25 de set de 2014

A Filha do Louco, de Megan Shepherd




Em 1896, H.G. Wells escreveu o livro A Ilha do Dr. Moreau, que narrava as experiências de um médico-cientista que se isolava em uma ilha para fazer experiências com animais diversos, transformando-os em criaturas híbridas, ao tentar humanizá-losLivro esse, que em 1977 ganhou uma versão cinematográfica, dirigida por Don Taylor e com Burt Lancaster no papel título, como o lunático Dr. Moreau. Dezenove anos depois, em 1996, o filme ganhou uma refilmagem pelas mãos dos diretores John Frankenheimer e Richard Stanley, desta vez com Marlon Brando dando vida ao médico e Val Kilmer na pele de seu assistente Montgomery.

Agora, em 2014, a Editora Novo Conceito lança no Brasil uma releitura da história de H.G. Wells. Pelas mãos da autora Megan Shepherd, o livro A Filha do Louco narra a aventura de Juliet Moreau para encontrar o pai, que ela acreditava estar morto desde que tinha 10 anos. Agora aos 16, após encontrar uma pista de que o pai está vivo, Juliet, que trabalha como faxineira em uma universidade de medicina em Londres e vive só - pois a mãe faleceu logo após o pai ter sido dado como morto, reencontra o amigo de infância e fiel empregado de sua família, Montgomery. Através da pista, Juliet chega até ele, que está hospedado em um quarto de hotel na companhia de uma estranha, porém dócil criatura, que atende pelo nome de Balthazar.

Juliet, é a filha unigênita do lendário dr. Moreau, médico que por causa de seus chocantes experimentos entre pessoas e animais abandonou esposa e filha à própria sorte, fazendo-se passar por morto para continuar suas experiências em segredo, longe dos olhos e do julgamento da sociedade e do conselho de medicina.

Ao reencontrar Montgomery, por quem sempre nutriu um carinho especial que acaba se transformando num grande amor, ele lhe conta onde seu pai se encontra e os dois, juntamente com Balthazar, embarcam em uma longa viagem de navio rumo à ilha do dr. Moreau, onde Juliet pretende reencontrar suas raízes, esclarecer tudo o que aconteceu com o pai e viver em paz. Porém, o que Juliet menos encontrará na ilha é paz.

Antes de chegarem à ilha do dr. Moreau porém, Juliet e Montgomery passam dias infernais dentro do navio, durante a viagem, onde também encontram e salvam Edward Prince, um náufrago misterioso, que deixará o coração da mocinha dividido, disputando-a com Montgomery.

Finalmente na ilha, Juliet depara-se com a figura autoritária e cínica do pai. Um homem frio e calculista, que parece o tempo todo fingir um amor paternal que não existe. Tudo o que Juliet quer é acreditar no amor e no arrependimento do homem que a abandonou ainda menina, mas ela precisa de respostas, respostas que o dr. Moreau não está disposto a dar.

Quando enfim, flagra o pai em plena atividade de seus experimentos, tendo Montgomery como seu assistente, Juliet horrorizada e aterrorizada entende que todos os boatos que sempre rondaram a vida dela eram verdadeiros, e compreende que a ilha habitada por inúmeras criaturas híbridas (menino-peixe, mulher-cobra, garota-ovelha, homem-bode), é criação do homem que a colocou no mundo.

Atordoada, Juliet se vê completamente perdida e confusa num mar de dúvidas: seria seu pai um gênio ou um louco que acredita ser Deus? Montgomery, o homem gentil e bondoso que ama, seria na verdade uma pessoa cruel? As mortes misteriosas de alguns habitantes, que vem aterrorizando a ilha nos últimos meses, tem sido cometidas por quem, já que o dr. Moreau garante que todas as suas criaturas são dóceis, feitas com uma especial incapacidade de matar? E a maior e pior dúvida de todas: será que ela mesma, a própria Juliet, não é uma das experiências de seu pai, embora perfeita?

Em meio a muito suspense, perigo, ação e reviravoltas, Juliet desvendará todos os mistérios da ilha e descobrirá sua verdadeira origem ao mesmo tempo em que decide pelo amor de Edward ou Montgomery.

A Filha do Louco é um livro eletrizante e impossível de largar antes da página 416. Dica ótima pra quem gosta de uma leitura bem palpitante.

Autora: Megan Shepherd
Páginas: 416

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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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