26 de ago de 2014

No Escuro, de Elizabeth Haynes




Fazia já um bom tempo que não lia algo que me perturbava tanto. Sabia que era um thriller quando o escolhi na minha pilha de livros. Mas quando pegamos histórias do gênero, elas transbordam ficção. Sabemos, ao avançar da trama, que nada daquilo aconteceu de verdade e tudo não passa apenas da mente criativa de um bom autor. Mas, o inverso aconteceu comigo ao iniciar a trama de No Escuro, de Elizabeth Haynes. A cada página, a cada nova etapa na história de Catherine, desejava com todas as minhas forças que aquilo não acontecesse, que nada do que estava lendo fizesse ou fosse possível fazer parte da vida de qualquer mulher. Mas o sentimento era contrário. Reconheci pessoas que já tive contato ou que em algum momento mencionou que uma amiga (distante e não próxima), havia sofrido abusos nas mãos do namorado. O que era tão distante, ou uma nuvem de lembranças, foi se tornando presente ao avançar de páginas e sofrimentos. 

A trama é narrada em dois tempos distintos: em 2004, quando Catherine conhece Lee, um segurança de uma boate com quem vai se envolvendo; e em 2008, quando agora ela atende pelo nome de Cathy e vive com os traumas do relacionamento abusivo que teve. 

Ao intercalarmos esses dois tempos, vamos percebendo que as duas mulheres não poderiam ser mais opostas. Catherine sai praticamente todas as noites, bebe, brinca com as amigas e tem uma vida social intensa. Cathy, por outro lado, demora quase quatro horas, todos os dias, para sair de casa e ir ao trabalho. Ela passa todo esse tempo fazendo suas verificações. Deixando sua casa de um jeito que saiba se alguém entrou enquanto ela esteve fora. O que no início é um ponto de interrogação, aos poucos vai ficando claro. Vamos descobrindo como uma pessoa descontraída e sem papas na língua foi se transformando em alguém retraída que evita lugares públicos e cria rotas diferentes, todos os dias, para sair de casa e ir ao trabalho. 

O mais agoniante de tudo, para mim, foi perceber que ela tentou pedir ajuda, mas suas amigas achavam que era capricho e que Catherine não estava acostumada a um relacionamento com um cara que prestasse e que o fato dele querer saber aonde ia e com quem se encontrava, era mais uma prova da preocupação que ele nutria por ela. Ler esse tipo de coisa e pensar que outras mulheres, à sua maneira, podem tentar desabafar com as amigas, quando percebem que o relacionamento é meio diferente, e não conseguem ser ouvidas, é agoniante. 

Assumo que durante muitas páginas eu parei e precisei pensar em outra coisa. Haynes é muito precisa ao narrar as torturas que sua personagem sofre. Não é algo só subjetivo, mas está ali! Os socos, a humilhação, o nariz quebrado e o estupro. Tudo narrado pelo ponto de vista dela, da vítima, que sofria calada e só tentava sobreviver. 

Apesar de pesado, No Escuro é uma leitura que recomendo. Abriu minha cabeça para o assunto e me fez descobrir uma nova autora. Esse foi o primeiro livro de Elizabeth que li e fiquei com gosto de quero mais.

Autora: Elizabeth Haynes
Páginas: 336
Leandro Faria  
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