

Abçs!

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