19 de ago de 2014

Não Pare na Pista - A Melhor História de Paulo Coelho, de Daniel Augusto




Há quem goste de Paulo Coelho e também quem nem queira saber do autor. Entretanto, é fato que o cara tem uma história de vida interessante; tão interessante que virou uma cinebiografia, Não Pare Na Pista – A Melhor Historia de Paulo Coelho, que retrata a adolescência e a vida adulta do autor de sucessos como O Alquimista e Onze Minutos, por exemplo.

Baseado em relatos do próprio autor, que não interferiu na produção, o longa é dividido em três fases (anos 60, 80 e 2013), trazendo diferentes estágios da vida de Paulo Coelho. No primeiro momento, vemos as brigas com o pai engenheiro e rígido, Pedro (Enrique Diaz), que não quer nem ouvir falar no projeto do filho de ser escritor. Para ele, escrever não é coisa de gente séria e Paulo precisa de uma carreira estável. A distância entre os dois aumenta ainda mais assim que o filho entra de cabeça nas drogas e no rock. O severo pai chega até mesmo a internar Paulo em um hospital psiquiátrico. Na segunda fase, vemos o mago mergulhado de vez na contracultura, onde graças a sua revista de ufologia acaba por conhecer Raul Seixas que, ironicamente, era o mais careta inicialmente. O interesse comum em magia e esoterismo acaba por forjar a parceria que foi responsável por sucessos como Gita e Sociedade Alternativa na década de 70. E a última fase do filme aborda a maturidade do autor. 

Por não seguir uma linha cronológica, os saltos temporais acabam por atrapalhar a narrativa do filme, visto que se seguisse de forma linear seria mais interessante para se entender a trajetória do protagonista. Uma grande decepção é a promessa não cumprida de investir na relação de Paulo Coelho e Raul Seixas. O cantor aparece em cena após quase uma hora de projeção, e participa de meia dúzia de cenas – algumas delas, simplesmente largadas e sem consequências para a história. A perfeita caracterização de Lucci Ferreira como Raul deixa mais forte a sensação de que se a narrativa focasse mais na relação dos amigos o resultado final do filme poderia ser melhor. 


Júlio Andrade interpreta com confiança Paulo Coelho na fase adulta e na maturidade. O irmão do ator, Ravel Andrade, é quem vive o mago quando mais jovem. Já a belíssima Paz Vega está no filme para representar todas as mulheres que passaram pela vida de Paulo Coelho até ele se estabelecer com a atual, Cristina Oiticica. Ela faz um bom trabalho, mas nada de saltar aos olhos. 

Mais uma vez, os destaques do filme ficam para o segmento técnico: fotografia, caracterização e ambientação, ao passo que a narrativa e sua construção ficam em segundo plano. O resultado desse trabalho é expressivo nos sentimentos do espectador, que fica encantado visualmente, mas fatigado com a falta de ritmo. Sem dúvida, A Melhor História de Paulo Coelho ficou só no título do longa. 

É importante ressaltar que, ao menos, os cineastas nacionais estão tentando diversificar suas produções, pois o que mais vemos nas produções nacionais são comedias clichês e com apelos estereotipados e, sei bem, temos muito mais que isso para oferecer nas telas.

Por fim, vale a pena avaliar essa obra e, se tiver interesse em saber mais sobre a relação Paulo Coelho e Raul Seixas, confira também o documentário Raul – O Início, o Fim e o Meio (já em dvd, blu-ray e streaming), que ajuda ter um quadro melhor sobre essa amizade.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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