30 de ago de 2014

Beije Minha Lápide, com Marcos Nanini




Marco Nanini é fenomenal. O consagrado Lineu do seriado A Grande Família, é um ator de grandes recursos e reconhecido por seu trabalho. Entretanto, apesar de mais conhecido do grande público por seus trabalhos na televisão, é no teatro que ele se entrega de corpo e alma. Eu, que já havia visto o ator outras vezes em peças medianas (mas com entregas sempre intensas a seus personagens), finalmente o vi atuando em uma peça que faz justiça à sua presença. Beije Minha Lápida é impactante e, mais que apresentar um excelente texto e interpretações, nos faz pensar sobre a vida e a arte.

Com texto inédito de Jô Bilac, na peça acompanhamos o drama de Bala, um fã apaixonado do escritor Oscar Wilde. O escritor irlandês, famoso em todo o mundo por suas obras, passou parte do fim de sua vida preso, acusado de "cometer atos imorais com rapazes". Depois de morto, acabou enterrado no famoso cemitério Père Lachaise, em Paris, e seu túmulo virou lugar de peregrinação de fãs que, para demonstrar seu carinho pelo escritor, beijavam a lápide do túmulo, marcando-a com batom e sinais de admiração. Para evitar isso, a administração do cemitério criou uma barreira de vidro no túmulo, para que os beijos cessassem.

Bala, nosso personagem principal interpretado por Nanini, é um homem que, em um acesso de "loucura" contra um sistema opressor e aprisionador, acabou quebrando essa barreira e se encontra preso por esse motivo. É a sua relação com seu carcereiro, sua advogada e sua filha que conduzem a trama de Beije Minha Lápide.

Com um cenário visualmente incrível (Bala está preso em uma caixa de vidro, no meio do palco) e atuações precisas e inspiradas, a peça é imperdível, com diálogos divertidos e densos, que fazem a plateia se prender à sua trama do início ao fim. Às vezes desconfortável, às vezes hilário, o texto de Jô Bilac não se preocupa em ser tatibitati, mas é claro e traz diversos pontos que valem reflexão.

Além de Marco Nanini, fazem parte do elenco os jovens Carolina Pismel, Júlia Marini e Paulo Verlings, como a advogada de Bala, sua filha e seu carcereiro. Todos muito bem e conduzidos por uma direção segura de Bel Garcia que, se tem em Marco Nanini o astro principal do espetáculo, consegue atuações precisas e emotivas dos outros atores. 

Em temporada iniciada no último dia 29/08 no Rio de Janeiro, Beije Minha Lápide fica em cartaz na cidade pelo menos até o final de outubro. Por isso, não perca a oportunidade se estiver na capital carioca em um dos finais de semana desse período: delicie-se com teatro da melhor qualidade e que, certamente, tocará o seu coração!

Beije Minha Lápide
Com: Marco Nanini, Carolina Pismel, Júlia Marini e Paulo Verlings
De: Jô Bilac - Direção: Bel Garcia

De: 29 de Agosto a 05 de Outubro
Centro Cultural dos Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro
De sexta a domingo, 19h

De: 11 a 26 de Outubro
Teatro Dulcina
Rua Alcindo Guanabara, 17, Centro, Rio de Janeiro
De sexta a domingo, 19h

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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