4 de jul de 2014

A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón




Descobri o autor Carlos Ruiz Zafón por acaso, juntamente com sua obra que chegava as livrarias nacionais A Sombra do Vento. Com um título curioso e envolto em mistério, interessei-me em descobrir o que estava guardado naquelas páginas escritas por um autor espanhol que chegava à terras tupiniquins. A Sombra do Vento não me decepcionou e me fez fã de carteirinha de Zafón e sua maestria em contar um historia cheia de reviravoltas e detalhes de forma excepcional.

No livro somos apresentados a Daniel Sempere, que está completando 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível: em uma madrugada fantasmagórica, leva-o a um misterioso lugar no coração do centro histórico de Barcelona, o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar, conhecido de poucos barceloneses, é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento, do também barcelonês Julián Carax. O livro desperta no jovem e sensível Daniel um enorme fascínio por aquele autor desconhecido e sua obra, que ele descobre ser vasta.

Obcecado, Daniel começa então uma busca pelos outros livros de Carax e, para sua surpresa, descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que o autor já escreveu. Na verdade, o exemplar que Daniel tem em mãos pode ser o último existente. E ele logo irá entender que, se não descobrir a verdade sobre Julián Carax, ele e aqueles que ama poderão ter um destino terrível. 

Ambientado na Barcelona dos anos 40, somos presenteados com uma narrativa empolgante e detalhista. Zafón tem um domínio excepcional sobre a história que nos conta, deixando-nos sempre sedentos por mais.

Nós acompanhamos Daniel em uma jornada durante anos, na qual ele tem o objetivo quase obsessivo de descobrir o que afinal aconteceu com Júlian. Zafón mostra toda a evolução e crescimento de Daniel, como pessoa e como personagem; de menino inocente, nós o vemos se tornar um adolescente, um jovem, um homem. Ele sempre mantém seu coração puro, mas erra muito mais vezes do que gostaria de admitir. Sua obsessão por esse escritor esquecido é maior do que qualquer outra coisa em sua vida: seus amores, seu pai, seus amigos. E, assim como Daniel, nós também nos tornamos obcecados por essa história e por esse insolúvel e sombrio mistério. 

As histórias de Daniel e Júlian caminham paralelas até certo ponto do livro: a partir de certo momento, elas se encontram, confundem-se, e aí você já está inevitavelmente arrebatado. Na verdade, Zafón conquista o leitor logo nas primeiras páginas. Como não se apaixonar por um livro que fala essencialmente de livros? Um livro em homenagem a vida por detrás das palavras de uma história? Não é isso pelo qual somos todos apaixonados? Um livro se confunde com a vida de seu autor e também de seus leitores. Em A Sombra do Vento percebemos o quanto isso é verdade, o quanto um escritor coloca seu coração nas palavras e como um leitor sente aquela alma impressa no papel.

Zafón é mais do que um escritor: é um artista. Ele pinta com palavras. Não sei como esse homem consegue, mas ele o faz e muito bem. A sua prosa passeia pela poesia, pela ironia e por todos os gêneros. Nesse livro, o leitor encontra de tudo, mas sempre na dose certa: romance, drama, aventura, fantasia, horror. 

Esse é sem duvida um livro pra quem gosta de livros, Zafón nos premia com uma obra prima. 

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Páginas: 608

Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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2 comentários:

Antonio de Castro disse...

eu amo o Zafon. tb comecei com a sombra do vento e mergulhei nos livros dele, lendo todos , até aqueles que foram feitos para leitores infanto-juvenis.

o mais legal é que a gente não precisa ficar triste quando acaba A Sombra do Vento, porque tem mais do Cemitério dos Livros Esquecidos.

as continuações são ainda mais magnéticas. aconselho a todos a ler O Prisioneiro do Céu, o último da trilogia.

só falei tnt assim porque eu adoro mesmo o zafon e fico muito empolgado qd encontro alguem que já leu ele.

Artur Lima disse...

Concordo plenamente Antonio, Zafón é excepcional como já mencionei no texto e assim como você também li todos os livros dele, e além do Prisioneiro do Céu a trilogia tem o bom O Jogo do Anjo. Realmente me empolgo falando do Zafón.

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