27 de ago de 2014

Will & Will - Um Nome, Um Destino, de John Green e David Levithan (Uma Segunda Opinião)





Antes de assistir ao filme baseado em A Culpa é das Estrelas, eu li o tão falado livro de John Green. Apesar do tema pesado, o livro (como o filme depois) consegue ser leve e eu gostei muito do estilo narrativo do autor. Tanto é que fui atrás de outros livros de John e tenho uma pequena lista de obras dele para ler. E, a primeira delas que encarei foi Will & Will - Um Nome, Um Destino (nome enorme, ao contrário do simples Will Grayson, Will Grayson do original), lançado no Brasil pela Galera Record e, vejam que coisa, um trabalho de John Green ao lado de outro autor, David Levithan. O que não me surpreendeu: o livro é excelente e, por isso mesmo, merece uma segunda resenha aqui no Pop de Botequim (a primeira delas você pode ler aqui e foi escrita pelo sempre bom Esdras Bailone).

Com um ponto de partida interessante, a vida de dois Williams Grayson homônimos que vivem em Chicago, a trama se desenrola com um capítulo centrado em cada Will e vamos conhecendo assim duas pessoas completamente diferentes.

O primeiro é um jovem de classe média, que aprecia a sua quase total invisibilidade social, é hetero e possui um melhor amigo gay, Tinny Cooper. Seu maior drama é se está ou não apaixonado (e o que fazer com essa possibilidade) por Jane, outra amiga de Tinny e que tem um gosto apurado por bandas alternativas. Já o segundo é um jovem deprimido, de classe baixa, gay enrustido e que vive um relacionamento virtual com Isaac. Entre seus surtos de depressão e autodepreciação, vive uma amizade conturbada com Maura. O mais legal de tudo? Em determinado momento, numa boa virada do enredo, os dois Will Grayson se verão frente à frente, em um ponto em que suas vidas estarão no início de um processo de mudança.

A trama é envolvente e fala diretamente com o público jovem, sem soar tatibitati ou infantilóide. Os anseios juvenis estão presentes na trama e assuntos como sexualidade, relacionamentos virtuais, depressão e bullying são tratados com tamanha naturalidade, que qualquer um pode se identificar. Além disso, os dramas dos personagens realmente são tratados como dramas, não com uma forçação de barra comum e irreal que normalmente vemos em filmes voltados ao público juvenil.

Já o estilo de John Green e David Levithan é puro prazer. Eu nunca li nada de David Levithan, mas, comparando o livro com o estilo de A Culpa é das Estrelas, de John Green, dá pra ver que há muito do autor nas páginas de Will & Will. Os capítulos não são curtos nem demasiadamente longos e, ao final de cada um deles, existe um clifhanger interessante que só continuaremos acompanhando depois de nos aprofundarmos um pouco mais na vida do outro Will. Uma das vantagens do livro ser narrado em primeira pessoa, um capítulo por cada Will, é esse: a trama se mantém interessante e você sempre quer saber o que está por acontecer com um e com outro.

Eu, que tenho um bom ritmo de leitura, há muito não devorava um livro de 352 páginas em tão pouco tempo. Li Will & Will em dois dias, devorando cada capítulo e ansiando pelo próximo. Quem curte um bom e cativante enredo juvenil, com uma mensagem bonitinha sem ser piegas, pode estar certo: Will & Will - Um Nome, Um Destino, é entretenimento que enternece a alma e faz-nos viajar para vida de dois adoráveis personagens e seus amigos.

Autores: John Green e David Levithan
Páginas: 352

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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