29 de jun de 2014

Pop Séries: Orphan Black




Talvez a grande maioria do publico nunca tenha ouvido falar sobre a série que vou escrever hoje . Trata-se de Orphan Black, uma série de origem canadense, que foi ao ar no mês de março de 2013 pela rede BBC América, e se tornou uma grata surpresa para os amantes de ficção e drama.

No enredo somos apresentados à órfã Sarah Manning (Tatiana Maslany), que volta à sua cidade natal para reajustar alguns erros do passado e reaver a guarda de sua filha, que esta sob os cuidados de sua mãe adotiva apelidada de senhora S. 

O seriado apresenta uma velocidade impressionante nos fatos, algo até incomum neste tipo de programa. O fato é que Sarah logo se depara com um suicídio na estação de metrô, sendo que o grande detalhe é que a desconhecida tem uma semelhança incrível com a protagonista. Decidida a recuperar a guarda da filha, Sarah rouba a identidade da suicida, algo que a levará a uma constante oscilação em sua vida, expondo segredos que ela sequer podia imaginar. 

Com o desenrolar dos fatos vemos a maestria da série, que apresenta um tema fictício e ético conflitante, que é a clonagem humana (sim, Sarah é um clone). Entretanto, a trama não fica presa somente neste tema e aborda as peculiaridades de cada personagem, a forma como interagem entre si. 

Para que todas essas complexidades da série pudessem ser transmitidas, uma atriz competente precisaria ser escalada para viver todas essas personagens. Tatiana Maslany faz um trabalho irrepreensível ao viver cada uma das cópias da história, com uma propriedade de detalhes que muitas vezes assusta. Da rebelde Sarah, passando pela neurótica Alysson, até a perturbadíssima Helena, cada uma delas tem uma profundidade impressionante e compartilham a mesma angústia, mas com um histórico distinto que delega a elas uma identidade única.


Aí temos outra vantagem de Orphan Black: apesar de ser uma série cheia de ação e ciência, a produção é também mestre em representações emocionais. A televisão aprendeu a entender as mazelas de qualquer criação viva e hoje faz filmes de animação que humanizam bonecos de massinha. Enquanto Sarah dá tiros e persegue bandidos, imprime em seus gestos e olhares a agonia de perceber que sua história se fragmentou em pedaços que não são seus - a dúvida em se envolver com o namorado da mulher que finge ser, a preocupação em proteger o pouco que lhe distingue das outras.

O roteiro não apenas apresenta cópias como Alysson e Cosima, mas se dedica a descolá-las do papel de alegorias temáticas, dando a cada uma delas uma função, uma natureza, um anseio. Na metade da temporada, já estamos apaixonados por Alysson e sua neurose familiar, por sua maneira desajeitada de analisar o próprio mundo que termina por leva-la à desgraça absoluta. Já estamos preocupados com a atração que Cosima sente pelos neoevolucionistas e já estamos com pena da forma como Helena é manipulada pela própria fragilidade. 

No que diz respeito à história, Orphan Black dá aulas de esperteza. Somos enganados e surpreendidos o tempo todo. Essa é uma fórmula perigosa, sobretudo porque nos educa a esperar sempre muito e cria uma responsabilidade constante de superação. 


A serie desembarcou no Brasil pelo Netflix, que já conta com a primeira temporada completa. Entretanto, não temos previsão de quando a segunda temporada chegará ao serviço, apesar da mesma já se encontrar atualmente em exibição no Canadá pela BBC América.

Orphan Black é uma série envolvente, com novos personagens e um âmbito maior, com muito mais segredos escusos. Fica a dica para quem busca uma boa serie de ficção, que preencha com muita qualidade as expectativas dos mais apaixonados fãs do gênero.

Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
FacebookTwitter

1 comentários:

Marcinha Vieira disse...

Pena que o brasileiro ainda tenha que aturar novelinhas de péssimo gosto e baixa audiência... Tadinho...

Share