3 de jun de 2014

X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, de Bryan Singer




Os filmes de super-heróis, que se proliferaram nos últimos anos com maior ou menos grau de sucesso junto ao público, devem muito de seu apelo atual a X-Men, primeiro filme da franquia, lançado no já distante ano de 2000 e dirigido por Bryan Singer. Foi esse excelente trabalho que mostrou que filmes de super-heróis podiam sim ter conteúdo e agradar a público e crítica como entretenimento de qualidade. De lá pra cá, foram vários os filmes de seres com super habilidades a chegar aos cinemas, incluindo uma lucrativa franquia dos próprios X-Men, composta de uma trilogia, filmes solo de Wolverine e do aclamado prequel de 2011, X-Men: Primeira Classe.

Com X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past, no original), entretanto, a série se abre em novas possibilidades narrativas, graças a um roteiro interessantíssimo que junta os adorados personagens da primeira trilogia com as versões mais jovens apresentados em X-Men: Primeira Classe. O resultado disso é um filme surpreendente, dinâmico e, desde já, um dos melhores da franquia.

E a trama do novo filme é irresistível: em um futuro não especificado, os mutantes foram praticamente exterminados pelos Sentinelas, robôs que se adaptam aos seus alvos e são praticamente indestrutíveis. Desenvolvidos pelo cientista Bolívar Trask, os estudos para o aprimoramento dessas verdadeiras armas se intensificaram depois que Mística matou seu criador e os humanos se sentiram ameaçados pelos mutantes. Por isso, os sobreviventes do futuro, comandados por Charles Xavier e Magneto, decidem usar os poderes da mutante Kitty Pryde para mandar Wolverine de volta ao passado e convencer os jovens Xavier, Magneto e Mística de que o passado deve ser alterado.

Pode parecer confuso, mas o trunfo de X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido é nos prender desde os momentos iniciais da trama sem que fiquemos boiando com o que se passa na tela. Em poucos minutos de projeção e graças a um ou outro diálogo mais expositivo, entendemos claramente o objetivo dos personagens e suas intenções. Mesmo com muitos personagens cruzando a tela e contracenando, em momento algum ficamos perdidos ou sem entender o que se passa. Melhor ainda: até quem não conferiu os outros filmes da série pode aproveitar a história e embarcar nela sem grandes traumas.


Com um elenco estelar, cabe a Hugh Jackman mais uma vez defender o seu Wolverine e contracenar com as versões jovens de Xavier e Magneto. E se Patrick Stewart e Ian McKellen são, sem sombra de dúvidas, senhores absolutos desses personagens e soberbos em suas atuações, James McAvoy e Michael Fassbender não ficam atrás e, assim como já haviam mostrado em Primeira Classe, dão conta muito bem de defender os personagens. Além disso, Jennifer Lawrence e sua Mística ganham bastante destaque na projeção, já que são as ações da personagem que movem o retorno de Wolverine ao passado.

Ao mesmo tempo que apresenta novos personagens, os fãs das histórias anteriores certamente ficarão felizes em ver conhecidos personagens de volta à telona, mesmo que por alguns segundos, como Vampira (Anna Paquin) ou Jean Grey (Famke Janssen). 

Mas, sem sombra de dúvidas, quem rouba a cena em sua partcipação é Evan Peters. O ator, conhecido do público por suas participações nas três temporadas de American Horror Story, dá vida a um divertido e jovem Mercúrio. Tanto é que uma das cenas mais divertidas do longa é estrelada por ele, em uma sequência em câmera lenta que arranca gargalhadas enquanto nos mostra como um poder como a super-velocidade por ser bem mais interessante do que aparenta à primeira vista.

De volta à direção da saga mutante, Bryan Singer (que comandou X-Men e X-Men 2) nos mostra a falta que fez ao deixar essa franquia para se dedicar a outros projetos. Um verdadeiro fã das histórias desses personagens, o diretor dá uma nova dimensão a esses personagens, na trama tão bem amarrada pelo roteiro de Simon Kinberg (e, é claro, inspirada na saga dos quadrinhos de mesmo nome).


Com um final crível e que abre diversas possibilidades para novas histórias (tanto para os integrantes da First Class quanto para os X-Men do "presente"), a cena pós-crédito final, uma marca registrada da Marvel, nos adianta o que podemos esperar do próximo filme, já anunciado para 2016, ao apresentar um jovem Apocalipse, que é apontado por muitos como o maior vilão dos X-Men.

Ou seja, se ainda não assistiu X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, não perca mais tempo e programe-se. É o tipo de filme que merece ser apreciado, preferencialmente na sala do cinema e naquela tela enorme que apenas faz da experiência de assistir ao filme ainda mais empolgante!

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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2 comentários:

Mike disse...

O que mais me agrada na direção do Singer é que ele sabe como ninguém mostrar os poderes dos mutantes. Desde o Noturno em X2, passando pelo Mercúrio e pela Blink nesse filme ninguém filma os mutantes melhor que ele.

Luiz Ehlers disse...

Eu concordo. Ouvi muitas críticas ao filme, mas ele é muito bom. Tem alguns problemas de ligação e verossilhança, mas é diversão e como si só é legal :)

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