12 de ago de 2014

#BaúPop: Barbarella



Roger Vadim ficou famoso por namorar mulheres belíssimas e as catapultar ao sucesso. Brigitte Bardot e Jane Fonda, por exemplo. A última ganhou status de símbolo sexual ao estrelar Barbarella, o nosso #BaúPop de hoje, baseado nas graphic novels de Jean-Claude Forest, e podendo ser descrito como ficção científica, mas indo além, sendo erótico e cômico ao mesmo tempo.

Realizado em 1968, em plena época de liberação sexual feminina, em Barbarella vemos uma heroína extremamente sexy, desde a primeira e antológica cena em que Jane Fonda se despe de seu uniforme de astronauta em gravidade zero. Talvez ninguém tenha conseguido o feito de flutuar com tanto erotismo. Mas, como eu dizia, ela é uma heroína que descobre o sexo; não que ela não soubesse, mas ela descobre o sexo como nós o conhecemos.



Explico. No século 40, Barbarella é uma patrulheira espacial e o Presidente da Terra a envia para um distante planeta para capturar Duran Duran (sim, foi daí que veio o nome da famosa banda), um astronauta que inventou uma máquina capaz de colocar toda a galáxia em perigo. Entretanto, até encontrá-lo, Barbarella irá passar por diversas aventuras.

Na primeira delas, vemos a heroína sendo facilmente aprisionada por estranhas crianças. Ela é salva pelo caçador Mark Hand e, em retribuição ao feito, ela diz que ele pode pedir qualquer coisa e o safadinho sugere que eles façam amor. Barbarella aceita, porém, a forma como ela conhece o sexo é um tanto bizarra: as pessoas tomam pílulas e dão as mãos. A ideia é recusada pelo caçador e ele pede que façam da maneira tradicional e, mesmo chocada, porque apenas pobres selvagens fazem daquela maneira, ela consente. A partir daí vemos Barbarella mais animada do que nunca com o sexo que, enfim, conhece. E, como não é boba, apesar de aparentar uma graciosa ingenuidade, não dispensa a oportunidade de fazê-lo sempre que puder.


O filme tem uma cenografia divertida e figurinos que expõem o lindo corpo de Jane Fonda, que troca de roupa diversas vezes. Os diálogos são completamente dispensáveis;  talvez apenas as falas de Pygar, o anjo, sejam as mais interessantes, mas o que impede de deixar o filme no mute é mesmo sua deliciosa trilha sonora.

E em um longe em que o que importa mesmo é o visual, temos toda psicodelia da época que o transforou em cult. E pensar que Jane Fonda quase não fez Barbarella, já que Virna Lisi seria a protagonista, mas teve que desistir do papel porque seu contrato havia terminado. E Jane Fonda, que imortalizou a personagem, teve que ser convencida pelo marido, Roger Vadim, a fazê-lo, porque a ideia de ser uma super heroína vinda dos quadrinhos não lhe agradara.

O resultado disso tudo? Jane Fonda é um dos maiores símbolos sexuais do cinema até hoje. E Barbarella um cult inesquecível dos anos 60!

Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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