3 de ago de 2014

#DocPop: Jennifer Grey, Uma Grande Promessa Que Não Se Cumpriu




Falar de alguém (nesse caso, escrever sobre alguém) que a gente gosta muito e admira, é sempre difícil. Ainda mais quando esse alguém foi uma jovem atriz que explodiu e se tornou uma das queridinhas de Hollywood no final dos anos 1980 e, pouco depois, desapareceu pouco a pouco, fazendo quase nada de muito relevante. Uma grande frustração pra quem era fã e admirador de suas atuações. Estou falando da narigudinha mais famosa do mundo, protagonista de comédias românticas e adolescentes na década de 80, Jennifer Grey, filha do ator Joel Grey e da cantora Jo Wilder.

Quem não se lembra dos estrondosos sucessos de bilheteria Curtindo a Vida Adoidado (1986) e Dirty Dancing (1987)? No primeiro, certamente, você se lembrará de imediato de Matthew Broderick, na pele do espertalhão Ferris Bueller; normal, ele era a grande sensação do longa, mas Jennifer, no papel da irmã revoltada, que não se conforma com o fato do garoto aprontar e sempre se dar bem, também foi marcante, deixando-a até com fama de antipática e insuportável, tão bem encarnou sua Jeanie Bueller. Na vida real, a atriz era noiva de Matthew, que foi assediado por Mia Sara (sua namorada no filme) durante as filmagens, mas não caiu em tentação e se manteve fiel à noiva.

Já em Dirty Dancing Jennifer Grey foi Frances Houseman, ou simplesmente Baby, a protagonista absoluta, ao lado de Patrick Swayze, em um dos mais legais e mais amados filmes de dança do cinema. Impossível não lembrar do casal com sua coreografia "lacradora" e resistir à vontade de sair dançando ao ouvir os primeiros acordes da contagiante Time Of My Life, dos já sexagenários Bill Medley e Jennifer Warnes. Com este filme, Jennifer Grey assinou seu passaporte para a fama absoluta, o que significa que aos 27 anos, ela poderia seguir os passos de Julia Roberts e Sandra Bullock, tornando-se uma grande estrela de filmes água com açúcar, podendo amadurecer na carreira e fazer escolhas mais sérias e consistentes com o passar do tempo. Infelizmente, não foi o que aconteceu.


Em 1984, Grey estreou com três filmes importantes: Jovens Sem Rumo, estrelado por Aidan Quinn e Daryl Hannah; Cotton Club, protagonizado por Richard Gere; e Amanhecer Violento, seu primeiro papel de destaque, ao lado de Patrick Swayze e Charlie Sheen. Logo depois, ela fez os dois clássicos oitentista já citados.

Em 1990, ela fez aquele que vem a ser o meu filme preferido dela, a comédia romântica inspirada em Cinderela, Vivendo Um Conto de Fadas, onde, ao lado do gatíssimo Rob Lowe, ela era Kelly. Um clássico da Sessão da Tarde, fofo toda a vida e, obviamente, surreal, como toda a história de amor idealizada, mas uma joinha inesquecível.

Ainda em 1990, fez mais dois filmes para a TV: Assassinato no Mississipi, onde interpretou Rita Schwerner, uma mulher que junto  do marido forma um casal branco que se engaja na defesa pelos direitos civis dos negros no Mississipi; e Os Bastidores da Justiça, em que fez o papel de Liz Carter ao lado do ator Forest Whitaker. E foi nesse mesmo ano que Jennifer trabalhou bastante, filmando três longas, que ela se submeteu a um procedimento cirúrgico que mudaria os rumos de sua carreira cinematográfica para sempre.


Jennifer Grey fez uma rinoplastia mal-sucedida e precisou de uma segunda cirurgia plástica para reparar o dano. Totalmente descaracterizada, sem o nariz marcante pelo qual ficou conhecida em tantos filmes, as palavras dela foram:
"Eu fui para a sala de cirurgia como uma celebridade, e saí completamente anônima. Era como estar em um programa de proteção à testemunhas ou ser invisível." 
A diferença do antes e depois da plástica foi tamanha que, na época, ela considerou a hipótese de começar uma nova carreira, com um novo nome, "Wanda West", porém desistiu da ideia e manteve seu verdadeiro nome.

Quem sabe se Jennifer tivesse mesmo trocado de nome, não teria tido mais sorte em seus trabalhos posterirores à cirurgia, pois apesar de ter feito mais alguns filmes como: Assassinato no Kênya (1991), Wind - A Força dos Ventos (1992), Valsa da Vida (1995) e Mais Que o Acaso (2001), nenhum chegou perto dos sucessos de meados dos anos 80 e início dos anos 90. Irreconhecível, sua imagem perdeu força em Hollywood. Eu mesmo, intrigado com seu desaparecimento desde Vivendo Um Conto de Fadas, fiquei extremamente chocado, ao revê-la somente 11 anos depois em Mais Que o Acaso. Definitivamente era outra pessoa mesmo.


Ainda assim, Jennifer Grey adentrou os anos 2000 em plena atividade, fazendo teatro, participando de seriados e gravando filmes para televisão, como A Caminho do Natal de 2006, comédia romântica onde atua ao lado do marido, o ator Clark Gregg, na pele de Claire Johnson.

Dos seriados que ela participou constam: John From Cincinnati (O Estranho de Cincinnati, no Brasil), série da HBO de 2007, com apenas uma temporada e 10 episódios; The New Adventures Of Old Christine (As Novas Aventuras da Velha Christina, no Brasil), a quinta temporada, em 2009; e a sétima temporada de Dr. House, em 2010. Ano em que também participou do programa Dancing With The Stars (o equivalente a Dança dos Famosos, aqui pra nós), e saiu vencedora ao lado do dançarino Derek Hough, mostrando assim que quem foi rainha, nunca perde a majestade, afinal, ela era e sempre será, com ou sem rinoplastia, a querida Baby de Dirty Dancing.

E como, diferentemente, de todos os homenageados desta coluna, Jennifer Grey ainda está bem viva, torço pra que ela volte um dia com força total pras telonas do cinema. Porque, apesar do nariz ter mudado e ela estar com seus 54 anos, o sorriso encantador de menina marota, continua o mesmo. Quem sabe, um dia ela volta a brilhar como d'antes? Tudo é possível ao que crê! Hahahahaha!


Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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1 comentários:

skidwasted disse...

Ficou mais bonita depois da plástica, mas mudou demais mesmo.

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