9 de ago de 2014

O Chamado do Cuco, de Robert Galbraith





Eu leio desde sempre. Claro, com sempre significando desde que fui alfabetizado e comecei a apreciar os livros como diversão e entretenimento. Nessas minhas décadas como leitor, aprendi a apreciar o estilo de determinados autores que me viciaram em mundos imaginários, povos e personagens que saíram de suas cabeças e passaram a existir na mente de milhares de pessoas pelo mundo afora. E o que mais admiro em um bom autor é a sua capacidade de se reinventar e de nos conquistar, algo que não é nem de longe fácil de ser realizado. E digo tudo isso para falar de Robert Galbraith, esse cara que chamou a atenção da crítica especializada no ano passado e que, vejam só, nem mesmo existe.

Lançado em 2013, O Chamado do Cuco (The Cuckoo's Calling, no original) apresentou ao público esse autor inglês desconhecido e que, pouco a pouco, foi angariando elogios e fãs pela Grã Bretanha. Até que um belo dia, o novato foi lançado ao estrelato, graças a um leitor mais antenado e que se deu conta de algo: Robert Galbraith, vejam só, era apenas um pseudônimo de ninguém mais, ninguém menos que J. K. Rowling. E, perdoe-me, mas se você não sabe quem é essa dignissíma senhora, pode parar a leitura agora mesmo e procurar um site de fofocas para se divertir.

Depois de criar o bruxo mais famoso da literatura e de ir do anonimato à fama avassaladora com os sete livros de Harry Potter, J. K. Rowling lançou Morte Súbita (The Casual Vacancy, no original), que apesar de um elogio ou outro, acabou sendo comparado com a saga do bruxinho mais amado do mundo. Natural, já que depois de tantos anos se dedicando a um tipo específico de literatura, os fãs não esperavam por um estilo totalmente diferente de história de sua autora preferida.

Foi assim que surgiu Robert Galbraith, uma tentativa de J. K. Rowling criar e ser avaliada sem a obrigação de ser J. K. Rowling. O interessante disso tudo é que ela foi realmente bem vista e, quando descoberta, ainda levou o seu sucesso a fazer dispararem as vendas de O Chamado do Cuco, tranformando-o também em um best seller, em um universo bem diferente do imortalizado por ela com Harry Potter, e até mesmo conquistando novos leitores, que apreciaram o seu olhar para a literatura policial, tão bem desenvolvida e trabalhada por outros nomes britânicos como Agatha Christie, por exemplo.

Em O Chamado do Cuco, a trama é rocambolesca: Lula Landry é uma top model britânica que despenca para a morte de sua varanda em uma noite de frio e neve. À princípio tratado como suicídio, o caso é aceito por Cormoran Strike, um detetive particular com sérios problemas financeiros, quando o irmão adotivo da modelo, John Landry, o procura certo de que a jovem foi assassinada, ao contrário das evidências de então. E o que parecia apenas uma investigação para provar o óbvio, nos leva a uma história envolvente, com bons personagens e um final imprevisível.

Cormoran Strike, o protagonista, é um verdadeiro loser. Gordo, sem nenhum grande atrativo e com uma prótese no lugar de uma das pernas, ele foge do padrão dos protagonistas de romances policiais, quase todos lindos e atléticos. O diferencial de Strike é exatamente o seu intelecto e, claro, os seus próprios fantasmas. Ex-militar que sofreu um acidente onde perdeu a perna, Strike acaba de levar um fora da companheira e está atolado em dívidas. É pelos olhos de sua nova secretária temporária, Robin, que vamos desvendando o protagonista que nos conquista com sua imperfeição.

Robert Galbraith (como é difícil se referir a J. K. Rowling pelo pseudônimo quando sabemos a verdade) constrói sua trama com maestria, nos dando todas as informações possíveis, mas mesmo assim sem entregar demais do que efetivamente aconteceu com Lula Landry. Assim, somos como a secretária Robin nessa história, que se envolve com o trabalho de seu novo chefe e se encanta com esse incrível e inacreditável novo mundo que ele lhe apresenta.

Ao final de suas páginas, O Chamado do Cuco já cumpriu o seu papel de nos fazer apreciar aqueles personagens e de nos deixar ansiosos para vê-los em novas histórias e investigações. Por isso é um prazer saber que J. K. Rowling continuou dando vazão ao seu lado Robert Galbraith e que já temos uma continuação dessa história lançada em inglês. The Silkworm (algo como O Bicho da Seda, em uma tradução ao pé da letra) ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, mas já é sucesso na Inglaterra e nos EUA.

Pergunto: tem alguém aí tão ansioso quanto eu para continuar a acompanhar esses personagens e esse novo mundo criado por J. K. Rowling? Se sim, bate aqui, oh! _o/\o_

Autor: Robert Galbraith (Pseudônimo de J.K. Rowling)
Páginas: 448

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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2 comentários:

Dentro da Bolha disse...

gosto muito de livros desse tipo! investigação, detetive e uma boa história são um trio perfeito. Já vou buscar o livro, fiquei na vontade de lê-lo agora (:
abraço.
dentrodabolh.blogspot.com

O Menino que Voa disse...

Que maravilha. Quero começar a ler, já. Deve ter em. Erosão digital, já que me tornei um viciado em publicações para iPad. Se não to ver em português, vou procurar na Amazon, que deve ter em inglês mesmo. J.K. Rowling mudou a forma como eu via a leitura. E me ajudou, acredite, a aprender outra língua, já que li todos os seus livros em espanhol, como forma de assentar a língua no meu cérebro fervilhante. Curti a dica. Anotei. Vou ler.

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