1 de jun de 2014

Praia do Futuro, de Karim Aïnouz




Praia do Futuro, do diretor Karim Aïnouz e estrelado por Wagner Moura, ficou nacionalmente conhecido como "o filme em que um grupo de babacas de Niterói saiu da sala de exibição por não terem sido avisados que se tratava de um filme "gay"". Polêmicas à parte, a situação apenas serviu para promover o filme, que ganhou destaque na mídia e, claro, na internet. Eu, curioso que sou, já iria mesmo assistir ao filme e, é claro, o episódio apenas aumentou ainda mais o meu interesse. Pena que o longa, pelo menos para mim, ficou bem aquém do desejado.

A história segue o personagem de Wagner Moura, Donato, que trabalha como salva-vidas na Praia do Futuro do título, em Fortaleza, e, depois do afogamento de um turista alemão, acaba se envolvendo com Konrad (Clemens Schick), amigo da vítima, e entrando em um relacionamento que o leva a abandonar sua cidade e partir para Berlim, fugindo de sua vida ou, sabe-se lá, até mesmo de si mesmo. Anos depois, Ayrton (Jesuita Barbosa), irmão mais novo de Donato, surge em Berlim para um acerto de contas com o protagonista da história.


Utilizando um formato episódico, o diretor Karim Aïnouz conta a história de Praia do Futuro dividida em três partes: o início do relacionamento de Donato com Konrad, a ida de Donato para Berlim e, por fim, a chegada de Ayrton para o ajustes de contas com o irmão. Entretanto, para alguém que, como eu, esperava alguma ação nessa trama, ela nunca chega e, ao final do longa sobraram bocejos e a sensação de que faltou algo substancial no filme assistido.

Com longas sequências em que absolutamente nada acontece e silêncios que permeiam toda a narrativa, talvez para mostrar a própria inquietação dos personagens, Praia do Futuro transforma-se num filme que se arrasta e parece não ter muito o que dizer. 

Existem conflitos, é claro, e os atores estão muito à vontade em seus papéis. Entretanto, parece que seus dramas interessam apenas a eles mesmos (e ao diretor), nunca fisgando de vez o espectador mediano (como eu me enquadro nesse caso).


Wagner Moura mais uma vez realiza um trabalho soberbo. Inquestionavelmente o maior ator brasileiro de sua geração, Moura não se furta de protagonizar cenas fortes de sexo junto ao ator Clemens Schick, também muito bem no papel. Donato e Konrad são dois homens que vivem uma paixão e se relacionam livremente, sendo o sexo livre entre os dois apenas um detalhe de suas vidas. Já Jesuita Barbosa, que aparece no ato final da história, dá conta de construir um Ayrton que ama o irmão e que mesmo assim nunca o perdoou por ter desaparecido no mundo para se entregar a uma relacionamento homossexual.

Apesar disso, o filme me pareceu cansativo e extremamente longo, apesar de seus apenas 90 minutos de duração. Pode ter sido apenas minha má vontade, mas foi um pouco difícil me levar pelas dúvidas existenciais de Donato e seus companheiros. Até mesmo Berlim me pareceu desinteressante e pouco explorada pelo diretor.

Mas como em qualquer obra artística, sei que cada um tem as suas próprias impressões e é impactado de maneira diferente sobre aquilo que aprecia (ou não). Praia do Futuro é, dessa forma, um daqueles filmes que devem ser conferidos e analisados friamente por cada espectador, que deverá se entregar ou apenas bocejar com os dramas de Donato, Konrad e Ayrton. Boa diversão!

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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