12 de jul de 2014

Will & Will - Um Nome, Um Destino, de John Green e David Levithan




John Green é o escritor do momento, seus livros estão bombando! E além de A Culpa É das Estrelas, que virou filme e está deixando milhares de telespectadores emocionados nos cinemas, outros dois livros do autor também invadirão as telonas em breve: Cidades de Papel Quem é Você, Alaska? (este último, seu primeiro romance). Mas hoje, a dica literária é de uma obra bem menos badalada do autor, escrita em parceria com David Levithan (autor de Nick & Norah - Uma Noite de Amor e Música, que também já virou filme em 2008), mas não menos interessante: Will & Will - Um Nome, Um Destino.

Will & Will é a história de dois adolescentes um tanto quanto retraídos e depressivos, que possuem o mesmo nome, Will Grayson. Os homônimos não se conhecem, um é hétero e o outro é gay, moram em cidades diferentes, e um belo dia, por uma dessas incríveis coincidências da vida, eles se conhecem por acaso. Até chegar a esse momento, ficamos conhecendo os dois separadamente. A história é narrada em primeira pessoa, e cada Will se apresenta ao leitor falando do seu dia-a-dia na escola, em casa, com os amigos. Confidenciando seus medos, angústias e visão de mundo.

O primeiro Will, mora com os pais, não tem irmãos e seu melhor amigo é o gay mais expansivo de sua escola, Tiny Cooper. Descrito como um cara de grandes proporções por Will, Tiny troca de namorado toda semana e só pensa em ser o gay mais fabuloso da escola, onde trabalha na montagem de um musical baseado em sua vida. E, enquanto mobiliza todos à sua volta para arrasar nos palcos do colégio, também banca o cupido, tentando fazer com que sua amiga Jane e Will se entendam, já que ele é introspectivo e confuso demais pra ter certeza se quer namorá-la de verdade ou se o que sente é apenas platônico.

O segundo Will vive com a mãe separada, é filho único, dono de um humor ácido, tem apenas uma amiga no colégio, Maura, que é secretamente apaixonada por ele, e está vivendo um romance virtual com Isaac e procura um meio de explicar a própria mãe sua orientação sexual. Will é solitário e melancólico. Se irrita profundamente com as tentativas de Maura em ter algo com ele, mas não quer contar a ela que é gay, também por não querer magoá-la, mas acaba espontaneamente sendo grosseiro com a garota, com quem perde completamente a paciência quando se vê totalmente envolvido por Isaac.

É quando marca um encontro, onde finalmente conhecerá Isaac pessoalmente, que os caminhos de Will e Will se cruzam. E, a partir de então, grandes revelações e amores inesperados acontecem.

Num primeiro momento, Will & Will parece uma leitura rasa, mas se o leitor se ater a história com a percepção mais atenta, terá em mãos um belíssimo livro, que de forma descontraída, numa linguagem jovem e direta, quebra preconceitos, paradigmas e tabus, como por exemplo: a amizade pura e verdadeira entre um gay e um hétero e/ou um relacionamento amoroso, cheio de desejo e paixão entre duas pessoas completamente opostas fisicamente, um cara grande e obeso com outro pequeno e mignon (o que, no mundo de homens gays, é praticamente um sacrilégio). E tudo isso da forma mais natural e simples possível, como deveriam ser todas as relações de afeto.

Will & Will - Um Nome, Um Destino é um livro de 2010, reeditado em 2014 no embalo do sucesso de John Green. E, durante a leitura, é fácil distinguir a escrita de cada autor. Se você ainda não está convencido de que apesar de não ser um livro sensacional Will & Will vale a leitura, deixo transcrito alguns trechos pra aguçar sua curiosidade. Afinal, por mais modesta que a literatura possa parecer, ela sempre pode nos tocar profundamente.

Trechos:
"Quando as coisas se quebram, não é o ato de quebrar em si que impede que elas se refaçam. É porque um pedacinho se perde - as duas bordas que restam não se encaixam, mesmo que queiram. A forma inteira mudou."

"Penso em quanta coisa depende de um melhor amigo. Quando você acorda de manhã, senta, põe os pés no chão e se levanta. Você não escorrega até a borda da cama e olha pra baixo pra se certificar de que o chão está lá. O chão está sempre lá. Até o dia em que não está."

"Eu adoraria viver em seu mundo de desenho animado musical, onde bruxas como Maura são derrotadas com uma palavra heroica, e todas as criaturas da floresta ficam felizes quando dois caras gays caminham de mãos dadas pela campina, e Gideon é o pretendente bonito e burro com quem você sabe que a princesa não pode se casar, porque o coração dela pertence à fera. Tenho certeza de que se trata de um mundo adorável, onde essas coisas acontecem. Um mundo rico, mimado, colorido. Talvez um dia eu faça uma visita, mas duvido. Mundos assim não tendem a emitir vistos para caras fodidos como eu."

"O amor é sempre um milagre, em todo o lugar, sempre. Mas, para nós, é um pouco diferente. Não quero dizer que seja mais milagroso. No entanto, é. Nosso milagre é diferente porque as pessoas afirmam que é impossível. Como está dito em Levítico: 'Homem não se deitará com homem'. Mas ali não diz que homem não deve se apaixonar por homem, porque isso é simplesmente impossível, certo? Os gays são animais, satisfazendo seus desejos animais. É impossível para os animais se apaixonarem. E no entanto..."

"mas existe uma palavra, essa palavra que Phil Wrayson me ensinou uma vez: weltschmerz. É a depressão que você sente quando o mundo como é não se alinha com o mundo como você acha que devia ser. Eu vivo em um grande e maldito oceano de weltschmerz, sabe? E o mesmo acontece com você. E com todo mundo. Porque todo o mundo acredita que devia ser possível só continuar sendo arrebatado e arrebatado pra sempre, sentir o fluxo de ar no rosto enquanto se é carregado, esse ar puxando seu rosto e formando um sorriso radiante. E isso deveria ser possível. A gente deveria poder ser arrebatado pra sempre."
Will &Will - Um Nome, Um Destino
Autores: John Green e David Levithan
Páginas: 348

Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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