23 de ago de 2014

#DocPop: Audrey Hepburn, A Eterna Bonequinha de Hollywood




Costumo brincar com meus amigos a respeito de ter nascido na época errada; e, sendo bem sincero, creio veementemente nisso. Como posso ter nascido em uma época que não temos mais Elvis Presley, The Beatles, Gene Kelly, entre outros grandes artistas que marcaram uma geração e são lembrados até os dias atuais como ícones? E é justamente de uma diva de Hollywood que se trata o #DocPop de hoje, e a estrela em questão é Audrey Hepburn, a nossa eterna bonequinha de luxo.

Seu nome era Audrey Kathleen Ruston, conhecida internacionalmente por Audrey Hepburn, nascida na Bélgica, filha de um banqueiro britânico e uma baronesa holandesa, talvez daí surgindo toda a sua elegância e compostura. 

Aos 9 anos de idade, Audrey foi mandada para um internato na Inglaterra. Sua mãe não queria que a filha presenciasse as brigas familiares, visto que o processo de divórcio já estava em andamento. No internato, a jovem se encantou pela dança e logo aprendeu o balé. Contudo, em 1939 estourou a Segunda Guerra Mundial e, com a Inglaterra envolvida no conflito, a baronesa achou por bem retirar a pequena Audrey do internato.

A mãe de Audrey decidiu então levá-la para viver na Holanda, país neutro que - ela imaginava - não seria invadido pelos alemães. Os protestos de Audrey não foram suficientes: a menina queria continuar na Inglaterra, mas a mãe temia que cidade de Londres fosse bombardeada. Além disso, as viagens estavam escassas e a baronesa temia ficar muito tempo sem ver a filha. Entretanto a situação na Holanda não saiu como planejada: com a invasão nazista ao país, a vida da família foi tomada por uma série de privações. Audrey teve muitas vezes de comer folhas de tulipa para sobreviver. Envolvida com a Resistência, muitos de seus parentes seriam mortos na sua frente. Ela participaria de espetáculos clandestinos de balé para angariar fundos e levaria mensagens secretas em suas sapatilhas. Anos mais tarde recusaria o papel de Anne Frank no cinema. 


Ao final da guerra, finalmente retornam para Inglaterra. É onde Audrey ingressa na prestigiada escola de balé Marie Rambert, contudo sua professora foi categórica: ela era alta demais e não tinha talento suficiente. 

Após trabalhar um tempo como corista e modelo fotográfica, Audrey decidiu investir em outra área, a atuação, e surgia assim uma das maiores estrelas de Hollywood. Estreou no documentário Dutch in Seven Lessons, depois fez uma serie de pequenos filmes. Em 1952 viajou para a França, para gravação de Montercarlo Baby, onde foi vista no saguão do hotel pela escritora Collete, que naquele momento trabalhava com a montagem para a Broadway da peça Gigi, cujo papel-título ainda não tinha intérprete. Encantada com Audrey, decidiu que ela seria a sua Gigi. 

Mesmo não tendo todas as críticas positivas, era de opinião geral que aquela desconhecida estava destinada ao sucesso. Pouco tempo depois, Audrey participou de uma audição para o filme A Princesa e o Plebeu, encantando o diretor William Wyler, que a escalou para viver a princesa Ann, contracenando com Gregory Peck, que também se surpreendeu com o talento daquela jovem. 

O sucesso foi tanto, que Audrey foi agraciada com o Oscar de melhor atriz e, no ano seguinte, estrelou o filme Sabrina, onde recebeu sua segunda indicação ao Oscar. 



Audrey, entretanto, passou novamente por momentos difíceis em sua vida. Em 1954 ela se casou com Mel Ferrer e tudo que desejava era ser mãe, entretanto, passou por diversos abortos ficando extremamente deprimida. Disposto a animar a esposa, Mel sugeriu então que ela trabalhasse e gravaram juntos Guerra e Paz, e ela estrelou três comédias românticas (Cinderela em Paris, Amor na Tarde e A Flor Que Não Morreu) e um drama (Uma Cruz à Beira do Abismo), que lhe rendeu sua terceira indicação ao Oscar, fato que afastou qualquer dúvida sobre seu talento. 

Em 1960 finalmente nasceu seu filho, Sean. Depois de um período de licença-maternidade, Audrey voltou a Hollywood para gravar, em minha opinião, seu melhor filme, Bonequinha de Luxo, vivendo Holly Golightly, papel que lhe transformou em um ícone, sendo lembrada até os dias atuais, e pelo qual recebeu também sua quarta indicação ao Oscar.

Depois vieram diversos trabalhos, filmes como Infâmia, Charada e Quando Paris Alucina. Recebeu o papel principal no filme My Fair Lady, um musical no qual interpreta a vendedora de flores Eliza Doolittle. Porém, a voz de Audrey não foi usada nas canções, sendo dublada. Este fato irritou muito Audrey, abandonando as gravações por um dia. Em seguida, gravou Como Roubar Um Milhão de Dólares, Um Caminho a Dois e Um Clarão nas Trevas, que já ganhou um #BaúPop recente aqui no blog.

Depois disso, separou-se e voltou a casar, ficando um bom tempo longe do trabalho e retornando apenas em 1976, quando gravou Robin e Marian. Três anos depois estrelou A Herdeira, divorciou-se novamente em 1980, entretanto, o processo só veio a formalizar-se em 1982. Neste período gravou Muito Riso e Muita Alegria. Voltou a trabalhar apenas em 1987, com o filme Amor Entre Ladrões e seu ultimo trabalho foi em 1989, com Além da Eternidade

Contudo, Audrey teve um papel muito importante não em um de seus filmes, mas sim na luta pelos direitos humanos, tornando-se Embaixatriz do UNICEF. Tendo sido vítima da guerra, sentiu-se em débito com a organização, pois foi o United Nations Relief and Rehabitation Administration (que deu origem à UNICEF) que chegou com comida e suprimentos após o término da Segunda Guerra Mundial, salvando sua vida. Ela passaria o ano de 1988 viajando, viagens estas que foram facilitadas por seu domínio de línguas (Audrey falava fluentemente francês, italiano, inglês, neerlandês e espanhol). 


Audrey ganhou diversos prêmios no decorrer de sua brilhante carreira, como Oscar, Bafta, Emmy, Grammy, Tony, Globo de Ouro e SAG. Por todo o seu talento, ganhou uma estrela na calçada da fama e, no ano de 2009, foi eleita a atriz mais bonita da historia de Hollywood.

Infelizmente, em 1993, aos 63 anos, Audrey nos deixou, depois de diagnosticada com câncer de apêndice, que se espalhou para o cólon. Porém, sua estrela continua brilhando. 

Audrey tinha talento, graça e encantamento. É um ícone, está acima da moda. Sua imagem é tão moderna como nos anos 60. E para sempre será aquela bonequinha que encantou o mundo.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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