19 de jun de 2014

#BaúPop: Filhos da Esperança




Filhos da Esperança (Children of Men, no original) chegou às telonas em 2006, estrelado por Clive Owen. E esse filme, subvalorizado por muitos, é a nossa dica do #BaúPop de hoje. Nunca ouviu falar? Pois deveria e é por isso que você tem que continuar a leitura.

Num futuro não tão distante, em 2027 pra ser exato, a Grã-Bretanha é a maior potencia global. Depois de diversas catástrofes, o mundo encontra-se caótico e o ser humano perdeu a capacidade de reproduzir-se. O governo impõe um forte regime de repressão a imigrantes, muçulmanos e a qualquer pessoa que se levante contra ele. Fora todo esse clima de animosidade, a pessoa mais jovem do mundo, Baby Diego, de 18 anos acaba de falecer, o que leva as pessoas a refletirem sobre a extinção da raça humana.

Theodore Faron (Owen) é um ex-ativista desiludido que se torna um burocrata, mais por comodidade do que opção, e não esta nem aí para a morte de Diego, mas que usa esse pretexto para tirar um dia de folga. E logo de cara podemos perceber que Theo tem a típica alma de herói solitário e com um passado que o atormenta internamente. 

Procurado por sua ex-esposa Julian (Julianne Moore), líder de um grupo revolucionário intitulado Os Peixes, Theo recebe a proposta de conseguir documentos de liberação para ele e a jovem Kee. Sem saber o porquê, ele aceita, bem mais pelo dinheiro, é verdade.

O filme ganha uma roupagem mais dramática e com ação daí pra frente e isso ocorre devido a uma emboscada que Theo, Julian e Kee enfrentam no caminho. Num determinado trecho estão no carro quando são atacados por inúmeros rebeldes e este é, sem dúvidas, um dos momentos mais marcantes do longa. 


Mas é importante saber o porquê da jornada de Theo, o que essa jovem tem de especial que vale tanto para os rebeldes? A importância de Kee é simplesmente revelada após a emboscada, quando Theo descobre que ela está grávida. E isso implica em muitas coisas, já que vemos o personagem de Owen se transmutar, passando a se importar com Kee e a protegê-la a qualquer custo. 

Próximo ao fim do filme há uma cena realmente fantástica: no meio de um tiroteio entre revolucionários e soldados do exercito, o Bebê começa a chorar de forma aguda e as pessoas que estão em volta começam a ajoelhar-se e, por poucos momentos, esquecem o que tem umas contra as outras, suas diferenças e seus interesses. É uma cena que comove e arrepia.


A parte técnica do filme é impecável, abusando dos já famosos planos sequência (sem cortes), que são utilizados durante o filme todo em maior ou menor importância. E no terço final da trama, quando a ação começa a tomar conta das cenas, somos brindados com alguns planos de cair o queixo. Esses planos são realizados não apenas como uma demonstração de virtuosismo técnico, já que ao escolher o recurso, o diretor Alfonso Cuarón (bem antes de Gravidade) consegue intensificar os momentos mais significativos, tornando-os realmente impactantes, em um verdadeiro trabalho de mestre.

Apesar de todo o clima opressivo, o filme possui vários toques de humor, o que deixará alguns espectadores confusos quanto ao tom que o filme tenta atingir, mas que se revela absolutamente necessário para tornar a história mais humana e aproximá-la do público. Afinal, é da nossa natureza ver o lado cômico de qualquer situação, por mais desesperada que ela possa parecer. 

E vale resssaltar que o título em português foi muito feliz (um caso raro), já que a esperança é o que move os personagens. Por fim recomendo com louvor esse belíssimo filme, e destaco a ótima atuação de Clive Owen.

Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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