17 de jul de 2014

O Último Amor de Mr. Morgan, Sandra Nettelbeck




O Último Amor de Mr. Morgan estreou nos cinemas brasileiros na primeira semana de julho, com uma história que parecia comovente e arrasadora. Parecia. 

Na trama conhecemos Matthew Morgan (Michael Caine), um solitário senhor que vai se sentindo cada dia mais sozinho após a perda de sua adorável esposa. O ex-professor de filosofia da prestigiada Universidade de Princeton mora em Paris e parece fazer questão de não aprender o idioma local. Até que em um acaso do destino Matthew esbarra com a jovem Pauline dentro do ônibus, em um encontro que abre a oportunidade para uma relação que tenta preencher o vazio de ambos.

A grande verdade é que temos dois filmes dentro de um e que em nenhum dos momentos o roteiro decide tomar parte de um dos lados e desenvolvê-lo de maneira aceitável. A temática da solidão, no começo da obra, vinha sendo muito bem aproveitada, apesar de alguns clichês, e poderia render uma obra primorosa, que apresentava uma troca de “favores” entre um idoso viúvo e solitário e uma jovem que perdera o pai recentemente. Eles estão ali sem entender muito bem o que estão fazendo, mas o simples fato de estarem fazendo companhia um ao outro lhes fazia bem. Esse momento é muito importante para que o espectador seja cativado e se interesse pela dupla principal e para cegá-los dos erros que estarão por vir. Pauline tem as emoções à flor da pele – o que vira intimidação no primeiro momento para Mr. Morgan – mas ele acaba aceitando a relação de pai e filho que se estabelece até a chegada dramática de seus dois filhos, levando a um desfecho para lá de emocionante.


O longa-metragem (baseado em uma obra de Françoise Dorner) entra em certo limbo quando um triângulo não definido é percebido pelo espectador. Porém, suas mensagens são muito bem aceitas pelo público que interage com risadas a muitas falas do protagonista em tal situação. Na segunda parte da história, a trama ganha mais contextos quando somos apresentados à família do personagem principal, principalmente pelos olhos de seu filho mais novo Miles (Justin Kirk).

A relação pai x filho fica intensa a cada sequência, e os diálogos emocionados deixam o coração apertado e faz que a maioria dos espectadores se identifiquem, transformando a projeção em um festival de lágrimas compulsivas. A continuidade desta temática poderia render uma obra inesquecível. O fato é que não sabiam exatamente qual desfecho dar ao relacionamento vivido pelo idoso e a jovem e precisaram inventar uma forma de colocar uma terceira pessoa na trama para resolver o problema da dupla. Essa ideia, preguiçosa, leva o filme a um final previsível e nem um pouco convincente, mas aquela altura o espectador já está torcendo tanto pela felicidade de todos, que termina não percebendo.

O fato é que o filme teria potencial para ser uma grande obra, entretanto, com uma direção fraca e roteiro preguiçoso, O Últio Amor de Mr. Morgan se torna um filme que acaba em clichês e sem sentido, uma pena para um elenco tão bom.

Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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