3 de jul de 2014

Burton e Taylor, de Richard Laxton



Para muitos, Richard Burton foi o maior ator de teatro de sua época. Para outros tantos, Elizabeth Taylor foi maior estrela de cinema de seu tempo. Junte então estes dois deuses e imagine o que poderia acontecer. Sim, uma explosão de talento e, claro, egos superinflados e inflamados. A química perfeita  da dupla saiu das telas e ambos puderam protagonizar um dos casais mais populares da história.

Mas, como é comum no meio, anos depois eles já estavam separados, mas tentavam manter uma espécie de cordialidade. Elizabeth Taylor resolveu então produzir a peça Private Lives, de Noël Coward, e convidou Richard Burton para co-estrelarem na Broadway. Entretanto, a peça pouco importa nesse caso, porque o que público quer mesmo é ver o famoso ex-casal juntos novamente e ao vivo.

Com esta premissa, Burton e Taylor é um telefime produzido pela BBC e reprisado aqui no Brasil várias vezes pelos canais HBO, que tenta registrar os bastidores da tal produção teatral que o casal de estrelas abrilhantou.

É notório que tanto Dominic West quanto Helena Bonham Carter em nada se parecem com Burton e Taylor mas, mesmo assim, conseguem passar dignidade ao se fazerem passar pela dupla dinâmica. Helena, por sinal, deu vida a uma Elizabeth bastante afetada, tentando se passar por tola quando não era. Na verdade Taylor era uma raposa criada em Hollywood, que sabia muito bem como fazer gerar dinheiro e promoção sobre si mesma. Em determinado momento do filme, Richard Burton diz para eles cancelarem a peça depois de lerem críticas nada favoráveis, porque segundo ele "seria melhor evitar o sofrimento" ao que ela retruca ao dizer que "eles darão prazer ao público" e, é óbvio, irão ganhar muito dinheiro.


E, de fato, Elizabeth sabia como ganhá-lo. Ao brigar com Richard em determinado momento do filme, ela resolve se ausentar da produção. Afinal, a atriz sabia que, sem ela, a peça não seria nada, e essa foi uma forma de castigar o seu amado. Mas eles se amam e se odeiam tanto, que entre uma cara feia e outra fazem as pazes e continuam a esbanjar talento.

Elizabeth sabia conquistar uma plateia como ninguém. Ao surgir no palco sem uma fala sequer, ela fazia com que as pessoas a aplaudissem em cena aberta. E de pé. Neste caso, Helena Bonham Carter pode sentir o gosto de ter sido Elizabeth. Ao compor a estrela, usou de ironia e sarcasmo em determinados momentos. Por outro lado, vale salientar que Dominic West teve um papel bem mais difícil para trabalhar, afinal Burton era um ATOR com capslock e com muita personalidade, algo que o seu intérprete em Burton e Taylor consegue fazer passar, mesmo tendo que se defrontar como uma Helena Bonham Carter divertidíssima e que assim como sua personagem sabia que quem paga seu salário é o público e isso, para eles, é sempre o melhor.

Dessa forma, aproveite enquanto Burton e Taylor ainda está sendo reprisado pelos canais HBO e, se ainda não conferiu o telefilme, divirta-se com essa produção sobre um dos mais emblemáticos casais-não-casais da Hollywood de todos os tempos.

Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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1 comentários:

Rafael Leoni disse...

há poucos dias assisti novamente Cleópatra. Sempre tive afeição por Elizabeth Taylor, talvez por crescer ouvindo que ela era o máximo. Realmente em "Gata em Teto de Zinco quente" onde divide a cena com Paul Newman ela estava sensacional, mas em Cleópatra o que se vê é algo forçado, muitas vezes mal trabalhado, caricato. Burton tb está péssimo. O filme fez sucesso anos depois por causa da produção grandiosa. Talvez o romance dos dois tenha atrapalhado e muito o talento de ambos em representar. mas verei Helena Bonham Carter ( que gosto muito) vivendo Elizabeth...boa indicação de filme...abraço.

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