25 de jun de 2014

Querido John, de Nicholas Sparks




Do você seria capaz de abrir mão em prol do seu verdadeiro amor? O que significa amar realmente alguém? Em Querido John, Nicholas Sparks nos leva por uma história de amor e abnegação de fazer inveja a qualquer um, até mesmo aos mais pudicos (inclusive aos vampiros de Stephenie Meyer). Porque, apesar de seus best sellers, as fórmulas de Nicholas Sparks são mais do que conhecidas: amores avassaladores, pedras no meio do caminho e personagens com caráter vindos diretamente do século XVIII. 

A história de Querido John, publicado no Brasil pela Editora Novo Conceito, é simples: jovem rapaz desajustado – o John, do título – resolve entrar para o exército, quando percebe que sua vida não tem um objetivo. Passa a servir na Alemanha e, em uma de suas licenças vai passar 15 dias com o pai, em sua cidade natal nos EUA. Lá, acaba conhecendo Savannah, uma jovem altruísta, que está na cidade para construir duas casas para o projeto Habitat para a Humanidade. Depois de resgatar a bolsa da moça, que cai no mar, os dois se apaixonam, é claro. Só que entre esse amor existe todo o Oceano Atlântico, já que John tem de voltar para cumprir dois anos no exército. Resolvem assim manter o relacionamento, se correspondendo (à moda antiga, por cartas, já que Savannah não é muito adepta de emails que, segundo ela, são frios… Lembram o que eu disse sobre os personagens parecerem vindos do século XVIII?) e falando eventualmente por telefone. Claro que no meio disso tudo haveria o 11 de setembro de 2001, John se realistando no exército e surgindo um novo interesse amoroso para complicar a história de ambos. 

Não me entendam mal, já que eu até gosto da literatura água com açúcar, até mesmo algumas das de Nicholas Sparks. As histórias, apesar de inocentes e improváveis, nos prendem e acabamos nos afeiçoando àqueles personagens. O que não é diferente em Querido John. John, o narrador, é um sujeito que nos causa empatia e nos faz até mesmo sentir seu amor. Savannah, a jovem mocinha, é tão surreal, mas tão surreal, que você adoraria conhecer alguém como ela apenas para saber que existe. Já a história, simples e cheia de contratempos, nos lembra dos antigos folhetins, os clássicos, cheio dos mais absurdos clichês e, por isso mesmo, tão atrativos a nós, leitores. 

Entretanto, não consigo não apontar algumas situações inverossímeis – para qualquer pessoa normal – na história. Por exemplo, John, um rapaz do exército, parece não ter libido NENHUMA: conhece Savannah, fica PERDIDAMENTE apaixonado por ela, vai transar com a dita cuja UM ANO DEPOIS, apenas UMA ÚNICA VEZ e, depois disso, nunca mais se aproxima de NENHUMA mulher. A-ham! 

Outra característica dos personagens que me causa estranheza é que TODOS, sem exceção, parecem membros de alguma religião adepta à moral e aos bons costumes, sem qualquer deslize. Até mesmo quando John perde a cabeça, em determinada passagem do livro, e acaba enchendo três outros personagens de porrada, um deles o perdoa veementemente, sabendo que tudo aquilo foi sem querer. Ah, poupe-me, né? 

Mas, o pior de tudo, é apontar essas surrealidades da trama e não conseguir largar o livro até a página final. Aliás, depois do desdobrar dos acontecimentos, eu quase previ o final previsível que se aproximava, entretanto, Nicholas Sparks consegue ser tão… careta, que o final escolhido por ele conseguiu até ME surpreender por ser tão… inocente e irreal. Serei eu o descrente no mundo ou pessoas como esses personagens realmente só existem na cabeça do autor? 

O livro, assim como vários outros de Nicholas Sparks, foi transformado em uma versão cinematográfica, estrelada por Channing Tatum e Amanda Seyfried que, por incrível que possa parecer, é um pouco melhor que o livro.

O que será que faz o sucesso de obras do tipo, tanto no cinema quanto na literatura? Será que as pessoas realmente estão procurando amores como os descritos por Nicholas Sparks? Vai saber, afinal, somos todos um incoerentes. Como aqueles personagens!

Texto revisto do originalmente publicado em 21/02/2011

Autor: Nicholas Sparks
Páginas: 288

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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