19 de jul de 2014

#BaúPop: Festim Diabólico



Festim Diabólico (Rope, no original) é um filme realizado por Alfred Hitchcock em 1948, baseado na peça de Patrick Hamilton, que por sua vez, fora baseada no famoso caso Leopold-Loeb, onde dois estudantes americanos cometeram um crime que, segundo eles, deveria ser o crime perfeito.

Quando dirigiu Festim Diabólico, o inglês Alfred Hitchcock já brilhava em Hollywood há um bom tempo tendo, inclusive, recebido três indicações ao Oscar. O mestre do suspense adorava provocar seu público e, ao contrário de muitos outros filmes do gênero, ele deixava que o espectador soubesse quem era o culpado logo no inicio em vários dos filmes que realizou, um fato que já comentamos aqui mesmo no PdB no Pop 5ive: Os Melhores Suspenses de Alfred Hitchcock.

Na verdade, o que Hitchcock gostava mesmo era de brincar com o público, de lhe pregar peças, de fazer com que o espectador suasse de apreensão e ansiedade junto com seus personagens. Festim Diabólico não fugiu a essa máxima do diretor. Logo nos primeiros minutos de projeção ouvimos um grito vindo de uma janela e, logo em seguida, um rapaz sendo morto pelos seus algozes. Mas afinal, porque cometer aquele crime? O que fizera aquele jovem para morrer assim?

Baseado no conceito de super-homem de Friedrich Niestzsche, que explica quais os passos um homem pode se tornar além do humano através da transvalorização de todos os valores do indivíduo, por exemplo, vemos Brandon e Phillip matarem David apenas para provar para si mesmos que poderiam cometer o tal crime perfeito, segundo a premissa do filósofo alemão. Após a tragédia, eles colocam o corpo do jovem num baú em plena sala de jantar onde oferecem uma pequena recepção para um grupo seleto de amigos, entre eles a jovem namorada do morto, seu pai , sua tia e o professor Rupert Cadell, interpretado por James Stewart. Como David não aparece à festa, todos começam a estranhar seu sumiço, porém em nada suspeitam que David jaz ali bem ao lado deles.


O que vemos a seguir é todo um jogo de cena muito bem orquestrado por Hitchcock, que se utiliza de todo o cenário (o apartamento onde vivem Brandon e Phillip, e sim, eles são gays) para contar a história. Em determinado momento, Rupert começa a desconfiar que alguma coisa está errada ali. É quando assistimos a melhor cena do filme: enquanto a câmera foca a empregada arrumando as coisas, ouvimos um diálogo ao fundo dos personagens em uma cena simples, mas que mostra porque Hitchcock se tornou um dos maiores realizadores de todos os tempos. Por apenas brincar com a simplicidade das coisas.

Vale salientar vários fatos curiosos sobre a produção. Pra começar, foi o primeiro filme a cores de Hitchcock. Segundo, possuía pequenos cortes, apenas oito ao todo. O diretor queria que houvesse essa ideia de uma ação contínua, então cada rolo de filme termina com a passagem de algum personagem em frente à câmera e a próxima tomada começa exatamente no mesmo lugar.

Com relação ao elenco, Montgomery Clift recusou fazer Brandon, assim como Cary Grant, escolha inicial para o papel que fora de James Stewart. Outro dado interessante é que Festim Diabólico foi um dos cinco filmes perdidos de Hitchocock. O diretor o comprara para que servisse de legado para sua filha junto com Janela Indiscreta, O Homem que Sabia Demais, Um Corpo que Cai e Terceiro Tiro. Os filmes só foram relançados em 1984, o que deixa evidente que Festim Diabólico era um dos seus filmes preferidos.

Entra pra história não apenas por ter sido ousado e inventivo, mas porque soube ser eletrizante. Como todo bom suspense deve ser.

Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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